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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

SOBRE A RECENTE FEIRA DE ARTES E OFÍCIOS TRADICIONAIS EM SOAJO

 

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  Concordo com a generalidade do que foi escrito pelo distinto jornalista ao serviço do «Notícias dos Arcos», Dr. Armando F. de Brito, redactor de muitos e bem-feitos artigos, subscritos com a sigla A.F.B., e também precioso colaborador do blogue, soajoemnoticia.blogs.sapo.pt .

Comentando o que foi publicado neste blogue, quero aproveitar para dar os parabéns a todos os que participaram na FAOT, e aos que contribuíram com bens materiais e trabalho para tornar realidade este evento. Todos merecem a nossa gratidão ao concorrerem para ajudar a enaltecer a que foi desde os tempos medievais tida como sede da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», conforme depois também nos narra a sua Carta de Foral de 1514, pese embora haver quem, nas últimas décadas, a queira rebaixar e enterrar por debaixo das suas notáveis e coloridas alfombras!

 Sem dúvida que a explanação de bens e utensílios nos antigos «Paços do Concelho», ainda usados na segunda metade do século XX, enriqueceu o evento, embora a grande maioria deles não fossem exclusividades de Soajo. No entanto as novas gerações não conhecedoras destas vivências, se mais estivessem presentes, sempre admirariam o modus vivendi dos seus pais e avós.

A antecipação da FAOT não permitiu que muitos dos filhos dos ausentes no país e no estrangeiro e, talvez mais turistas, contactassem com os usos e costumes não muito distantes no tempo.

 A reportagem fotográfica também muito enriqueceu a exposição ao permitir que se visualizassem paisagens naturais e actividades agrícolas bastante penosas.

 A falta de legendas impediu a maximização da excelência da exposição, talvez pela sobrecarga de trabalho e falta de tempo dos promotores.

Permitir-me-ei sugerir que seria mais rigoroso intitular a exposição “SOAJO, O TEMPO E MEMÓRIA”, dado que de história apenas se exibiram dois livros, infelizmente, em vários aspectos pouco consonantes com a autêntica e real história e geografia da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», esta observada nas suas, várias e verdadeiras dimensões da realidade nacional!

 Na verdade no livro sobre o «Soajo», com o subtítulo «500 anos do foral manuelino», além de muitas asneiras históricas e geográficas, algumas mal disfarçadas, e outras mais visíveis, pretendeu-se, disparatada e maldosamente, rebaixar e humilhar vários aspectos da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO»!

Mas a mesma autora Paula Pinto Costa observou a «TERRA E CONCELHO DE VALDEVEZ» em outro livro sobre o foral dado em 1515, de uma forma não desrespeitosa e depreciativa!

Sucede que, até à década de 1880, Arcos de Valdevez, dispunha também de um modesto edifício dos «Paços do Concelho» numa pequena vila com características rurais por onde carros de bois e cavalos também vagueavam, sendo também terra de rústicos.

 Na altura da emissão do foral de 1515 o concelho de Valdevez nem sequer tinha uma vila!

 No entanto, nos tempos presentes, com muita bazófia inventaram a ficção de que em “Arcos de Valdevez, foi onde Portugal se fez”! E isto sem que tenham um único documento a provar que no «vale do rio vez» houve uma simples batalha!

 Em Soajo, existindo também um modestíssimo edifício dos «Paços do Concelho», não logrou a sua substituição por outro com mais dignidade, pela queda abrupta do concelho em 1852! De facto, através de documento oficial, existente no Arquivo do extinto Governo Civil de Viana do Castelo, por volta de 1846, ordenou a rainha D. Maria II, que em Castro Laboreiro, Arcos de Valdevez, Melgaço, Coura e o Soajo e Valadares, procedessem à construção de novos Paços do Concelho, por os antigos não se ajustarem aos requisitos necessários! Deviam ser feitos para albergarem também a Administração dos respectivos concelhos pois funcionavam em instalações privadas dos administradores, pelo facto de os «Paços do Concelho» serem modestos em termos de espaço!

Ora a professora Paula Pinto influenciada por pessoa responsável afecta à Câmara de Arcos de Valdevez, ridiculamente, procurou também, por manifesta ignorância, humilhar Soajo, alvitrando até que o Foral do concelho de Soajo, não teria chegado a Soajo! Esta presunção é além do mais vergonhosa!

Deixou ainda declarado no livro do foral outras coisas tão malévolas, tão ofensivas a Soajo e aos Soajeiros que bem reflectidas e sentidas deveriam levar o livro ao castigo máximo no Pelourinho de Soajo, em vez de o expormos, publicamente, como sucedeu na FAOT!

Levavam os Soajeiros os gados e outros bens na época medieval às feiras de Ponte do Lima e de Valdevez, regressando carregados de pesados abastecimentos; colocavam as albardas nos seus cavalos; subiam ao Alto da Pedrada; atravessavam a Portela de Tibo carregados com pesados bens os que por lá viviam; levavam pesados farnéis nas idas a Ermelo e Peneda, em dias de festas nos lugares do seu concelho; traziam os defuntos da Várzea pela histórica Portela do Galo, e de Paradela, atravessando pelo menos nos dias de temporais, a presumível “ponte romana ou românica” sobre o «rio Soajo» localizada na «Ladeira», para serem enterrados na Igreja de Soajo; ou ainda atravessavam esta ponte os oficiais monteiros ao venderem, por privilégio medieval, os seus gados no reino da Galiza; calcorreavam muito antes do foral, a SERRA DE SOAJO, para vigiarem o parque natural - Montaria Real de Soajo; construíam as suas habitações através dos levantamentos de pesadíssimos blocos de granito; ganharam batalhas no concelho de Soajo, e junto ao castelo de Lindoso; batiam-se em arriscadas caçadas com javalis, ursos e outros animais, etc.!

Mas, não obstante, desconfortados ou não com estes modos de vida, escreveu esta autora, espantosamente, o desarranjo de que Soajo «viria a ter ligações com os mosteiros de Fiães e de Ermelo»! Ora se Ermelo, fez parte de Soajo, em termos judiciais e municipais, e fundamentalmente, se era por ele, que os Soajeiros passavam, tal afirmação é completamente absurda e descabida! Não PASMEM CAROS LEITORES, pois segunda a autora Paula Costa, que escreveu tantas aberrações, haveria muita dificuldade em transportar uns “gramas” de papéis do Foral de Soajo, quando estes eram muito mais leves do que os papéis dos livros dos tabeliães e dos escrivães da câmara e do tribunal de Soajo! Desconheceu a autora que chegar, desde Ermelo à vila de Soajo, sede do seu concelho e montaria real, situada a uns trezentos metros de altitude e, elevada a cerca de duzentos e sessenta de altura, se percorria uma via relativamente suave, desde a ponte medieval de Ermelo/Soajo até o sítio de Vilarinho das Quartas, depois de percorrida a suavíssima e pitoresca «estrada» medieval que até Ermelo ladeava o rio Lima! Porém, ignorando as vias de acesso a Soajo, preconceituosamente, ou mal informada, tomou o acesso a Soajo como muito difícil, a ponto de imaginar que transportar o foral de Lisboa para a «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», seria como que uma empresa arrojada! Que imaginação ridícula! Que extravagância! Quem conduzia os «cinco sabujos» ao porto de Viana com cajados muito mais pesados teria dificuldade em trazer uns gramas de papéis?! Os oficiais monteiros que tomavam posse no Paço Real, sito no Terreiro do Paço, não conseguiriam trazer os documentos de Lisboa por causa do acesso viário ao concelho de Soajo?!

 Na ainda inexistente sede ou vila da Terra e Concelho de Valdevez, é que tiveram de ir ao beija-mão do Visconde donatário de várias Terras e Concelhos, para receberem o foral na vila de Ponte de Lima!

Na Terra de Soajo, onde fidalgos não podiam oprimir, onde havia liberdade de movimentos do Povo, para levar e trazer papeladas de e para Lisboa, é que havia muitas dificuldades de mobilidade, porque os soajeiros estavam habituados aos fofos sofás, e não conseguiam andar nos carreiros das altas montanhas da Serra de Soajo! A Senhora Professora Paula Costa, apesar de ser uma competente mediavalista fartou-se de “meter água” sobre assuntos de Soajo, porque “alguns manhosos” a encaminharam muito mal com preconceitos quixotescos!

Detalhadamente revelar-lhe-ei com argumentos consistentes que foi pouco justa ao fazer considerações sobre Soajo, ao deixar-se influenciar por patetices de preconceituosos “rústicos urbanizados” e de “urbanos ruralizados”! Estes ficcionistas com mentalidades reminiscentes dos antigos fidalgos que os moldaram no seu status de “arraia-miúda” ainda adoptam métodos antigos herdados! Por estas e outras aldrabices é que o cientista Leite de Vasconcelos veio, em 1882, a Soajo à procura de “manhosas raposices” em vez de ser orientado pelo astrolábio para a vila do Vez!

 Recomendaram também à autora uma outra inventada e desajustada designação «Serra da Peneda/Soajo»! Mais uma outra aldrabice! E ainda mais anedótica e arrepiante foi escrever que os monteiros de Soajo caçavam na sua serra do Gerês! Apre! Mil vezes, irra! Foi demais!

Por vezes quem ridiculariza, achincalha-se a si próprio, e aos seus informadores!

Fiquem, no entanto, bem cientes que alguns homens do Vez ou do Bragadela que a «Terra e Concelho» que apoucaram teve a elevada honra de ver constar a sua vila e o nome «Serra de Soajo» no primeiro mapa de Portugal, publicado durante o século de 1500! Mas, a “importante vila de Arcos”, e o rio Vez que a atravessa e lhe compôs o nome, nem com o mais potente microscópio neste mapa quinhentista conseguem detectar os nomes que tanto sobrestimam! Ficamos perplexos com a jactância expressa pelos não vilões que industriaram  a Professora Paula Costa!

 As prosápias não chegam para convencer os outros, pois quanto a factos e documentos para justificar o slogan, nada têm! A Ponte da Barca e o concelho da Nóbrega são visíveis no mesmo primeiro mapa à vista desarmada, apesar do documento específico de vila não ter sido emitido pelo rei D. Manuel I, rei que também a atravessou! Porém, nesta vila e concelho, não havia disputas de definição da sede, como sucedera em Valdevez!

O prospecto, o desdobrável, sobre Soajo, lançado no dia da FAOT, apareceu na mesma linha de orientações com asneiras de palmatória, reduzindo todos os soajeiros à qualidade de oficiais guardas da natureza, sem uma explicitação clara e objectiva de que toda a «TERRA E CONCELHO DE SOAJO» foi área de protecção e conservação da natureza, sob a designação de «REAL MONTARIA DE SOAJO»!  Pretendeu-se esconder esta importantíssima valia histórica, para não beliscarem o disparate do nome actual do Parque Nacional, por não ter compatibilidade com o milenar Soajo e com os multisseculares, Parque Natural de Soajo e Serra de Soajo!

Ainda não é verdade dizer que toda a vila de Soajo se situa dentro do Parque Nacional, porque uma parte dela está, escandalosamente, fora do Parque Nacional, porque em vários aspectos foi organizado sobre os joelhos!

No prospecto diz-se que D. Manuel concedeu o privilégio de Vila a Soajo, em 1514, o que é redondamente falso!

Mas apesar de ser vila pelos anos trinta do século de quinhentos, até à actualidade, procurou-se sonegar esta qualidade usando no prospecto, manhosamente, o termo «povoação» sem a qualificar!

 Também não é verdade escrever que o concelho de Soajo acabou por «consequências das reformas liberais do século XIX»! O responsável pela redacção do prospecto erra, se não, prove que, em 1852, houve uma reforma administrativa dos municípios! Os documentos agregados no Arquivo do Governo Civil de Viana, pelo arcuense Gaspar de Araújo e Gama, na altura também proprietário da actual “Casa das Artes”, provam com total clareza que foram, pontualmente, outras as razões da extinção do «concelho da vila de Soajo» como várias vezes escreveu taxativamente!

Sobre o «JUIZ DE SOAJO» pretenderam no prospecto, habilmente, esconder o tribunal de 1ª instância de Soajo, que quase ainda pela época da célebre sentença teve, como durante os séculos anteriores, a mesma categoria institucional do de Arcos de Valdevez, por nele não haver «juízes de direito», mas apenas «juízes ordinários»! Mas, o mais surpreendente, foi a de que o juiz proferiu a sua célebre sentença no Tribunal da Relação do Porto! Será que também interessa baralhar para desacreditarem um facto histórico, testemunhado por Soajeiros contemporâneos do juiz Manuel Domingues Sarramalho, e pelo Abade Rocha Peixoto? Este juiz de Soajo parece promovido à categoria de desembargador, ao se dizer que «perante o colectivo de juízes» proferiu a sua sentença! Ora a sua sentença foi proferida no Tribunal de Soajo, porém foi a redacção do seu conteúdo que motivou o recurso para a Relação e consequente interpretação explicativa! Uma singela abordagem num livro em banda desenhada é útil para crianças, mas nunca servirá como narrativa histórica, não só pela superficialidade, como também por usar vocabulário fora do contexto formal da linguagem normativa usada nos processos judiciais, conforme se pode constatar noutros processos desencadeados e também redigidos pelos escrivães do Tribunal de Soajo. De facto o tratamento do juiz por “Ti Sarramalho”, e  a sentença lida no pelourinho não eram procedimentos usados no século XIX!

No meu blogue - soajoemnoticiario.blogs.sapo.pt  - estão as minhas apreciações sobre outros aspectos da FAOT e, ainda, especificamente, outros assuntos contidos no desdobrável vindo a público na FAOT.

                                                                         Jorge Lage

SOAJO E GERÊS, RECURSOS AOS TRIBUNAIS E A OUTRAS INSTITUIÇÕES

 

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ABADIA DO GERÊS?! - Mas como foi possível a asneira de se dizer que foi o Abade do Gerês que, em 1854, benzeu o escadório de acesso à igreja da Peneda, se a inauguração desta só foi efectuada em 1857 e, o escadório, em 1861?! O grande obreiro do templo foi o ABADE DE SOAJO, Cerqueira Gomes [de Abreu] e Lima, afastado, em Julho de 1852. Deixou quase concluída a PRIMEIRA GRANDE IGREJA que pela sua grandiosidade se harmonizou com o antes edificado. O decisor do afastamento do Abade de Soajo, Dr. Cerqueira Lima, foi o seu conterrâneo arcuense e Governador Civil, Gaspar A. Araújo e Gama! Havia sido o “conquistador” do concelho de Soajo, meses antes! Mas pasme-se, o autor do livro «Lugares Santos de Portugal», editado em 2016, além de outros disparates, tomou o «ABADE DE SOAJO», Dr. Cerqueira e Lima, como «ABADE DO GERÊS»!

 SENHOR DA PAZ, EM ADRÃO - Deixo também aqui revelado que foi este ABADE DE SOAJO, quem teve a iniciativa da construção da igreja, em honra do «Senhor da Paz», em Adrão! Ficou posicionada num local da multissecular – “ROTA DA ROMARIA” – da Vila de Soajo para a Peneda, SEMPRE E SÓ, NA TRAVESSIA DA «SERRA DE SOAJO»! O grande etnógrafo Leite de Vasconcelos não aldrabou o nome da serra como o fazem, no presente, alguns “incultos” e/ou mentirosos! Nas actas da junta da paróquia de Soajo alude-se à iniciativa do templo do “Senhor da Paz”, à vista e na proximidade do local, “Pial das Pombinhas”, onde Sarramalho viu o crime da problemática sentença. Seria construído para evocar, simbolizar e memorar a indulgência do Abade de Soajo ao “usurpador” G. GAMA que, oportunistamente, atacou instituições e identidades do milenar Soajo? Seria que os apelos ao Senhor da Paz, em Adrão, em anos de grandes secas, descendo a imagem sacra à vila de Soajo, com grandes clamores para a vinda de chuvas, resultaria de uma intercessão directa ao Divino Deus em vez do recurso à imagem da Mãe Santíssima da Peneda?

 GERÊS E SOAJO, DIFERENTES! - Nunca o Gerês, ao longo de séculos, foi paróquia, freguesia civil, vila, município, julgado judicial, montaria real [parque natural nacional], sede de “montaria dos lobos e mais bichos”, solar de autóctone raça bovina [cachena], e ainda solar de nativa e famosa raça canina [sabujo da Serra de Soajo]! Soajo foi, nos séculos de 1500 e 1600, a serra mais citada nas descrições das listas das principais serras do reino de Portugal, conforme investigação publicada pela professora Suzanne Daveau, embora ridiculamente lhe atribua, na actualidade, o nome resultante das aldrabices de Gerardo Pery e Paulo Choffat! Tem a Serra de Soajo o maior número de montanhas em Portugal, acima de 1200 metros de altitude, superiorizando, portanto, a do Gerês e até a serra da Estrela!

Mas instalou-se a convicção, por causa do actual Parque Nacional [nascido vergonhosamente com uma denominação aldrabada], que tudo é Gerês. Muito contribui para isto as manipulações do poder municipal de Arcos de Valdevez sobre alguns agentes ao serviço de TVs, e de outros meios de comunicação, de entre as quais até publicações pagas com dinheiro de todo o município!

 RECURSO AOS TRIBUNAIS E OUTRAS INSTITUIÇÕES - Soajo, detentor de um longo e relevante passado, não menos importante que o do Gerês, tem sido especialmente a partir da década de 1991, muito usurpado nas suas mais importantes identidades e no desvio de investimentos públicos municipais, especialmente para a sede concelhia, desproporcionados com a sua relativa importância e grandeza populacional [atendendo ao critério do solo do nascimento] e territorial! Em face da continuidade das políticas municipais tão evidenciadas em obras literárias, desrespeito pelas leis nacionais que defendem identidades ligadas a Soajo, e aos diversos suportes informativos de divulgação de mentiras, verificadas nos últimos meses e semanas, patrocinados pelo município que Soajo ajuda a compor, não nos restam outras vias senão a do recurso a Instituições Científicas Nacionais e aos Tribunais, para reposição das verdades e, para que se cumpram e respeitem leis em vigor…

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                                  Serra de Soajo, “do lado norte do rio Lima”, Abril de 2017

                                                                   Jorge Ferraz Lage

CENSUROU O «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO»!

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            Monumento « MEMORIAL DE FACTOS HISTÓRICOS DE SOAJO»

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 A prova de que, em 6 de Fevereiro de 2003, eu consultei o Arquivo do Monteiro-Mor do Reino  de Portugal, na Torre do Tombo!. Incrivelmente, quem aldrabou, quem mentiu, foi o castrejo que quer defender o nome errado "cão castro-laboreiro" e negar o verdadeiro nome: «CÃO DE SOAJO»!

O cão da SERRA DE SOAJO é claramente um «Sabujo»como escreveu o autor do estalão Professor Manuel Fernandes Marques, bem como o saudoso Padre Aníbal Rodrigues!

Quem tem, ao longo dos muitos séculos de Portugal, DOCUMENTOS, sobre o cão Sabujo, é Soajo, antes do foral do concelho concedido em 1514, como ainda nos séculos seguintes!

O grande aldrabão, até teve o atrevimento de mentir sobre esta visita à Torre do Tombo! Inacreditável...

Mas um residente em Soajo, não natural de Soajo, recomendou as aldrabices de um tal Rodrigues, nascido em Castro, sobre uns artigos deste "Lérias", sobre o mesmo cão que não desejaria que fosse sabujo!

Revelou, também, muita lata o conselheiro Serra Lopes residente numa moradia duma encosta da «SERRA DE SOAJO»!

 

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                         No monumento à «SERRA DE SOAJO»,está esta inscrição

 

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             Uma interessante vista da «vila de Soajo»

 

 

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  Vista parcial da Serra de Soajo, onde se observa uma das paredes do FOJO da «Fonte das Forcadas» tirada do local da freguesia de Soajo onde nasce o ribeiro ou corga das Forcadas para depois passar nas "poldras de BIZCONDE" que é sítio de fronteira entre Soajo e Cabreiro conforme reza o tombo paroquial de 1795! Mas o CAOP não respeita o que correctamente consta no Tombo de Cabreiro e que está em conformidade com o tombo de Soajo elaborado no mesmo ano! 

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                          Uma rua da cidade do Porto  é dedicada à Serra de Soajo!

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 SEGUE O TEXTO DO TÍTULO ACIMA EXPOSTO:

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Quem vive, actualmente, em Soajo numa casa com belas vistas para a serra Amarela devia saber que ao servir-se do último «DICIONÁRIO PRÁTICO ILUSTRADO» editado pela «LELLO & IRMÃO – EDITORES» está a ver na margem sul do Lima, não a Amarela, mas a «Serra de Suajo» expressivamente apresentada no mapa de Portugal a cores!  Mas se consultar as diversas edições até 1972 no mapa de Portugal nelas contido não sabe como se chama a serra a sul do Lima. Porém, olhando-as passa a saber que a casa de Serra Lopes fica situada na única serra nelas apontadas, que é a «SERRA DE SOAJO»! Como o que vale, segundo Serra Lopes, é o último nome da serra usado, então este homem com o seu «alter ego» de sabichão, se fosse professor de Geografia na escola militar onde ensinou, enganaria os seus alunos dizendo que a sua casa foi construída na “serra da Peneda”, e que tem umas óptimas vistas para a serra a sul do Lima, isto é, para a «Serra de Suajo»!

 Já que manifesta tanta sensibilidade perante os assuntos da Serra de Soajo, não quererá contactar a editora do actual dicionário Lello, outrora ligada à famosa livraria do Porto, para lhe propor a substituição do nome serra Amarela, ou serra de Suajo, para “serra Lopes”!

Na matéria do «cão sabujo da serra de Soajo» está Serra Lopes também muito iludido, em grande parte pelas intoxicações das tretas do Lérias de Castro Laboreiro! Mas deseja ainda que mais pessoas o estejam ao recomendar as patetices escritas para as aprenderem, lendo-as! É pena que algumas instituições e alguns criadores que comercializam o cão, e outros reprodutores de falsidades, a quem enviei detalhada réplica, não ponham à disposição de Serra Lopes a crítica que reputo arrasante sobre as muitas falsidades que o intoxicam, como sucede com alguns outros leitores das «20 páginas»! É lamentável que o Rodrigues das rafeirices não aceite o desafio que lhe fiz para acabar com as injustas, malévolas e absurdas acusações que me fez. Documento entretanto encontrado, e uma ida à Biblioteca Nacional, plenamente demonstram que quem é o verdadeiro mentiroso é o Rodrigues das tretas! Convença, Serra Lopes, Rodrigues, para aceitar a minha proposta, que eu dou-lhe metade do prémio que iria receber do mentiroso que ousou lançar mão de baixezas inacreditáveis!

As minhas mais do que duzentas páginas de textos sobre o tema só não convencem pessoas que estão de má-fé contra Soajo!

Serra Lopes talvez, ingenuamente, pretenda que apenas o cão de Soajo fosse o sabujo peninsular ou ibérico, isto é, o sabujo geral de dois países, e que o do nome falseado para “Castro Laboreiro”, não seja cão sabujo de Soajo! Os dados disponíveis contraditam em absoluto esta descabelada versão de não ser cão sabujo, e os escritos do Padre Aníbal e do autor da estandardização deste cão não admitem minimamente que o cão não seja um especial SABUJO! As tretas do Lérias só convencem ingénuos, mal informados ou mal formados!

Saiba, Serra Lopes, que as investigações históricas que fiz, serviram e servem para desenterrar do esquecimento factos muito relevantes e de grande interesse para Soajo e, também para os Soajeiros que prezam este atributo. Estiveram ignoradas mas, felizmente, foram os conteúdos publicados para as colocar no futuro! Deste modo outra fase apareceu para também expurgar as impregnadas falsidades nas narrativas sobre um cão que permaneceu ligado a Soajo ao longo de tantos séculos!

Passando a comentar o desbravado “comentário” de Serra Lopes começo por lhe dizer que discordar não é eticamente reprovável, mas mentir é feio! De facto dizer que assistiu no campo da feira à «descarga de dois enormes cães de pedra destinados a uma estátua» é mentira, porque só foi descarregado o que está no monumento que glorifica o cão que permitiu alcançar marcantes benesses aos Soajeiros de todo o antigo município de Soajo! Diz que ficou «chocado», mas devia ter ficado alegrado se gostasse verdadeiramente de Soajo, ou se não estivesse nesta matéria com tanta falta de lucidez! Será que a mesma simbólica relíquia histórica que consta no brasão de Soajo, também o incomoda? Estranhamente argumenta que outras raças portuguesas não tiveram a honra de uma estátua, para tentar persuadir que o «cão da serra de Soajo», nome que nega, talvez por adesão às batotas, às aldrabices do Prof. Manuel Fernandes Marques! Este não negou o nome das outras raças citadas por Serra Lopes e que também foram estandardizadas pelo professor e autor de quatro estalões de raças caninas portuguesas! Quer dizer que, por outros não terem a iniciativa de as honrar, então em Soajo, como que seria também proibido exaltar o cão mais documentado em Portugal no decurso dos séculos. De facto, o «cão da Serra de Soajo» foi o único que mereceu especial protecção, em 1401, pelo rei D. João I, e que sucessivamente foi confirmada pelos reis de Portugal até 1832!

Mas Serra Lopes, erra ou mente porque, pelos menos, na praia da cidade de Albufeira o «cão de água português», mereceu dos autarcas locais a consagração artística junto aos pescadores algarvios esculpidos!

 Talvez que a pequena cachorra sabuja, que viajou com o grande e valente «cão sabujo da serra de Soajo», um dia possa alinhar ao lado de um «Soajeiro», emigrante, lavrador e pastor da serra de Soajo! Alguém com os miolos no sítio, permitiu consagração do «Soajeiro» no Museu Etnológico Português, situado na cidade de Lisboa, localidade que Serra Lopes tão bem conhece!

Afirma Serra Lopes que não existe a raça «cão serra de Soajo», mas está enganado, porque foi enganado, devido à leviandade e batotice do Professor Manuel F. Marques. Talvez, julgando que ninguém investigaria as fontes de que se socorreu, e o que delas extraiu, lhe permitissem negar o nome consagrado nas obras que consultou, sobretudo as do inicio do século XVIII, sem que fossem descobertas as suas batotas! De facto Manuel Marques ao concluir das obras que consultou que este cão sabujo foi nesta época de 1700 muito «apreciado pelo seu poderoso domínio», bem mostrou, através destas palavras da sua total lavra, que aldrabou porque elas resultam de textos objectivamente dedicados a Soajo! Mas, mesmo assim, não teve vergonha de negar o nome «cão de Soajo» e atribuí-los ao mesmo cão deturpando e ligando o nome do cão a “castro-laboreiro”! Descreveu-o como «cão sabujo» e, mais disse que, habitava também na serra de Soajo!

 O reverendo Padre Aníbal Rodrigues natural e pároco em Castro Laboreiro descreveu-o também como sabujo e parece que me disse que com ele caçaram os antigos frequentemente, reputando-lhe qualidades excepcionais na caça!

Sob o ponto de vista biológico existe a raça «cão sabujo da serra de Soajo», mas o que não existe é oficialmente este nome, mas devia existir como existiu, se não fossem os erros, as aldrabices, as batotices de Manuel Marques!

Por tudo isso é necessário lutar em defesa da verdade, limpando as mentiras e os erros dos que copiam! E a estátua ao famoso cão contribuirá, estamos certos, para derrubar as mentiras e exaltar o cão mais pretendido pela Coroa de Portugal e pelos reis para os serviços que entenderam prestar-lhes nos diversos séculos da monarquia!

 

Quanto ao erro existente no monumento “Memorial de Factos Históricos de Soajo», Serra Lopes, não quis distinguir : altura de uma serra, da altitude de uma serra! Bem sabe, Serra Lopes, que se a altura máxima da sua casa for por hipótese de vinte metros, se fosse possível deslocá-la para o local de mais baixo nível da base da serra de Soajo, a sua altura continuava a ser a mesma, mas a altitude da sua casa baixaria de uns supostos trezentos e oitenta metros para cerca de cinquenta metros. Mas se fosse mudada para a Pedrada a altitude máxima subiria para cerca de 1436 metros.

 Embora, a serra da Estrela que no monumento é referida como sendo a serra de maior altitude de Portugal, aspecto que não referiu S. Lopes, em termos de altura, elevada da base da serra, a situação é bem diferente. Os supostos 1,70 m de altura de S. Lopes são os mesmos à beira-mar ou no ponto de máxima altitude da Estrela, mas o alto da sua cabeça está a substanciais diferenças de altitude nestes dos sítios, atingindo na Pedrada, 1417,7 metros! Bem sei que a consideração da extensão territorial de uma serra pode gerar controvérsias na medição das alturas, mas também custa a aceitar que, por exemplo, a serra do Larouco com os seus 1525 m de altitude, comparados com os 528 m da serra de Sintra, possa trazer à mente das pessoas que a do Larouco tem uma altura de cerca de mais 1000 m, quando na realidade em termos de elevação acima da base tem relativamente pouca mais altura que a de Sintra! Já escreveu alguma vez, Serra Lopes, sobre as patacoadas gritantes, essas sim chocantes, da troca do nome da serra, feita pelos catedráticos Amorim Girão, Orlando Ribeiro, Raquel Soeiro de Brito, e outros! Esta última senhora até fez citação do livro do grande investigador e professor H. Lautensach, onde constavam as serras de Soajo, Gerês e Marão, e fez como Manuel Marques, agora não trocando o nome do cão dos textos a que recorreu, mas sim o nome da serra! Efectivamente, Raquel de Brito, ao trocar «Soajo» do texto que transcreveu, para «Peneda», cometeu gravíssima desonestidade intelectual! As serras que André de Resende em latim designou por «Soagium, Jurez e Maranus», mudaram para Saxum (Peneda) Jurez e Maranus, segundo a batotice desta ex-reitora da Universidade Nova de Lisboa?!

Susanne Daveau, geógrafa, da Universidade de Lisboa, fez a pesquisa dos nomes que as serras portuguesas tiveram, ao longo dos séculos XVI e XVII, sendo a serra de Soajo a mais citada! Todavia, escreveu que na actualidade se chama, exclusivamente, “serra da Peneda”! Instada por mim, tentou fazer a defesa com base numa referência ao pagamento de tributos aos reis das «pastagens da Peneda», desconhecendo que tal só se devia pelo facto de a Câmara Municipal de Soajo as arrendar! Isto permitiu que os gados de habitantes de outros concelhos as usassem, mas apenas numa pequena parte da serra de Soajo, conforme documento de 1650 nos elucida. Como só os rendimentos gerados pelos Soajeiros estavam isentos de impostos, estes sendo tributados mereceram referência especial!

Também a geógrafa Maria Fernanda Alegria, fez batota em «Cartografia Antiga de Portugal Continental» omitido a «Serra de Soajo» apresentada por Adriano Balbi apesar de este a ter considerado como uma serra notável de Portugal! Mas copiou os dois erros/mentiras de Gerardo Pery!

Temos consciência que o perímetro da base da serra, maior ou menor, e a medida da elevação diferenciada entre a cota máxima e mínima levanta alguns problemas, e por via disto é que se usa o critério da altitude, se bem que este método levante também dificuldades de comparabilidade entre as serras.

 Desconhecerá, Serra Lopes, que cientistas como Link, Leite de Vasconcelos, Martins Sarmento, estiveram no santuário da Peneda no séc. XIX, e localizaram-se só na serra de Soajo? Também, em 1894, o notável naturalista e silvicultor, Adolfo Moller, nascido em Lisboa, veio estudar a fauna da «Serra de Suajo», incluindo nestas os montes da Peneda, da Gavieira, muito anos depois de ter exercido o cargo de Administrador Geral das Matas do Reino, ou seja das Florestas Nacionais, como se diria em terminologia actual!

 Na esteira do silvicultor Eugénio de Castro Caldas, os Soajeiros não falam o português de Portugal! Falam sim o português da Serra da Peneda, pasme o caro leitor! Talvez para imitarem os castrejos que vieram trabalhar para a construção do santuário da Peneda, não em Montalegre, nem em Sistelo (por deturpação), mas no município de Soajo! O Prof. Castro Caldas, foi também responsável pela escolha do nome do Parque Nacional, mas como "gostava" muito de Soajo e dos Soajeiros, disse que o antigo parque da natureza - Montaria Real de Soajo - adquiriu o nome, não se riam, do nome “serra da Peneda”! Preocupou-se em defender que Soajo nunca fora vila, seguindo Félix Alves Pereira que, de facto o afirmou, mas esqueceu-se de dizer que este só se valeu de documentos anteriores a 1500! Se continuasse a observar os documentos emitidos pelos reis de Portugal verificaria que a partir da década de 1530 depararia que no concelho de Soajo que já havia uma vila! Muito curioso, deveras interessante, foi Castro Caldas apresentar quatro versões sobre o nome da serra de Soajo em função dos textos das obras que ia reproduzindo. Mas destes quatro nomes alternativos escolheu, no que foi da sua lavra, para atacar Soajo, o nome aldrabado “serra da Peneda”, apesar do Dr. Félix Alves Pereira, ter chamado à atenção para o grave erro resultante da troca da montanha do “Pedrinho” por “Peneda”, aquando da colocação dos marcos geodésicos na segunda metade do século XIX! Quer dizer para menosprezar Soajo seguiu Alves Pereira, mas para escolher o nome da serra desprezou o que rigorosamente DEFENDEU o relator do texto que fez com que as antas da serra, em 1910, se categorizassem como monumento nacional, com a designação «ANTAS DA SERRA DE SOAJO»!

 Mas esqueceu-se também Castro Caldas de dizer na mesma linha de coerência, que o nome Terra de Valdevez, resultou do VALE DO RIO MINHO!

 O mais célebre dos juízes de Soajo foi, segundo Castro Caldas, o juiz «João Cangosta», nome inventado por Teixeira de Queirós, que nunca ninguém usou. O do vereador em Soajo, no ano de 1819, e depois juiz de Soajo, em 1822, com o nome verdadeiro de Manuel Domingues Sarramalho, não se deve usar porque embora seja um nome comprovado e um facto histórico não se coaduna com a invencionice “de uma Lenda”!

 O presidente da Câmara Municipal de Soajo, João Manuel Domingues, assassinado em 1838, no terreiro do santuário da Peneda por Tomás Condesso, do lugar de Quingostas, usava como nome oficial, o de “Marado”, e assim passará para a história local, por outra invencionice do rebaptismo de Castro Caldas, plasmada na «monumental obra» (sic) de ficções históricas, cujo título é “Terra de Valdevez e Montaria de Soajo”! Todos os documentos oficiais de instituições governamentais, judiciais e militares envolvidas na trama do assassinato e prisão do quadrilheiro Tomás, não merecem ser respeitados?!

 Mas quem quer que, correctas identidades de Soajo e os bons nomes de destacados Soajeiros, continuem conspurcados é Jorge Lage, porque quem bem os defende e nada engana, é o sabichão Serra Lopes, e sem “alter ego”! Mas recomenda a outros, tóxicos, sem novos “chiqueiros”, nada nojentos!

Não fiquem deslumbrados com tanta eloquência e sigam pois as sugestões do “capitão-mor” Serra Lopes, porque com ele não são enganados, pois quem engana é um simples “sargento-menor” carregado de «alter ego»!

Continuemos a apreciar mais interessantes argumentos apresentados pelo dotado Serra Lopes! Elucida os seus leitores com uma novidade notável retirada de um dicionário que «um sabujo é um cão de caça»! Como Serra ainda anda a gatinhar nestes domínios devia saber que o sabujo não era na Idade Média um mero cão de caça, porque o então chamado «podengo de mostra», por exemplo, também o era, mas não de caça grossa! Não quis Serra entrar com o meu contraditório no Notícias dos Arcos, e saber que o sabujo de Soajo não era o Espanhol e por isso mesmo é que em 2011 o considerei com cão sabujo de Soajo ou cão sabujo português, antes do Lérias de Castro vir contestar disparatadamente os meus artigos. Mas que culpa tem Portugal das batotas de Manuel Marques apesar de considerar o cão da serra de Soajo, localizado em Castro como sabujo! Serra Lopes que diga se era o sabujo peninsular ou se era um sabujo diferente! Se há e houve outros sabujos noutros países diferentes do Espanhol, e sabendo que havendo um sabujo nas montanhas do Alto Minho, segundo os entendimentos e considerações dos Soajeiros, ao longo dos séculos, de Manuel Marques e do Padre Aníbal Rodrigues, então não houve e há um sabujo português em Castro Laboreiro, Gavieira e Soajo?! Meu Deus porquê tanta miopia!

Em Gondomar, na vertente sul da serra Amarela, e em Vila Nova de Muia, do lado norte desta serra, tinham nos conventos sabujos, mas seriam do tipo espanhol, ou seriam da raça da serra de Soajo? Como ambas estas localidades ficam nas vizinhanças das montanhas de Soajo e do concelho de Soajo, alguém pode garantir, objectivamente, que os sabujos neles criados não eram os de Soajo? Como estes são cães de caça grossa e de guarda de gados e de casas, e muito mais possantes para agarrar os javalis e outros animais, do que os do tipo de sabujo espanhol, pois são muito mais pequenos e orelhudos, não seriam os sabujos do Soajo os preferidos, ou seriam os dos dois tipos?

O Soajo já antes da fundação de Portugal era uma terra de monteiros e de criação de gados, pelo que a criação de sabujos de «poderoso domínio» sobre as feras da serra de Soajo era uma exigência, porque imponentes montanhas de grandes inclinações facilitavam a vida aos lobos.

Outro grande disparate copiado por Serra Lopes do Lérias de Castro Laboreiro diz respeito ao facto de considerar que só a partir do foral de Soajo de 1514 é que se enviavam os cinco sabujos aos reis!

                         (continuará)                                            Jorge Lage

 

AINDA A PROPÓSITO DA FALSIDADE, «ABADE DO GERÊS»!

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 Já sabíamos que em 1875 foi publicada uma Geografia de Portugal, da autoria de Gerardo Pery, na altura capitão do exército e colaborador dos trabalhos geodésicos do reino, inclusivamente a partir de 1854, altura em que estiveram na serra de Soajo. A sua obra teve enorme impacto por ter sido fonte para a elaboração de muitos manuais escolares de Geografia de Portugal, devido a algumas inovações, nomeadamente, em matéria de serras. Tendo passado pela vila de Arcos de Valdevez fora influenciado fundamentalmente por dois fidalgos altamente ligados ao poder autárquico. Vai daí a montanha mais relevante da serra de Soajo, o Outeiro Maior, foi ignorada, e o nome da serra foi mudado no texto e no mapa publicado na sua Geografia. A montanha mais importante de toda a serra foi designada por Peneda, situando-se na área geográfica das freguesias de Cabreiro/ Sistelo, onde foi construída uma torre encimada por um marco geodésico de 1ª ordem. Embora a montanha se chamasse «Pedrinho» foi aldrabado o nome para Peneda, e nela foi considerada no tema das serras como sendo o local da altitude máxima da serra! Duas aldrabices copiadas para vários manuais escolares que até 1907, não ultrapassariam os 25% das edições publicadas, constituindo, portanto uma corrente minoritária. O nome «serra de Soajo» continuava como sendo amplamente divulgado pelos livros de Geografia. Só a partir deste ano de 1907, através da publicação de Paul Choffat começaram duas correntes denominativas relacionadas com os espaços geográficos das clássicas e multisseculares designações das «Serra de Soajo» e «Serra Amarela» que tiveram como principais efeitos o robustecimento do nome «serra da Peneda» e a enfraquecimento dos outros dois nomes! Efectivamente em mais de 80% dos manuais escolares de Geografia dos ensinos primário, secundário e superior, entre 1907 e 1970, foi ensinado que a «serra de Soajo» se situava a sul do rio Lima, como nome alternativo de Serra Amarela! Com este expediente intencional e com a consideração que a serra a norte do Lima se chamava “Peneda” fizeram saltar de uma forma notória a altitude máxima no «Pedrinho», de 1373 m, para os 1415 metros no Outeiro Maior! Corrigiram, portanto, apenas um dos erros de Pery, o relativo à verdadeira altitude máxima da «serra de Soajo», mas o seu nome expulsaram-no para sul do rio Lima! O criador do sistema orográfico «Galaico-Duriense», o suíço Paul Choffat, aldrabou, e assim os professores em geral e seus alunos foram iludidos com uma subtil estratégia! De facto nos livros de Geografia passou a constar predominantemente sobre as serras a explanação: «Peneda, Soajo, Gerês…», e menos, frequentemente, também: «Peneda, Amarela, Gerês»! Foram conspurcados em geral os livros de Geografia, dos então ensinos, liceal, comercial, industrial e superior (universitário ou “politécnico”), com a narração inadmissível: «serra Amarela, também chamada Suajo, entre os rios Lima e Homem»! Que espantosas aberrações! Antes de 1907, as visitas à «Serra de Soajo» dos cientistas H. Link, Leite de Vasconcelos, e de Adolfo Moller [mandado como naturalista pela Universidade de Coimbra em 1990], bem evidenciam que as aldrabices de Pery não haviam ainda desalojado como nome sonante em Portugal porque todos a identificaram por «Serra de Soajo», tendo estado os dois últimos ligados à única Universidade de Portugal! Estes homens de saberes que também estiveram no Santuário de Nossa Senhora da Peneda, onde do seu conjunto sobressai a sua Igreja, situaram-no muito objectiva e claramente na «Serra de Soajo»! Aliás, Leite de Vasconcelos e Adolfo Moller intitularam os seus escritos como expedições à Serra de Soajo, embora com propósitos diferentes! Moller deixou, de facto, exarado para a posteridade, nos Anais de Ciências Naturais e noutra publicação, vários aspectos zoológicos e botânicos da «Serra de Soajo»! Em 1932, foi publicada a primeira Geografia de Portugal, dita «científica» e moderna, trabalho universitário de elevado rigor científico, da autoria do alemão H. Lautensach, para efeitos de doutoramento. Exigiu-lhe a obtenção deste grau académico a pesquisa em inúmeras obras geográficas, o que lhe permitiu apreciar criticamente o que considerou «erros» cometidos por Choffat, de chamar à serra de Soajo, Peneda, e à Serra Amarela também Serra de Soajo! O Professor Doutor Hermann Lautensach através do «Centro de Estudos Geográficos», agregado ao «Instituto para a Alta Cultura», em 1948, viu publicado o notável trabalho intitulado «Bibliografia Geográfica de Portugal», obra onde consta que Choffat «tentou fixar a nomenclatura das principais serras portuguesas, [mas] não isentas de erros.»! De facto na sua notável obra Geografia de Portugal, em alemão, só tardiamente, traduzida para português, colocou a «Serra de Soajo» a norte do rio Lima, a culminar a 1415 m, e a sul deste rio difundiu que a serra tem um só nome, «Serra Amarela»! Deitou, portanto, para o caixote do lixo «Peneda» como nome de serra, e o de «Suajo» a sul do Lima! Mas eu vou mais longe que Lautensach e por isso não deito para o caixote do lixo erros, mas aldrabices, porque só por encomenda puderam ser praticados! Deve ser também dito, a este propósito que o intelectual arcuense Dr. Félix Alves Pereira, também criticou o nome «Peneda» que foi posto em vez de «Pedrinho», atribuindo a culpa do disparate ao guia que acompanhou “os homens dos marcos geodésicos”! Consciente das aldrabices, em 1910, viu consagrado como nome oficial das várias construções dolménicas a designação em coerência «ANTAS DA SERRA DE SOAJO»! E estas distinguidas e dignificadas com a categoria de «Monumento Nacional»! Quem fizer um estudo com o mínimo de seriedade chegará à conclusão que houve várias fraudes com propósitos inconfessáveis.

Este arrazoado serve também para chamar à atenção a um jovem eclesiástico, que não sabe o que diz, porque quem coloca o Santuário de Nossa Senhora da Peneda na «Serra de Soajo» está a afirmar uma genuína verdade! Quem situa a vila e as aldeias de Soajo debaixo de outro deformado nome de serra é que muito disparata!

O respeito pelas raízes e por um caule muito robustecido e enriquecido pelas seivas de muitos séculos, permitem-nos admitir como muito racional e ético que os alicerces alçados, muito profundos e seguros,  sustentam como nome verdadeiro, portanto sem batotas, que os montes agregados a norte do Lima se designam, multissecularmente,por «SERRA DE SOAJO»! Conscienciosamente o que se impõe é remover as aldrabices dos falsários e corrigir os erros praticados pelos enganados!

Talvez não seja necessário recorrer aos tribunais para defender o bom nome da «Serra de Soajo». O Parque Nacional, foi e é uma instituição muito responsável para que se tivessem consolidado as fraudes e os erros! Ora este ocupa apenas uma parte do espaço da «Serra de Soajo». De facto mesmo na freguesia de Soajo há bastante território que não faz parte do Parque Nacional, mas sempre tomam uma parte como se fosse o todo! Quando arderam as árvores, no incêndio de 2016, os meios de comunicação social só diziam que ardeu o P.N.! Mas que rigor é este?!  

Lamentavelmente, continuam a lançar um novo nome - Gerês - para substituir o de Soajo e o de Serra de Soajo! Na verdade, no livro da comemoração dos 500 anos do foral manuelino de Soajo, em 2014, teve a autora o vil atrevimento de escrever, a propósito da caça na época medieval na «serra de Soajo», o contra-senso de a considerar como «caça no Gerês»! E o atrevimento não foi por ignorância… mas por orientada política municipal, com intuitos de prejudicar Soajo e enxovalhar a «Serra de Soajo»!

Mas cometeram-se mais asneiras! No livro «Lugares Santos de Portugal» saído em 2016, o autor seleccionou três locais, no distrito de Viana: Senhora da Agonia, Senhora da Boa Morte e Senhora da Peneda. Na descrição do Santuário da Peneda teve o arrojo de escrever que foi o «Abade do Gerês», Manuel Silvério Cerqueira Lima, quem inaugurou a Igreja do Santuário em 1857! Quem conseguiu consultar os documentos, indevidamente, ainda na Peneda, talvez porque na época não estava à guarda do “sabichão” actual, escreveu algo sobre a Peneda. Na obra do Reverendo Pe. Arieiro declarou-se que em 5/9/ 1834 foram nomeados novos administradores da Real Irmandade de Nossa Senhora da Peneda, a que presidiu o Reverendo Dr. Manuel Silvério Cerqueira Lima, abade de Soajo. Em 10/9/1835 estes eleitos lançaram a ideia de um novo templo mais condigno com o majestoso Santuário. Nos sucessivos anos até 27/7/1852 os administradores do concelho de Soajo analisaram as contas e aprovaram-nas. Mas nesta data o Governador Civil de Viana, Gaspar de Araújo e Gama, arcuense de gema, nomeia uma comissão administrativa, mandando para a rua o dedicado e íntegro abade de Soajo! Sobre este aspecto cito o meu competente professor no Externato Municipal Arcuense: «E o abade de Soajo que tanto trabalhou para a construção do novo templo é posto à margem e não completa a obra que iniciou.» Noutra obra também sustentada em aturada investigação documental, o abalizado Padre Bernardo Pintor em autenticidades sobre o «Santuário da Peneda» dá público conhecimento, em 1976, nestes termos: «O abade de Soajo Dr. Manuel Félix Silvério Cerqueira Lima não pôde completar a obra que projectou, fomentou, acarinhou e cuja realização a ele se deve. Os gigantes também caem. Nada na Peneda recorda a obra deste herói». Mais adiante ajuíza: «Foi um Homem o abade de Soajo. Pelos elementos colhidos nas contas sabe-se que a Igreja estava em vias de conclusão, e passados mais de 100 anos é que se concluiu a segunda torre e algumas dependências ainda esperam que nasçam os pedreiros que lhes hão-de construir as paredes.»!

Este «abade de Soajo» foi apresentado para pároco de Soajo pelo rei D. João VI, em 1824, e até 1866, esteve à frente da jurisdição eclesiástica de Soajo. E não parou o abade de Soajo, quando os fidalgos no poder nos Arcos o expulsaram da administração do «Santuário da Peneda», após o oportunismo da anexação do concelho de Soajo, resultante dos tumultos nas conturbadas eleições municipais de Soajo de 1851. Na concorrida via de acesso à Peneda, lançou a edificação de um outro templo para que os romeiros pudessem receber assistência religiosa e de repouso, sobretudo em dias de inclementes tempestades. A igreja do «Senhor da Paz do Mundo», nas imediações do antigo lugar de Adrão, teve de facto vários propósitos, e foi mais uma iniciativa e realização do grande obreiro em terras de Soajo. Quem não se lembra das muitas vezes que, pelo menos na segunda metade do século XX, ver descer a imagem do «Senhor da Paz do Mundo» até à vila Soajo com clamores para implorar a vinda de chuva nos anos de grandes secas!

Bem mereceria este notável Abade de Soajo que os Soajeiros, em especial os de Adrão, colocassem no templo religioso uma lápide como gratidão pelos nobres gestos do Padre Dr. Cerqueira Lima. Teve este destacado Abade como irmão um juiz de direito. Este magistrado recorreu aos notários (tabeliães) de Soajo para fazer escrituras públicas. Viveram nos edifícios da Prova, ao lado da ponte Barca/Arcos, uma vez que a distinta família Machado Cruz, procede desta nobre estirpe. Mas ter o Dr. Cerqueira Lima como «abade do Gerês» é uma outra enorme atoarda, como a de chamar à «Serra de Soajo», “serra da Peneda”!

Para finalizar convém dizer que os «fidalgos da Casa Real», António Sá Sottomayor, e Gaspar de Azevedo Araújo e Gama, protagonistas da extinção do concelho de Soajo, tiveram também como principal objectivo sentarem-se à «Mesa da Tesouraria» das «Finanças do Santuário da Peneda». E não perderam tempo, pois nos anos seguintes à tomada do concelho de Soajo, lá apareceram para as gerir, porque naquela época, um dos principais “bancos” do norte do país, era o do muito importante Santuário do Alto Minho!

Na actualidade um novo embusteiro apareceu usando o disparate “ABADE DO GERÊS», porque obteve a informação da mesma pessoa que vem dando instruções às TVs e outros meios, para nunca usarem o nome «SERRA DE SOAJO»! Mas, infelizmente, algumas “Juntas” de Soajo ora colaboram activamente, ora deixam escrever e falar como se fossem  puros ingénuos ou “anjinhos”!

                                                     Jorge Lage               

                                                                        Março

ERMELO FOI GERADO E DESENVOLVEU-SE NO SEIO DE SOAJO

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  1. FRANCISCO ARAÚJO EXPULSOU-O DE SOAJO! – O anterior presidente da câmara várias vezes disse em sessões da Assembleia Municipal que não havia sido eleito para extinguir freguesias e/ou para acabar com o poder autárquico exclusivo das mesmas.

 Através deste discurso enganador foi orientando o grupo municipal do PSD na Assembleia Municipal para que esta não deliberasse sobre a revisão autárquica então em curso. Com a sua habilidade ardilosa no que a Ermelo diz respeito concebeu uma estratégia criando esperanças para não encontrar resistências das pessoas mais influentes de Ermelo, pois bem sabia que o embrião desta freguesia foi o Mosteiro de Ermelo que fora edificado no termo de Soajo pela “rainha” D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques. E quando terminou o «Couto de Ermelo» que estava encaixado dentro do termo do Julgado de Soajo, o Mosteiro de Ermelo e território afecto regressou sob o ponto de vista de administração local autárquica às suas origens exclusivamente soajeiras!

  1. O FORAL DE SOAJO DE 1514 – O âmbito geográfico do concelho de Soajo em 1514 tinha como fronteiras a poente, os marcos do Mezio (situados na antiga via Soajo/Cabana Maior/ Grade, etc), território do concelho de Valdevez.  Cabana Maior, Vale e S. Jorge, não eram freguesias civis mas simplesmente áreas de natureza eclesiástica inseridas neste último concelho. Enquanto estas vêm discriminadas no foral de Valdevez, Ermelo, não é abordado na versão incompleta do foral de Soajo existente no Arquivo da Torre do Tombo, porquanto gozava da isenção de impostos e de outros privilégios específicos de todo o concelho.

 O Mezio e a Lage das Cruzes [esta situada junto do rio Lima, na passagem para Gração] são também zonas de delimitação de Ermelo, e já vinham expostas como fazendo parte de Soajo, em 1514, conforme original (completo) do Foral da Terra e Concelho de Soajo, donde extraíram para o Tombo de Soajo de 1795, as delimitações de todo o concelho de Soajo.

Foi portanto um “roubo” que Francisco Araújo fez às escondidas, anexando a freguesia de Ermelo à freguesia de S. Jorge, terra de seus pais, pois no decurso dos séculos, sob o ponto de vista administrativo, Ermelo, fez parte de Soajo! E numa perspectiva judicial, até a freguesia de S. Jorge, já autarquia, pertenceu ao «JULGADO DE PAZ» DE SOAJO.  

Foi sempre este Rodrigues de Araújo um grande inimigo de Soajo, mas, infelizmente, os Soajeiros, muito por falta de informação, deram os seus votos a quem muito prejudicou Soajo! Com este “roubo” fortaleceu S. Jorge, e enfraqueceu Soajo, como sempre gostou…

                         Outubro de 2014                                               Jorge Lage

FESTA NUMA MONTANHA DA SERRA DE SOAJO!

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 No «Monumento à Serra de Soajo» ficou esculpida a delineação do espaço físico da serra que o primeiro mapa de Portugal conhecido honrou por ser um dos mais destacados do país! Os ataques e a má vontade de quase todos os elencos do poder municipal, com sede na vila de Arcos de Valdevez, levaram o VERDADEIRO e histórico nome da serra para as maiores e mais desonestas CONFUSÕES na toponímia nacional!DSCN8453.JPG

Tirada em 2002 aquando da colocação nos antigos Paços do Concelho em homenagem aos resistentes pela continuação do concelho de Soajo, em que pontificaram o Presidente da Câmara, António Gonçalves Campos, o Juiz do Julgado de 1ª instância, João Gonçalves do Outeiro, e o Administrador do Concelho, António Gonçalves Lage.

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 Além da Casa da Câmara, o pelourinho, constitui-se como uma MARCA que carrega história, identidade e simbolismo do notável concelho do norte de Portugal que se distinguiu entre muitas centenas, em termos da natureza, pecuária ( pela vaca cachena), flora (pelas matas reais), fauna (pela abundância de lobos, javalis, linces, e ursos), criação dos famosos sabujos, e religiosidade (pelo culto a Nossa Senhora das Neves na Peneda e a S.Bento em Ermelo)...

 

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 Vista muito reduzida da enigmática pedraria, na Pedrada, situdo na maior montanha da Serra de Soajo, que é o Outeiro Maior!

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 As matas florestais que arderam nos incêndios da década de 2010 ainda são visíveis numa foto tirada alguns  anos antes.

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 O cortelho feito com aproveitamento das pedras estendidas ao longo da pedraria, na Pedrada, foi construído como que para sinalizar e obstaculizar a que houvesse ingerência dos guardas florestais nos domínios territoriais mais elevados da freguesia de Soajo. Foi contruído por Soajeiros, nos primeiros anos da florestação por iniciativa do Estado Novo, a mando e expensas do industrial da vila de Soajo, Manuel Joaquim Sequeira Enes, conheccido pelo "Ti Russo". Esta informação também me foi prestada pelo meu primo António Lage, o "Ti Morgado" de Bouças Donas, que reconheceu ter sido feito em território da freguesia de Soajo com estes intuitos. Tem sido o informador dos limites da freguesia de Cabana Maior, mas revelou-me nunca ter visto os marcos do Mezio porque nas vindas e idas de Bouças Donas, de e para a sede de Soajo, nunca passar no caminho Boimo /Soajo.

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  A SEGUIR O TEMA EM TÍTULO:

 

 NOMES OFICIAIS RESPEITEM-SE! – A «Serra de Soajo» é um nome legal, oficial, porque consta na Carta Administrativa de Portugal e no Atlas de Portugal Oficial. Este foi editado em 2005 por iniciativa do Primeiro-Ministro de então, Engenheiro António Guterres. Foi encarregado da sua feitura o Instituto Geográfico Português, autoridade nacional da cartografia, segundo a lei vigente. Foi escolhida como coordenadora para elaboração do Atlas Oficial a professora catedrática Raquel Sousa de Brito. Esta académica conhece bem o Soajo, porque aqui esteve hospedada em 1946, recolhendo elementos para a sua tese sobre Soajo, a fim de obter a licenciatura em Geografia na Universidade de Lisboa. A serra que calcorreou foi circunscrita à área do Lima ao Minho, a nascente do rio Vez. Parece que tem na sua tese que a serra atinge cerca de 900 quilómetros quadrados de superfície! Pela lei em vigor o Instituto Geográfico é um organismo oficial da Administração Central do Estado Português que está integrado no Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, e a «Carta Administrativa» que elaborou tem força legal. Ora consultando esta carta todo o território onde foram implantadas as estruturas da chamada “Porta do Mezio” ficam dentro da área administrativa da freguesia de Soajo. Mas apesar disto a Câmara Municipal no seu portal oficial exposto na Internet declara que a «Porta do Mezio» está situada na freguesia de Cabana Maior! Isto é muito grave! Isto é uma ilegalidade! Isto é uma afronta a Soajo e aos Soajeiros que amam a sua terra! Contactado o Senhor Presidente de Junta de Soajo diz que isso foi escrito por um ignorante! Mas quem é o ignorante da Câmara Municipal, pergunto eu aqui ao autarca, responsável pela gestão e defesa dos interesses de Soajo?

MANIPULAM A INFORMAÇÃO A FAVOR DA VILA DE ARCOS - Como se viu também a emissão em directo do Mezio, pela TVI, no dia 4, em legenda referia “Festa da Montanha – Arcos de Valdevez” ou “Porta do Mezio – Arcos de Valdevez”! Sabendo eu que no país há freguesias com o nome Mezio, julgo que o povo português em geral as desconhece, assim como desconhece a montanha onde está a recém-nascida “Porta do Mezio”, apesar de estar a cerca de 700 metros de altitude e ser superior à máxima de algumas conhecidas serras de Portugal. Assim sendo, compreende-se em parte o esforço da publicidade, pela má escolha do nome “Porta do Mezio”, para a tornar conhecida! Se está a “porta” construída no espaço geográfico e administrativo de Soajo, sempre o nome de Soajo, por dar nome a uma das maiores e principais serras de Portugal, muito ajudaria a conhecer o local. Com certeza mais do que uma menor montanha dela. Quiseram e querem remar contra o conhecimento científico legal do nome da serra. Manipulam a TVI e outros órgãos para não usarem o nome “Montanha de Soajo”, sinónimo de «SERRA DE SOAJO», usando uma linguagem afrancesada! Usaram o nome Arcos de Valdevez no terreno da ambiguidade, mas nós sabemos que o não referiram como sendo um dos “350” municípios de Portugal. Manhosamente quiseram mais fazer publicidade à vila de Arcos de Valdevez. Julgam que os restaurantes, os cafés, as casas de Soajo, e tudo o demais, não precisam de sobreviver… Usam território de uma autarquia de Portugal - Soajo -, mas fizeram neste evento quase exclusivamente publicidade à vila dos Arcos! Pensam que em Soajo só há “otários”, mas enganam-se, pois os Soajeiros são tão inteligentes como os Senhores “Camaristas”! Bem sentiram a afronta ao usarem património de Soajo para promover, quase exclusivamente, a vila dos Arcos. Com um bocadinho de seriedade, de bom senso, e boa gestão, teriam dado o nome à “porta” com o nome da freguesia onde a instalaram, como fizeram com as outras “portas”, nos outros quatro municípios com território no Parque Nacional! Soajo e Arcos de Valdevez são nomes que em associação mais se fortalecem, complementam, potenciam, para efeitos de publicidade e outros fins. Com procedimentos discriminatórios mais se aprofundam os desequilíbrios, as assimetrias, as desigualdades, as desproporções, no concelho. No plano socioeconómico desfavorecem as mais pobres usando os recursos destas em benefício da mais rica! Infelizmente, continuam a persistir nos mesmos erros e mentiras a que nos habituou, nas últimas décadas, neste concelho, um autarca alfacinha “chiquíssimo”! Em democracia jogam-se desafios, como no futebol, pelo que as populações das freguesias têm de interessar-se mais e disputar os jogos com vontade de vencer. Se não o fizerem são derrotadas com facilidade pelos autarcas manhosos através de estratégias e tácticas perspicazes!

 OS LIMITES NO MEZIO - Em documentos oficiais com a rubrica do célebre juiz de Soajo, Manuel Sarramalho, foram validados actos notariais, em 1822, de pessoas de C. Maior, onde consta o Mezio no «distrito do concelho da vila de Soajo»; em 1758 escreveram que a parte da “serra” que é exclusiva da paróquia de Soajo, começava, na parte poente, no Mezio! Mas autarcas “geniais”, dos últimos vinte e cinco anos, à frente de Cabana Maior, nem sequer, em Julho de 2016, sabiam interpretar o tombo da sua freguesia! Não queriam sequer reconhecer os marcos no interior da larga e extensa «Portela do Mezio” e, andavam com a popularucha treta da divisão com Soajo pelo sítio da que foi Casa Florestal, em direcção a uma branda de gado que ainda não existia em 1865! Queriam, ridiculamente, que a área administrativa de Soajo, viesse para as rampas, para as ladeiras, para as encostas, onde as águas, de uma fracção, da parte nascente do Mezio, começam a escorrer para Vilar de Suente, ou na zona da Anta (à beira da estrada nacional), onde começam a decair na estrada para o lado da vila de Soajo! Não sabiam o significado de «águas vertentes»! Nem sabiam, o que é grave, que no Tombo de C. Maior a fronteira na Portela do Mezio não é feita pelo critério das «águas vertentes», por ser área relativamente plana!

            O MAIOR NÚMERO DE MONTANHAS! - Convém dizer que a «Serra de Soajo», considerada na sua amplitude multissecular, é a que tem, sozinha, das serras de Portugal, o maior número de montanhas com altitudes superiores a 1200 m! Tem 14 (catorze)! O Marão tem só 6 (seis), Montemuro 3 (três), Amarela 4 (quatro), Cabreira e Barroso, juntas, 9 (nove), o Gerês em conjunto com o Larouco, 15 (quinze), Montezinho mais Nogueira 5 (cinco)! A Serra da Estrela apenas 11 (onze), embora nestas 11, tenha 2 (duas) montanhas que superam os 1400 metros de altitude máxima! Então a de Soajo não sobressai?! É um nome sonante para despromover, malbaratar e desprezar, Senhores Autarcas Arcuenses? Não o usaram, circunscreveram-se à “PORTA” e a uma MONTANHA desconhecida da Serra de Soajo?! Repudiam um sublime nome do Município! A grande construção natural erguida, sem o concurso de homens, por ter o nome Soajo, não é respeitada e usada! Porquê?!

             O NOME, SERRA DE SOAJO, O MAIS CITADO! - Um nome grande, entre os geógrafos notáveis da Geografia de Portugal, é o da esposa de Orlando Ribeiro, Professora Doutora Suzanne Daveau. Esta investigadora colaborou em 2002, numa 3ª edição da «Descrição do Reino de Portugal» da autoria do Juiz Desembargador, Duarte Nunes de Leão, cuja 1ª edição foi publicada em 1610. Suzanne Daveau apresentou um estudo introdutório sob o título “O conteúdo geográfico da Descrição do Reino de Portugal”. Neste aborda os nomes das serras de Portugal que foram mencionadas por vários outros autores desde quinhentos até 1662, ano da publicação da 1ª edição do «Mapa de Portugal» elaborado pelo cartógrafo Pedro Teixeira Albernaz, onde constam 12 serras de Portugal! Observando-se, o «Quadro I», onde S. Daveau, recolheu os nomes de «As serras de Portugal segundo vários autores», o nome «SOAJO» foi, de entre as seis maiores serras de Portugal, o mais citado! Foi «Soajo» exposto por 6 (seis) autores, só Bernardo de Brito, em 1587, o não referiu! O Gerês foi referido só 4 (quatro) vezes, falhando em três autores! O Marão foi nome usado apenas por 3 (três) autores, e falhou, portanto, quatro! A Estrela, a serra de maior altitude em Portugal Continental, foi nome usado 3 (três) vezes, porque foi identificada, também com o nome «Hermínio maior 3 (três) vezes, falhou apenas uma vez, em 1560, no primeiro mapa de Portugal que se conhece, do cartógrafo Fernando A. Seco! Larouco não consta como nome de serra! Porém devido aos disparates de 1875 de G. Pery, e de P. Choffat em 1907, também Suzanne Daveau, copiou erros e /ou mentiras e o nome que disse ter a serra na actualidade de [2002] é, exclusivamente, o copiado e ensinado pelo seu marido, fruto do que aprendeu com as asneiradas do seu mestre, Silva Teles, sendo depois acolhido por gravíssima aldrabice no nome ao Parque Nacional!

                                          Serra de Soajo, “do lado norte do Lima”, em Junho de 2017

                                                                                       Jorge Ferraz Lage

LIMITES DE SOAJO, SOBRETUDO, COM CABANA MAIOR, NO MEZIO

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Este texto pretende dar alguma luz a quem ao serviço de Soajo tem de tomar decisões sobre assuntos que envolvem o território da freguesia de Soajo, presentemente, sobretudo, contribuir para clarificar a fronteira no Mezio.

Nele iremos referir, primeiramente, com brevidade as delimitações de Soajo e Ermelo segundo o tombo de Soajo de 1795. Nestes termos a demarcação começa: «na ponte de Ermelo próximo ao rio Lima (indo) ao pontilhão das tolas e dali ao porto do poulo e daí até o fojo, e daí ao marco do mezio». Por isto se conclui que a freguesia de Soajo não vai ao Gião, porquanto, o último troço, «vem do fojo ao marco do Mezio». Porém, neste marco, situado do lado sul da antiga via Soajo/Valdevez, terminam as fronteiras de Soajo com Ermelo. A partir deste sítio no sentido do norte começa a fronteira de Soajo a efectuar-se com C. Maior, grosso modo, pelo território onde existe, na actualidade, a estrada rodoviária em direcção à Travanca. Segundo o entendimento de algumas pessoas esta delimitação não é a correcta, todavia, é a que está a vigorar em termos “oficiais”! Para aceitar ou não este percurso, esta fronteira, terá de fundamentar-se a opção, recorrendo, acima de tudo, aos tombos das duas freguesias. Segundo o que consta no tombo de Cabana Maior de 1783, a fronteira com Soajo não se faz por «águas vertentes», nem tão pouco por «vertentes» a partir da «Portela do Amerio» (expressão que figura neste tombo e que se supõe ser Portela do Mezio) e, até, ao «marco chamado de Mosqueiros»! Mas onde fica este «marco chamado de Mosqueiros»? O marco do Mezio sabe-se onde fica. O outro ainda não se sabe onde se encontra e situa. Até que apareça, temos de recorrer a argumentos que sejam harmonizáveis com o que consta no tombo de Cabana Maior de 1782. Nesta perspectiva o tombo de 1782, informa-nos que do «marco chamado de Mosqueiros» sai-se por «águas vertentes» até ao «marco de Cima» e, daqui, também, se vai por «águas vertentes ao Cabeço de Guidão». Perante estes dizeres não pode o «marco chamado de Mosqueiros» situar-se em «Mosqueiros» de Soajo ou seja na zona da «Branda de pastoreio de Mosqueiros». Esta Branda fica, praticamente, dentro do âmbito da «Portela do Mezio», mas o argumento que aqui se deve evidenciar para clarificar, é que desta «Branda de Mosqueiros» é, fisicamente, impossível fazer uma divisão de Cabana Maior com Soajo por «águas vertentes», isto é, através da separação das águas das chuvas ou das águas da fusão das neves para cada um dos lados das duas freguesias! Na verdade, junto da Branda de Mosqueiros todas as águas correm, objectiva e claramente, numa só freguesia! Tanto no vizinho território a poente da Branda de Mosqueiros, como a nascente, só há escorrências para o lado sul, isto é, para o lado do ribeiro que passa perto de Vilar de Suente, ou seja, para o lado do rio Lima. Portanto, todas correm numa mesma freguesia! E esta é, sem sombra de dúvidas, a de Soajo! Aliás o correr das águas para sul já sucede desde o território que fica a noroeste desta Branda, ou seja desde a proximidade da Travanca! De facto desta zona próxima à Travanca é que se pode partir para «o marco de Cima» e, deste sítio, para o «Cabeço de Guidão» por «ÁGUAS VERTENTES»! Só neste percurso é que, naturalmente, se separaram as águas para dois lados, umas para o lado do rio Lima, outras para o lado do «rio Ázere», também chamado «rio Grande». Quer isto dizer que só nestas zonas se separaram as águas, de modo natural, para duas freguesias. Pretende a Junta de C. Maior, com base no seu tombo, fazer a ligação recorrendo a um critério em “linha recta” da soajeira Branda de Mosqueiros para o designado «marco de Cima». Mas, este procedimento, levaria a ter de seguir-se um trajecto, por uma só vertente da água, pois toa a água só escorre para o território de Soajo, o que manifestamente, colide com o que se diz no tombo de 1782, que só admite a separação natural por «águas vertentes», isto é umas para Soajo, outras para C. Maior! Ainda, também, deste «marco de Cima» se iria em linha recta para Guidão por uma só vertente, pois aqui a água só escorre para C. Maior! Então, neste último trajecto perderia C. Maior algum território para a freguesia de Soajo e, a separação pelo critério das «águas vertentes» não teria razão para constar no Tombo de C. Maior!

 Em face deste tombo de Cabana Maior, de 1782, temos de concluir que só na vizinhança da zona da Travanca, conforme nos indica o actual CAOP, «carta administrativa oficial de Portugal», é que virando à direita, à beira da Travanca, há condições para atingir os «morouços de Guidão» por «águas vertentes»! Como se sabe há vários nomes repetidos na serra de Soajo como por exemplo, Portela, Bragadela, Arieiro, Concieiro, Travanca, etc. A palavra mosqueiros, é também nome repetidamente empregue pelos pastores da serra de Soajo. É usual dizer-se que os gados estão nos “mosqueiros” quando se encontram em sítios bem ventilados e por isso mais propensos para se evitarem as moscas. É esta uma versão do termo mosqueiros, porém há outras. A palavra mosqueiros deriva de moscas e pode também significar local onde existem muitas moscas. Nos poulos onde pernoitam gados há sempre lugar para a abundância de bostas, o que determina a atracção de muitas moscas. Assim estamos perante um nome usado devido a várias circunstâncias. Por outro lado o termo Travanca significa barreira, obstáculo, impedimento de passagem. Ora é na zona de Travanca que nas cartas geográficas (mapas) se verifica, que o traçado do antigo concelho e freguesia de Soajo, faz uma viragem à direita bastante pronunciada em direcção a Guidão, pelo que a divisão das duas freguesias se harmoniza com a separação por «águas vertentes», em conformidade com o que consta no tombo de 1782! Também sabemos que houve um conflito, em tempos antigos, entre as populações de Cabana Maior e Soajo, por causa das águas da fonte das “sete bicas” que, não obstante se encontrar em território de Cabana Maior, na Travanca, só através de rego artificial de cerca de duzentos metros é que se atinge o território onde já fluem naturalmente as águas para irrigarem os terrenos agrícolas de Vilar de Suente, da freguesia de Soajo. É pouco crível que se o território de Soajo não fosse à zona das vizinhanças da Travanca houvesse motivos para irem buscar as águas à fonte das «sete bicas» uma vez que fica a quilómetros de distância da soajeira «Branda de Mosqueiros», esta situada na zona circundante da Portela do Mezio! Não é correcto, pois, quererem os poderes autárquicos de Cabana Maior “EMPURRAR” as fronteiras com a freguesia de Soajo, ao longo do amplo e extenso planalto da Portela do Mezio, para as estremas, onde as águas começam a escorrer nos declives, nas encostas, nas ladeiras,  isto é, nas vertentes, para o lado de Soajo! O Mezio é território relativamente plano, num alto, daí ser um planalto! Este tipo de divisória, nunca Soajo admitirá, porque o planalto é partilhado, não é dividido no Mezio por «vertentes», nem por «águas vertentes»! Aliás, o Tombo de C. Maior, é categórico pois não diz que da Portela do Mezio, para um sítio chamado  Mosqueiros, se recorre a um critério de divisão por “vertentes”,  e muito menos, por “águas vertentes”!  Acresce a tudo isto, o facto, também muito importante, de que a divisória de Soajo e C. Maior é feita com recurso «a MARCOS», como pode ler no tombo de Soajo de 1795! Este conteúdo foi extraído do «Foral da Terra e Concelho de Soajo», de 1514, na sua versão original que veio para o concelho de SOAJO! Este diploma tinha força de lei, mas não sabemos do seu paradeiro. Em 1758, o Mezio foi tido, também, como território serrano de Soajo, mas não apenas no começo das rampas do Mezio, voltadas para nascente, como desonestamente pretendiam os principais autarcas de C. Maior! Também existem, no Arquivo da Torre do Tombo, em Viana do Castelo, registos dos tabeliães de Soajo rezando que, junto ao(s) marco(s) do Mezio, em território do «DISTRITO DO CONCELHO DA VILA DE SOAJO» se fizeram escrituras, em que interveio o célebre juiz Manuel Sarramalho, autenticando-as com suas rubricas!

 Apesar de tudo isto ,só nos últimos quatro ou cinco meses, é que o actual autarca principal da freguesia de Cabana Maior, tomou conhecimento dos marcos através da informação prestada pelo Prof. António da Costa Amorim! Queriam todo o planalto só para a sua freguesia! O território de Soajo começaria, segundo os ambiciosos autarcas, no terreno inclinado, no rampeado, já em ladeira, como defendeu também, muito antes, o ex-autarca presidente Manuel Branco! Inacreditável, tanta incompetência e insensatez! Querem ignorar documentos preciosos! Querem seguir e recolher informações pela via de “trinta e um de boca” para decidir as fronteiras, de quem me afirmou ainda, em Setembro de 2016, que não sabia que havia marcos no Mezio porque nunca passou no sítio onde se encontram! Sempre de Bouça Donas ia e vinha de Soajo sem passar pelo caminho dos marcos do Mezio. Mas pretende que esta digna pessoa que, infelizmente, nem ler sabe, conforme costuma dizer, faça pedagogia perante os jovens de C. Maior,  sobre os limites da freguesia de C. Maior com outras freguesias! Desconhece o actual autarca que primeiro de tudo, estão os tombos, e outros documentos oficiais!

 Sobre possíveis mudanças dos nomes ao longo dos tempos, é que deve recorrer a outras fontes. Tem pertinência dizer que, por volta de 1880 ainda não deveria haver as brandas designadas por Travanca e Mosqueiros, pois as brandas de gado que existiam são claramente mencionadas na «Carta Geral do Reino». A folha resultante dos intensos e penosos trabalhos foi publicada na década de 1880 depois de funcionários da «Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do Reino, procederem à triangulação feita já com base nos marcos geodésicos de 2ª ordem, e dos levantamentos topográficos e toponímicos da região da chamada serra de Soajo, antes já virada por batota de influências do poder arcuense, para “Peneda”, em vez de Pedrinho!

 Não me movem malquerenças a Cabana Maior, freguesia aliás onde tenho e tive muitos e bons familiares que, aliás, sempre tiverem relações muito afectuosas com toda a minha família. Para esta freguesia foi de Soajo casar o meu bisavô, Luís Gonçalves Lage, e nela nasceu o meu avô Manuel Gonçalves Lage que nela viveu no século XIX, vindo depois casar a Soajo. São razões da mesma natureza, resultantes de investigações, de interpretações aturadas de várias obras e documentos decisivos, que me levaram a escrever que a freguesia de Soajo, no actual mapa administrativo “oficial”, indevidamente, lhe atribui território no Gião! Mas este território não pertence a Soajo, mas sim a Ermelo!

  Vou-me repetir ao dizer que uma fronteira se faz por «águas vertentes» sempre que é possível estabelecer uma nítida separação das águas precipitadas da atmosfera para um lado e outro das freguesias que confrontam. Através da área geográfica denominada pelos Soajeiros desde tempos muito antigos por «Portela do Mezio» fazem-se as delimitações de Soajo com Cabana Maior até ao «marco de Mosqueiros» sem ser através de «águas vertentes» conforme se diz no tombo de Cabana Maior! Com isto quer dizer-se que dos «marcos divisórios do Mezio» (situados junto da área territorial da mamoa onde subjaz um sepulcro com milhares de anos, há alguns anos protegido com uma vedação, e presentemente também na proximidade da actual unidade hoteleira sobranceira a Vilar do Suente) até à zona do «marco de Mosqueiros» a separação de Soajo com Cabana Maior não se faz, portanto, com recurso às escorrências das águas para cada um dos lados destas duas freguesias! Por análise documental e dedução lógica, o referido «marco de Mosqueiros» não pode deixar de se situar na proximidade da área da actual Travanca/ Fonte das Setes Bicas. Este sítio de «Mosqueiros» não pode ser o da «Branda de Mosqueiros» [que ainda não existia quase cem anos depois da feitura do tombo de C. Maior de 1782] onde existem vários cortelhos (casotas de pastores) que o arqueólogo Jorge Dias fotografou como ficando na «Serra de Soajo»! Esta «branda de gado» denominada “Mosqueiros” usada pelo povo de Soajo, encontra-se numa área onde não é, objectivamente possível, fazer separação natural das águas para cada uma das respectivas encostas das duas freguesias! Pelo que consta no citado tombo de Cabana Maior de 1782 o «Mosqueiros» nele referido tem de ser o que fica junto do poulo, também com cortelhos de pastores, actualmente, em boa parte integrado no chamado parque de campismo da Travanca [também branda de gado inexistente à volta de 1880]. Neste antigo paul (“poulo”) concentravam-se ainda, na primeira metade do século XX, para pernoitar muito gado bovino que obviamente originava muita bosta. Nele existiam, portanto, condições ambientais para serem atraídas muitas moscas! Nesta zona de «Mosqueiros» diz o mencionado documento de inventariação de bens e demarcações de C. Maior, elaborado em 1782, que os limites fronteiriços com Soajo, se fazem, explícita e restritivamente, só, e só, através de «águas vertentes» a partir do «chamado marco de Mosqueiros»! Para o comprovar reproduzo do tombo da freguesia de C. Maior este excerto: «principiando a partir com a Igreja da Vila e Montaria de Soajo na dita Portela do Cavacadouro, continua águas vertentes à Portela do Amerio, e dali ao chamado marco de Mosqueiros, e vai por águas vertentes ao marco de Cima, e deste águas vertentes também ao cabeço de Guedom, e continua por águas vertentes também ao sítio chamado Cerqueiros Doural, daqui por vertentes à pedra da Rompelha e desta vai também por vertentes ao Coto ou cabeça do Outeiro Maior, e por outro nome a Fala onde finda a demarcação com Soajo. E no mesmo sítio principia de partir e limitar com a freguesia de São Salvador de Cabreiro e continua até os Merouços de Bragadela, e Chão da Portela e parte pela Lage Negra e vai ter às Covas do Mezio e ao Carvalho do Brealho onde acaba de partir com Cabreiro e Cistelo. No dito sítio do Carvalho do Brealho principia de partir esta freguesia com a de Gondoriz…». Desta transcrição irei a seguir fazer algumas análises que considero pertinentes e, também apresentar adequadas deduções e conclusões que, são indispensáveis, para se poderem determinar judiciosamente as fronteiras territoriais de Soajo com Cabana Maior:

 1ª – Diz-se no tombo de 1782 que, a confrontação de Soajo com C. Maior, se faz a partir da «Portela do Cavacadouro» (que é local altaneiro de passagem para Boímo) até à «Portela do Amezio» (que parece ser Portela do Mezio) com recurso a «águas vertentes». Repetimos, mais uma vez, que dizendo-se «águas vertentes» quer significar-se que há uma linha natural, separadora dos territórios de Soajo e Cabana Maior, através da escorrências das águas das chuvas e outras, que vertem, naturalmente, para cada um dos lados destas duas freguesias.

2ª – Porém, a partir da «Portela do Amezio», até ao «chamado marco de Mosqueiros», a separação de Cabana Maior com Soajo, já não se faz, e isto deve ser muito realçado, por «águas vertentes»! E isto sucede, uma vez que, dos antiquíssimos «marcos do Mezio» (situados no antigo caminho, em direcção a norte) na relativamente comprida Portela do Mezio, o território sendo de natureza planáltica, com boas rechãs, não permite divisória por «águas vertentes». E ainda por a sua largura e extensão serem relativamente consideráveis! Sabemos que existe sinalização divisória no planalto da Portela do Mezio pelo menos desde 1514! Mas no tombo de Cabana Maior de 1782, não só se deturpou, ao que parece, o nome da portela, como até se omitiu a existência destes marcos, o que é incompreensível! O primeiro tombo de Cabana Maior, incorporado no de São Cosme, nem sequer se refere à Portela do Mezio, nem aos seus marcos! O que se tem como certo é que o caminho por Vilar de Suente e Boímo era uma importante e antiquíssima via de ligação do concelho de Soajo com as várias povoações do concelho de «Vale do Vez», que não marginam o rio Lima!

3ª – A continuação da confrontação fronteiriça a partir do «marco de Mosqueiros» passou a ser feita, novamente, por «águas vertentes», portanto, por território onde fisicamente se separaram de um modo natural, as águas para cada um dos lados das duas freguesias! Esta separação natural de águas só é feita, nos limites aproximados da zona da Travanca, outrora ao que parece ser chamada Mosqueiros. De facto, deste sítio para o «marco de Cima» e, deste para «o cabeço de Guidom», são feitos os limites divisórios, por «águas vertentes», por haver nas encostas condições físicas de as águas se separem e escorrerem nos pendores para ambos os lados, umas para o lado de Soajo, outras para o lado de Cabana Maior! Existem neste percurso, portanto, possibilidades, para serem distribuídas natural e materialmente as águas das chuvas ou das neves para cada uma das vertentes das duas freguesias. Mas, partindo para Guidão, de um suposto marco localizado na soajeira «Branda de Mosqueiros» (situada na proximidade do actual gradeamento das estruturas da «Porta do Mezio») como o território só tem inclinação para um lado, a escorrência das águas é notória, objectiva e fisicamente feita em exclusivo para uma única freguesia – a de Soajo! Esta branda de gados de Mosqueiros estava genuinamente em território de Soajo e encontra-se muito afastada da branda de “Mosqueiros” da actual Travanca! Esta Travanca, nem sequer é nome exclusivo na serra de Soajo, o que até levou a casa florestal pelos extintos Serviços Florestais, a ser denominada por “Casa Florestal de Bouças Donas” dado que existia uma outra com o nome de “Casa Florestal da Travanca”! Há portanto vários Mosqueiros, várias Travancas…

4ª – Travanca é palavra que significa barreira, obstáculo, mas também discussão. Ora popularmente é bem conhecida a questão suscitada pela água da fonte das «sete bicas» situada na área geográfica da Travanca. Esta fonte apesar de estar a debitar água já numa encosta da freguesia de Cabana Maior (mas tida, erradamente, como de Gondoriz), é por rego artificial conduzida para o território de Soajo, numa distância de cerca de duzentos metros! Portanto, só quase na Travanca é que há a impossibilidade, em termos da carta administrativa, da incorporação no território de Soajo do paul (poulo) com cortelhos e do encaixado vale do «rio Grande» (Ázere)! Na proximidade da Travanca, ao que parece considerada antes do conflito sobre a água da «fonte das sete bicas», também «Mosqueiros», é que se consegue virar por «águas vertentes» no sentido do «marco de Cima» e de Guidão como atrás referimos.

5ª – Nunca, mas nunca, o «marco de Mosqueiros» se poderia e poderá localizar na chamada “Branda de Mosqueiros» situada em pleno território da freguesia de Soajo, porque deste local é manifestamente impossível fazer a divisão das freguesias por «águas vertentes» como também atrás foi dito! Portanto, só nas imediações do “portal da Travanca” (quiçá nome usado posteriormente ao tempo do conflito da água das «sete bicas») se pode sair do «marco chamado Mosqueiros» recorrendo ao critério de «águas vertentes»! Mosqueiros, sendo palavra que significa “lugar onde há muitas moscas” bem pode ter sido originado pelo facto de algumas cabanas (cortelhos) dos pastores, feitas depois, ou à volta de 1880, ser zona onde confluíam os gados para pernoitarem, provocando também a acumulação de bostas, geradoras de muitas moscas.

6ª Que «mosqueiros» é nome muito antigo sabe-se não pelo tombo de Soajo de 1795 (que recolheu dados do foral de Soajo, datado de 1514) que não o menciona, mas através do tombo velho de Cabana Maior, emitido em 1541, no qual consta que do «marco do Gião» (não o actual marco geodésico) vai a fronteira com Soajo (concelhio) desde esta marcação até «topar ao marco de Mosqueiros e daí vai ter «à cabeça de Guidão». Portanto, neste tombo não se esclarece se a fronteira se fazia por «águas vertentes» ou se era feita simplesmente por «vertentes» ou por outra forma de delimitar! Também, saliente-se mais uma vez que, neste tombo de 1541, não consta a fronteira através do Mezio, onde já havia marcos em 1514, algo difícil de entender! Porém, o tombo de Cabana de 1782 aborda as fronteiras entre Cabana Maior e Soajo através da «Portela do Amesio» (ao que parece ser a «Portela do Amezio», por semelhança gráfica do z manuscrito com um r)! Mas mesmo assim não se entende o uso, em 1782, de «Amezio» em vez de «Mezio», pois em 1758, também, claramente, é pelo abade de Soajo referido o marco do Mezio como início do território serrano da paróquia de Soajo. Também o eminente humanista e prelado Dom Frei Manuel do Cenáculo que foi, no século de 1700, o primeiro bispo de Beja e, muito mais tarde, arcebispo de Évora, relacionou as principais antas do Mezio, com Soajo, reconhecendo, portanto, o uso do termo Mezio! O Mezio, era pois nome relevante, daí não se entender os vários desacertos no Tombo de Cabana Maior! No entanto é bem notório que houve diferentes formas de delimitar as fronteiras de Cabana Maior com Soajo, através de sinalizações designadas como: «vertentes», «águas vertentes», pedra, marco, e morouços!  

7ª – Outro aspecto que também convém abordar é que na chamada «Branda de Mosqueiros», só de Soajo, não existe marco algum, mas umas simples cruzes numa padieira de um cortelho, que é sinalização bem diferente!

Era, pois, habitual, no século XVIII, distinguir as diferentes sinalizações nos tombos como se pode ver por exemplo no tombo de Gondoriz de 1708, onde constam as delimitações desta antiga paróquia com as de Cabana Maior e Cabreiro! Por outro lado o cortelho, com marcas na padieira, se fosse referência para apartar territórios, não teria entrada, provavelmente, por uma "suposta" área de Soajo, e a restante num hipotético território de Cabana Maior! Não é crível que fosse deste modo estabelecida a fronteira de freguesias. Ainda, convém dizer que este cortelho está bastante fora do caminho que vai para as «Chãs dos Terreiros» e «Entre-Outeiros», o que torna, ainda mais problemática, a sua aceitação, pois noutros sítios os marcos ladeiam os caminhos! Mas outra razão desfavorável para ser fronteira é que a escassos metros do cortelho para poente corre um pequeno regato (corga) que vai confluir noutro que também verte exclusivamente para Soajo, vindo do lado da Travanca. Outro aspecto a considerar é que estas marcas podem ter outras causas. Um exemplo, é uma marca, muito recente, por estar ainda totalmente esbranquiçada, que foi picada neste Julho de 2016, feita numa curvatura de um penedo com reentrância que dobra para um pequeno tecto de uma lapinha! Esta fica ao lado do caminho quase junto do riacho, mas algo para nascente deste e do lado direito do mesmo caminho para os “Terreiros”, antes de se atingir o sitio do caminho onde se pode começar a subir para ver o cortelho da padieira com cruzes, alcançado apenas depois de se sair para a esquerda e subindo cerca de oitenta metros. A amplitude do novo sulco no penedo do caminho tem cerca de três centímetros de largura! Quem foi que mandou fazer esta sinalização e com que objectivo?

Portanto, na posição em que está o cortelho, não sabemos qual a motivação desta marcação! Foi feita numa altura próxima da controvérsia com o actual presidente de junta, no evento anual do Mezio!

Quanto às cruzes, antigas ou não,  não sabemos se foram cravadas na padieira do cortelho da Branda pelo facto de haver na zona muitas faíscas de trovões, causando grandes temores. Numa padieira de um cortelho onde pernoitavam pastores poderia alguém implorar protecção divina. Na parte sobranceira a esta Branda há de facto muitos vestígios nos penedos, provocadas pelas faíscas dos fortes trovões, o que, pela proximidade, suscitariam enormes pavores! Neste sentido, cabe também perguntar onde usaram as cruzes nos outros sítios referidos no tombo de 1782, em que confinam com Soajo? As cruzes estão numa padieira de um cortelho da Branda de Mosqueiros, mas no tombo não referem nem cortelho, nem padieira, nem cruzes, mas apenas «MARCO CHAMADO DE MOSQUEIROS», que é, fisicamente, um objecto separador, bem diferente!

MUITO IMPORTANTE É REFERIR QUE A «CARTA GERAL DO REINO» QUE FOI MAIS TARDE DESIGNADA POR «CARTA COROGRÁFICA DE PORTUGAL» ELABORADA NA ESCALA DE 1:100 000 DIZ-NOS QUE POR VOLTA DE 1880 AINDA NÃO HAVIA A BRANDA DE GADO DE MOSQUEIROS, POIS NÃO É MENCIONADA, COMO ACONTECEU COM AS QUE JÁ EXISTIAM! Também se fala no tombo «marco de Cima», mas onde está o marco? É um “Penedo” ou uma “Pedra” , pois  até neste tombo escreveram «pedra da Rompelha»?!  No tombo vem só “marco”!

Os autarcas de Cabana Maior falam numa «Laje das Cruzes», no Gião! Mas no tombo desta última freguesia não se refere esta marcação no Gião, mas apenas  se refere, um simples “marco”!

 No tombo de Soajo consta, de facto, esta designação, mas não no Gião! Situa-se no caminho, junto do rio Lima, onde confinava o antigo concelho de Soajo com «Gração» do concelho de Valdevez! E a «LAJE DAS CRUZES» está lá, e é de facto uma laje, e com mais de 15 cruzes, pois o «MOSTEIRO DE ERMELO» foi «COUTO» demarcado por «pedrões» (ou padrões) e esteve integrado no Julgado de Soajo  desde os primórdios da fundação de Portugal, e como tal os frades teriam preferência por uma marcação deste tipo na principal via de acesso ao Mosteiro e a Soajo!

 No marco do Mezio, onde chegava Ermelo, fala-se num marco, e ele está no sítio compatível, porém, sem qualquer cruz! Também não se conhece nenhuma cruz na “Laje Negra” situada na zona dos Bicos tida no tombo de Cabana Maior como zona onde limita com Cabreiro. Mas o tombo de Cabreiro de 1795, não reconhece esta confrontação pela “Laje Negra” ou outra na zona dos “Alto dos Bicos”!

Muito insólito, muito anormal, muito incrível, é o tombo de Cabana Maior, de 1782!

Alertamos a Junta de Soajo e/ou a Comissão de Compartes dos Baldios para averiguarem quem colocou no caminho, junto à Branda de Mosqueiros, o novo sinal, e se houve ou não, intenção dolosa!

(continua)

Devido a um comentário em «soajoemnoticia.blogs.sapo.pt»

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A referência a sinais rodoviários em que pediram intervenção para limpeza, dizem respeito ao das placas que têm «ALDEIAS DE PORTUGAL», com «SOAJO», por baixo! Para "medíocre" entendedor não é preciso mais para se perceber, ainda, por cima, no contexto em que foram colocadas. Pretendem despromover, em termos de propaganda enganosa, Soajo! Para tirarmos a VILA DE SOAJO, da situação em que estava, tivemos muito e muito trabalho e muitas lutas políticas...A Vila do Gerês só tem cerca de vinte anos e os seus habitantes orgulham-se da sua promoção. A de Soajo é antiquíssima e é preciso que sintamos também muita honra em a termos enquadrada na sua qualificação multissecular! A vila de Soajo tem muitos mais valores materiais e imateriais do que a do Gerês. Não se queiram comparar os investimentos em edifícios urbanos e em propriedades rústicas na vila Soajo, com os do Gerês! Em Soajo são muito e muito superiores! O património imaterial de Soajo, em termos de concelho, de julgado, de real parque da natureza multissecular, de população residente, etc., ao longo dos séculos, é incomparavelmente superior ao da Vila do Gerês! Quando me refiro a não existirem placas "identificativas" nas entradas das vilas da Barca, Arcos e Ponte de Lima, evidentemente, que são as relativas às "Aldeias de Portugal" seguidas pelos nomes destas vilas! Se há centenas de vilas em Portugal, aldeias há milhares! Diferenciar a vila de Soajo pela positiva, colocando-a no grupo, no patamar, na divisão das terras mais categorizadas, é uma elementar regra de marketing! Prestigiar Soajo é a atitude correcta e mais sensata...Se existe uma serra em Portugal, há muitos séculos, em que entra o nome Soajo, então deveremos preservá-lo e defendê-lo custe o que custar, como escreveu em 2000, um antigo acérrimo defensor de Soajo, mas que desertou...! E quando se trata de um nome de uma das mais importantes serras de Portugal o esforço deve ser ainda maior! Se a serra de Soajo tem em Portugal o maior número de montanhas com altitudes superiores a 1200 metros, mais importância relativa possui! Quanto ao comentário relativo ao dito de que o Gerês e a Peneda não são a «nossa terra» referia-me, evidentemente, ao facto de não serem a nossa serra, porque uma, além do erro do nome, tem a ver com Sistelo, e a outra fica sobretudo para sudeste da serra Amarela! Placas identificativas de trilhos pela serra de Soajo, sim, para publicitar erros e mentiras, não queremos! Sabemos que "Marias" há muitas, mas "Peneda" há também algumas, porém precisamos de saber quem são! Veja-se a revista «TimeOut», do Porto, de Julho de 2017, e ficamos a saber que o chamado Poço Negro, em Soajo, e a «cascata da Peneda», junto do Santuário, ficam no Gerês! Para o poder municipal de Arcos de Valdevez, tudo é “Arcos de Valdevez onde Portugal se fez”! Para os meios de comunicação social quase tudo é Gerês! Para o poder de C. Maior o "Grande Mezio Maior" seria quase todo de Cabana Maior! Para a freguesia de Soajo restariam as rampas das «vertentes» para o lado de Soajo! Ambição para "colonização" não lhe falta! O actual presidente da Junta de Soajo quase sempre deixa correr! Embora seja boa pessoa e pessoa bem-educada não tem exercido o cargo para governar a sua "vidinha"! Ao contrário do que escreveu sobre o seu antecessor! Este não tem vergonha de voltar a candidatar-se para continuar a "vender" Soajo aos retalhos! A questão da Porta do Mezio estar ilegalmente como sendo de Cabana Maior deve-se a ele, que em cumplicidade com Francisco Araújo, muito prejudicaram Soajo. Ainda pretenderá "vender" mais Soajo?! Mas presidentes de Junta que não governem Soajo devidamente, mas que se governam e tratem, fundamentalmente da sua"vidinha" não interessam. Dedicarem-se a assuntos de regos, cemitérios, caminhos e caminhitos é muito pouco, para retirar Soajo, do desconhecimento, em Portugal. Ministros que vem à parte do Mezio, que é de Soajo, onde estão as instalações da porta do parque nacional, como aconteceu hoje, 30 de Junho, e não sabem que visitam território de Soajo, é algo que nos envergonha como SOAJEIROS! Ao que parece só quando percorrem mais sete Km a partir do Mezio é que visitam Soajo! Dizem que quem comanda, é quem "vende" café torrado e moído... Será verdade?! O presidente de Soajo dorme?

 

                                 Serra de Soajo, a norte do Lima, em Julho de 2017

                                                                       Jorge Lage

«ACERCA DO POVOAMENTO NA SERRA DE SOAJO», E O PÁROCO DA GAVIEIRA E CASTRO!

 

 

 

 Este seria o verdadeiro título [o referido entre aspas], em vez de um outro usado, com o nome da serra aldrabado, num trabalho de Isabel Medeiros, na altura ligada ao Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Foi este trabalho também publicado num boletim do «G.E.P.A.». Mostra bem esta geógrafa que no aspecto do nome da serra nada investigou. Seguiu a incorrecta corrente do suíço que o seu professor, Orlando Ribeiro, aluno de Silva Teles, continuou na Universidade de Lisboa, ao afirmar que a «Serra de Soajo» se situava a sul do Lima, e a norte deste rio, usou outro nome [Peneda] para substituir o de Serra de Soajo! Aliás, em contacto telefónico estabelecido teve a gentileza e a franqueza de me informar que em termos de toponímia nada investigou. O que escreveu nesta publicação é aqui citado parcialmente: «a Serra da Peneda constitui vigoroso soco granítico com cimos aplanados e uma área aproximada de 35 000 ha, no âmbito administrativo dos concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço e parte do de Monção». A propósito do nome da serra, em pé de página, procurou Isabel Medeiros esclarecer que na «Serra da Peneda» se incluem a «serra de Soajo e os Montes de Laboreiro» conforme escreveu o Padre M. A. Bernardo Pintor, em 1977, em «Recontro de Val-de-Vez. Onde foi?». Porém, não foi exactamente isto, o que escreveu o Reverendo Pintor, pelo que Isabel Medeiros não só errou como deturpou! O que disse este probo investigador foi que em «recuados tempos» quase toda a serra foi designada por «Montes de Laboreiro», mas que não conseguia explicar foi como passou o nome da serra para Peneda. Ainda, Pintor escreveu que, no presente, o nome da serra «não é uniforme porque uns chamam-lhe Peneda outros Soajo, havendo quem distinga as duas. Para efeitos dos serviços do Estado a serra e arredores tem o nome de Núcleo Orográfico de Soajo na organização dos Serviços Florestais, mas já esta serra é parte integrante do Parque Nacional Peneda-Gerês.» Por tudo isto se vê que Isabel Medeiros foi parcial, tendenciosa e cometeu inexactidões! Claro que o nome geral da serra em Portugal nunca foi Montes de Laboreiro, e se anda grande confusão sobre o nome da serra, tal deve-se sobretudo às aldrabices do suíço Paulo Choffat que com tão intensa «peste Amarela», tornou moribundo o nome «Serra de Soajo», ao ter esta designação viajado para o espaço territorial da «Serra Amarela»!

O actual pároco da Gavieira, Lamas do Mouro e Castro Laboreiro talvez contaminado pela “peste Amarela” diz que é um «absurdo do Jorge Lage» designar a serra, onde também está situado o Santuário de Nossa Senhora das Neves, na aldeia da Peneda, por «SERRA DE SOAJO»! Julga o jovem padre que só há uma “Maria na aldeia”! Desconhece como sítio notável, a falsa “Peneda”, onde se localiza o marco geodésico de 1ª ordem, na montanha do Pedrinho, freguesia de Sistelo! “Peneda” esta, aliás, referida no Anexo ao Decreto nº 187/71 que trata das delimitações do território do Parque Nacional, onde consta o «Alto da Peneda» em vez de «Alto do Pedrinho», localização que nada tem a ver com o “vale da Peneda”, onde se situa o admirável Santuário! Bem me lembro da expressão popular, “ALTO DO PEDRINHO» como sinónima de «MONTANHA DO PEDRINHO»!

 Mas confundiram, intencionalmente, a «MONTANHA DO PEDRINHO», com uma suposta “Montanha da Peneda”, e a «SERRA AMARELA» com a «SERRA DE SOAJO», porque mentindo conseguiriam, supostamente, alcançar o objectivo da destruição de um nome com tantos e tantos séculos!

 Estes elementos talvez façam com que o “sapientíssimo” e reverendo clérigo, com jurisdição eclesiástica, na actualidade, no Santuário da Peneda, deixe de usar o termo «absurdo», em assuntos que desconhecia! De facto, as “Escrituras Orográficas”, multisseculares, não consentem que sustente tamanho disparate sobre o nome científico da serra! Desde os primórdios de Portugal que os «Monteiros de Soajo» eram destacados também pela importância, dos «MONTES DE SOAJO» e dos «CÃES SABUJOS», DA SERRA DE SOAJO!

                       Serra de Soajo, “do lado norte do rio Lima”, em Junho de 2017

                                                                                          Jorge Ferraz Lage