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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

CÃO DE SOAJO, SIM! CÃO DE CASTRO LABOREIRO, NÃO!

 

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O  CÃO DA RAÇA SABUJO, EM 21/12/1907, CAÇAVA COM O REI D. CARLOS, MAS EM 1935, NÃO FOI INCLUÍDO NO GRUPO DE CÃES DE CAÇA, SÓ O FOI NO GRUPO DE CÃES DE GADO ! SENDO POLIVALENTE TIVERAM DE FAZER A  OPÇÃO DE O POSICIONAR  NUM DOS GRUPOS.

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NA IMAGEM SEGUINTE O VALENTE E GRANDE CÃO DE CAÇA GROSSA - O SABUJO - DESIGNAÇÃO USADA NA LINGUAGEM DOS SOAJEIROS, DESDE REMOTOS TEMPOS:

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Como se nota este grande sabujo negro, ao que parece para o "Tretas", é muito parecido com o podengo que nos anos de 1960 predominava em Soajo para a caça dos coelhos...

 

 Segue o texto

Acusa-me Rodrigues, ainda, de manipular o que considerou ser «uma importante fonte documental», e feita de uma forma «dolosa e sem escrúpulos». Exclamo, é um coitadinho!...

À falta de argumentos essenciais obstinou-se a uma secundaríssima informação documental para tentar persuadir que eu a viciei, e que ele é uma pessoa credível!

Tendo eu lido na Biblioteca Nacional que um cão (sabujo) com o nome “Soajo”, participara na exposição, sugeri a Rodrigues quando me contactou que se tivesse dúvidas do que eu dizia, devia ir lá, para confirmar o facto!

Como nunca foi ver ou se foi não o quis dizer, quando eu tive oportunidade voltei à Biblioteca Nacional e verifiquei que não foi apenas em uma exposição, mas pelo menos em três! Tanto alarido, para dizer que manipulei com má-fé uma informação cujo significado reputo de relativa pouca importância! Enganei-me no ano, é certo, mas Rodrigues, também tem no seu artigo uma data errada em trinta anos, como atrás referi, embora o conteúdo seja verdadeiro! Comigo, sucedeu precisamente o mesmo, pois também o engano foi só no ano, porque com verdade absoluta o cão (sabujo) tinha o nome “Suajo”! Que era um animal de raça «sabujo» basta recorrer mais uma vez ás palavras autorizadas do Padre Aníbal Rodrigues ou às do Prof. Manuel Fernandes Marques, ou à obra do Padre Carvalho da Costa, ou ainda, a toda a documentação oficial certificada pelas assinaturas dos máximos dirigentes da monarquia portuguesa ao longo dos séculos! Como se apercebem não se deve dar o mínimo crédito às lérias do mentiroso Rodrigues, pois elas não passam de imaginações reles, de disparates, para tentar denegar o passado, mais recente ou mais remoto, do notável e famoso cão Sabujo da serra de Soajo. As afirmações fidedignas que, tão bem e com tanta clareza, estão expostas nas chancelarias de sucessivos reis de Portugal não permitem a Rodrigues mentir sem que possa ser qualificado como um grande ALDRABÃO!         É possível que, se em 1908, não houve nenhum exemplar da raça canina minhota que participasse na exposição internacional de Lisboa, talvez se deva essa falta ao facto de não pedirem directamente aos soajeiros, ou aos gavieiros, ou aos castrejos, para participarem com alguns exemplares sabujos. Se há a certeza que no ano de 1908, eles existiam em lugares destas freguesias, então se não houve participações talvez se deva a não existirem ou existirem poucos no centro e sul. O Clube dos Caçadores Portugueses embora fosse instituição reconhecida oficialmente não tinha ainda, em 1908, uma Secção de Canicultura, pois só em 1931 é que foi criada. Claro que não admira que sócios caçadores, sem preparação suficiente sobre o conhecimento histórico das raças caninas portuguesas, cometessem muitas asneiras! Mesmo em 1935 se constatou que retórica falsa já existia sobre o sabujo do maciço serrano do Soajo, senão, o Professor Manuel Marques, não diria que «Cão de Suajo» era nome errado ou impróprio! Errado, errado, foi o nome que escreveu embora lhe atribuísse uns resquícios da história contida no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Lamentavelmente foi serôdia a criação do Clube Português de Canicultura, em 1955, por despacho ministerial, quando já estavam generalizados erros crassos! É defeito inaceitável que merece ser reparado para que a raça readquira o seu prestigiado passado histórico. Aceitar os disparates que Rodrigues propala na Internet sobre a histórica raça é reforçar ainda mais a ignorância, o desconhecimento e a cultura da mentira.

Editou, em 2014, o Clube Português de Canicultura um livro que na capa mostra o rei D. Carlos, no ano de 1907, com a sua matilha de caça grossa na Tapada de Mafra, e nesta é bem visível o sabujo da serra de Soajo! Mas, Rodrigues, escreveu, aldrabando, que o cão dito falsamente de “Castro” não é de caça grossa! Que aldrabice desmentida pela foto! Observou, ainda, no seu artigo que embora ausente, fisicamente, na exposição de 1908, foi nela admitido só na «secção de cães de guarda e defesa»! Escreveu o mentiroso Rodrigues «que em 1908, Sabujo em Portugal, era uma figura de retórica», ignorando que a palavra “sabujo” significa cão de caça grossa! Sabujo, emprega-se no léxico português, por vezes, para depreciar alguém, dizendo-se vulgarmente «é um sabujo», que é o mesmo que dizer «é um cão» e não para significar “é um porco”! Mas para o rei D. Carlos não foi mero palavreado depreciativo, nem para as outras personalidades que, no século XX, o consideraram como cão sabujo! Se um dos objectivos da Exposição de 1908 era a elaboração do Livro Genealógico dos Cães Peninsulares, nesse ano faltou a escrita de Rodrigues, para mentirosamente falar sobre a genealogia da raça da ampla serra de Soajo donde saíam os valentes «CINCO SABUJOS» em cada ano! Rodrigues, neste ano, ainda não existia para aldrabar sobre um âmbito geográfico do solar do sabujo, limitado ao redil da “tapada que murou” no século XXI, nas vizinhanças da sua aldeia.

Rodrigues tem o supino DESCARAMENTO, a atrevida ousadia, a insensata coragem, a espantosa objecção, para incrivelmente tentar desvirtuar ainda mais a raça canina das montanhas da extensa Serra de Soajo! De facto atreveu-se a DESAFIAR-ME, publicamente, leiam bem, para apresentar «UMA PROVA DOCUMENTAL DA ENTREGA DOS SABUJOS AO REI»!

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Como é possível esta leviandade, depois de andar a interpretar o que está contido no FORAL DE SOAJO de 1514, de que os cães não eram entregues anualmente, mas apenas, ocasionalmente! É que já por meados da primeira década de 2000 tinha sido advertido, verbalmente, da disparatada interpretação! O seu objectivo, tem sido tentar destroçar a todo o custo o “CÃO SABUJO DE SOAJO”, procurando meios inacreditáveis, como mentir descaradamente! Ora sabendo  que em pleno século dezanove, até ao ano de 1832 (fim da lei do foral de Soajo), se entregaram «CINCO SABUJOS» aos reis, embora ignorasse que as confirmações dos privilégios foram condicionadas à remessa dos «cinco sabujos», como é possível que o mentiroso ponha em causa o envio e a recepção dos sabujos! Quão reles é este castrejo que tontamente não sabe que uma «carta de foral» e as «cartas de confirmações» tinham força de lei! Alguém pode dar o mínimo crédito a este incompetente e aldrabão castrejo?

 Também, de facto, Rodrigues se arrojou, vejam bem, a CONTESTAR a entrega dos cães como OBRIGATÓRIA! No Foral de Soajo determinava-se que os moradores da terra e concelho de Soajo eram «OBRIGADOS» a entregar, anualmente, cinco sabujos! Perante isto, como pode escrever tamanho despropósito?! Sabe-se que por normas jurídicas contidas no código de leis – Ordenações - quando houvesse divergências entre os conteúdos constantes num Foral e as leis do país, prevaleciam os conteúdos prescritos no Foral! Mas Rodrigues considera os comandos dum Foral como um corpo de “sugestões”, sem carácter obrigatório e coactivo! A «pena do foral» para determinar os castigos legais nos concelhos a quem incumprisse o estabelecido nas cartas de foral é para Rodrigues uma figura decorativa ou de retórica! Coitadinho...

 Rodrigues teve o desplante de tentar contrariar que a obrigatoriedade do envio de sabujos não foi como escrevi - «durante séculos a fio, obrigatoriamente desde 1514 a 1832» - quando até mais amplamente se enviavam antes da emissão do foral de 1514 como atrás se demonstrou! Escreveu que isto é «uma opinião fantasiosa»! Quem diz que, perante uma matéria de facto do período de vigência do foral manuelino não passa de uma mera “opinião”, e ainda por cima, que é “fantasiosa”, o mínimo que se pode dizer é que Rodrigues não se coíbe de publicamente mostrar que é um requintado mestre em intrujices! Pretendeu Rodrigues, portanto, pôr em causa não só a obrigatoriedade do envio dos sabujos, mas também a periodicidade de ano a ano, e, ainda, a duração de séculos dos envios! Relembramos a Rodrigues que, antes do Foral de Soajo de 1514, já os sabujos eram enviados, como testemunharam o juiz Martim Afonso, o vereador Gonçalo Gonçalves, e outros homens-bons, em documento anterior ao foral e, sendo na circunstância juramentados transmitiram para a eternidade que antes de assinarem o documento para a feitura do foral de 1514 já os moradores de Soajo pagavam ao rei com sabujos, em cada ano, como aliás de depreende através de outros documentos! Tome nota Rodrigues, ainda mais uma vez, para intrujar menos, que em 26 de Junho de 1716, El-Rei Dom João V, em documentos relativos a confirmações de privilégios de Soajo que assinou, e que foram autenticados com o seu selo, continuou a ordenar que o privilégio de 1396, em que constam os sabujos fosse cumprido. De igual modo, sobre o privilégio de 1401, D. João V continuou a mandar e defender a protecção dos CÃES DE SOAJO - os SABUJOS - , e determinou às justiças e oficiais do reino que acatassem também esta suas decisões! Porém, repetimos, estes «privilégios, isenções e liberdades» foram confirmados também por D. João V, em 1716, sob esta condição: «Com declaração que me darão todos os anos cinco sabujos e com todos os mais conteúdos no foral do dito concelho»! Para que não se suscitassem dúvidas ou desconhecimento de que os privilégios foram confirmados nestes termos, mandou o rei que eles fossem registados «nos livros da Câmara da Vila de Soajo» e, assentados também nos livros de Mercês da sua chancelaria, em 1716! Com tudo isto, agora mais desenvolvido e justificado, não devem deitar-se todas as intrujices de Rodrigues para o caixote de lixo? Outra coisa não se deve fazer para colocar as suas autênticas alucinações no devido lugar, pois mesmo assim continua, através da Internet, a pedir-me provas de que do concelho de Soajo se enviavam sabujos para os reis! E teve o descaramento de me «desafiar a que apresente pelo menos uma prova documental da entrega dos cães ao rei»! Considerou ainda, pasmem, que É UMA OPINIÃO FANTASIOSA EU TER ESCRITO: «que durante séculos a fio, obrigatoriamente desde 1514 até 1832», os soajeiros “pagavam” aos reis com sabujos!

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Que mais DESTEMPEROS se podem esperar de um “LATOSO” de ridículas imaginações? É, um puro coitadinho, em matérias do conhecimento histórico do cão da serra de SOAJO!…

 Rodrigues acusa-me de não ter «desempoeirado um único documento da Montaria Mor do Reino»! O grandíssimo mentiroso já foi desafiado por mim, meses atrás, para me fazer uma proposta pelo valor monetário que quisesse! Se tem a certeza absoluta do que me acusa, por que não faz uma proposta? A sua afirmação não passa de una outra clamorosa aldrabice! Felizmente que tenho em minha posse o documento da minha consulta na Torre do Tombo ao dito arquivo, que foi feita durante a primeira década de 2000! Mas volto de novo a desafiá-lo para que aproveite a oportunidade de avançar, para poder perder a aposta! Terá coragem o mentiroso?

         

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 ESTE  É O DOCUMENTO QUE PROVA QUE A ACUSAÇÃO DO "MENTIROSO" FOI ALDRABONA E INJUSTA!

Rodrigues diz que ignorei os «inúmeros registos históricos de Castro Laboreiro, anteriores a Manuel Marques ou a Camilo Castelo Branco». Inúmeros registos, isto é, imensos registos, sobre os cães anteriores às duas linhas do romanceado em “A Brasileira de Prazins”, obra apenas editada em 1882?!

Que fantasia de quem escreveu no “Notícias dos Arcos”, no inicio do seu artigo, de que não ia desfiar «os parcos dados monográficos» do cão, que diz, aldrabando, ser só da sua terra! Dizer que são “parcos” é o mesmo que dizer que são “sóbrios ou poucos”, mas tem a desfaçatez de afirmar que ignorei os incontáveis, os muitos, os inúmeros documentos! Que incoerência, que disparate, pois só apresentou publicamente um ou dois, e apesar disto, tem-nos como se fossem imensos documentos! A narrativa sobre o cão, escrita por Camilo, eu li-a na década que começou em 2001! O fantasiado e ficcionado “cão gigante” da autoria de Arnaldo Gama foi Rodrigues que o apresentou, mas parece que alguém lho forneceu para tentar «desenvencilhar as confusões disfarçadas com pretensa roupagem histórica e travar uma enfiada de incongruências sem fundamento» que foram “publicadas por Jorge Lage”! Só com muita piedade se podem aceitar estes disparates de quem recorre a meios sem a mínima objectividade, sem a devida consciência lúcida, sem segurança, só com o propósito de iludir! A mesma pessoa que admite como axioma, isto é, como algo que não carece de ser provado, quer no que respeita ao nome, quer quanto ao solar do cão, dispensa-se de apresentar documentos demonstrativos que os provem ao longo dos séculos, mas vem com tanta acidez pedir-me para não ignorar os documentos que sabe que não existem sobre o cão a viver só em Castro Laboreiro! Para provar os erros, as asneiras que Rodrigues escreveu, é que de facto existem muitos documentos! Mas Rodrigues não gostaria que eu os apresentasse, para não demonstrar que é um inventor de aldrabices

Rodrigues sabe muito bem que instituições e pessoas, depois das divulgações erradas do nome e solar do cão, feitas sobretudo a partir de 1935, mais não fizeram do que as reproduzir gradual e sucessivamente. Depois da extinção da Montaria de Soajo, em 1821, ficou devassada a anterior área protegida, pelo que os animais de caça grossa e as matas mais ficaram à mercê dos fogos e dos caçadores, fazendo com que mais rareasse a caça grossa. Os sabujos passaram, perante estas novas circunstâncias, a interessar mais «como grandes e valentes cães de guarda e defesa de gados», face aos ataques dos lobos! A tendência que vinha já do século dezoito acentuou-se ainda mais com o desaparecimento, em 1821, do quadro institucional multissecular do Antigo Regime, pelo que a ancestral actividade de caçador ficou à deriva e sem a devida fiscalização. Cada vez mais se acentuou o interesse pelo cultivo do milho e pela complementar criação de gado bovino e miúdo em Soajo. A criação de ovinos e caprinos exigiu aos pastores maiores cuidados pois a diminuição de alguns animais selvagens, de que se alimentavam sobretudo os lobos, desviou as feras ainda mais para a procura dos gados. A intensa caça dirigida ao lobo cerval (lince), foi declarada em 1890, ao silvicultor e notável naturalista Adolfo Moller (em 1863 nomeado Administrador Geral das Matas do Reino, cargo que substituiu o extinto Monteiro Mor do Reino) que pela direcção do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra foi incumbido de fazer uma exploração botânica à SERRA DE SOAJO! Embora fosse este o propósito da viagem, conforme escreveu, aproveitou, no entanto, o ensejo de discorrer também sobre a fauna. Disse ter sido motivado pelos contactos que mantinha com o Museu Zoológico da Universidade de Coimbra. Em Junho e Julho de 1890 esteve Moller em diversos locais da «serra do Soajo», mas só em 1894, publicou na obra científica (lançada no Porto por Augusto Nobre, irmão do poeta António Nobre) «Anais de Ciências Naturais», existente na biblioteca do edifício da reitoria da Universidade do Porto, um trabalho intitulado «Notas sobre a fauna da serra do Soajo» para ampliar o que escrevera em 1890! De facto neste ano numa publicação do Porto, «JORNAL DE HORTICULTURA PRÁTICA», propriedade de José Marques Loureiro, enviou do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, sob o título «UMA EXCURSÃO À SERRA DO SOAJO EM JUNHO DE 1890» um texto de sete páginas, descrevendo pormenorizadamente o que observou nesta serra. Para aqueles que andam a aldrabar o verdadeiro nome da serra têm nestes textos elaborados por quem esteve ligado à única Universidade de Portugal o ensejo de constatar que a serra da Amarela e a serra do Gerês abordadas nos textos não foram confundidas com a SERRA DO SOAJO! Entre os rios Lima, Minho e Vez, descreveu desde Arcos de Valdevez até às proximidades de Melgaço assuntos de ciências naturais totalmente enquadrados numa única serra: a Serra do Soajo! Assim, Bordense (Bordença), Adrão, Miradouro, Tibo, Rouças, Gavieira, Baleiral (?), Peneda (lugar), Outeiro Maior, Peneda (nome errado do local da pirâmide geodésica em Cabreiro/Sistelo), Bouças (Bouça dos Homens), Portela do Lagarto, Lamas do Mouro, Alcobaça, e outras áreas da serra de Soajo, incluindo esta área que cito do seu texto: «se prolonga até poucos quilómetros de distância de Melgaço. A 10 Kms desta vila, (…) ainda há uma cota de 1236 metros»! Do lugar da Peneda onde esteve pelo menos sete dias partia com guia deste «pequeno lugar» para outros sítios da «serra de Soajo» a que regressava à noite. Sobre o lugar da Peneda, que considerou na serra de Soajo, escreveu: «Este local é muito agradável, o ar puro e a água deliciosa. Achei-o superior em beleza ao das Caldas do Gerez»! Como se constata o nome da serra não fora falseado por Adolfo Moller com base no que escrevera com várias falsidades o capitão Gerardo Pery, em 1875, em “Geografia e Estatística do Reino de Portugal”. Seguiu, portanto, Moller a denominação dos muitos séculos anteriores! Com estas notas, não é «um absurdo do Jorge Lage» situar o Santuário da Peneda na serra de Soajo, como ousou dizer alguém que presta assistência espiritual nos tempos actuais (2015) nesta interessante terra, e pelos lados de Castro Laboreiro! Antes dos disparates e mesmo depois, tantos e tantos escritores, instituições e intelectuais como, Link, Adriano Balbi, Nunes de Leão, Oliveira Martins, Leite de Vasconcelos, Edmundo Bettencourt, Adolfo Moler, Raul Proença, H. Lautensach, Carlos Teixeira, Pedro Homem de Melo, Tomás de Figueiredo, Lello e Irmão, e muitíssimos outros autores, etc., afirmaram categoricamente a vernácula e antiquíssima identidade: Serra de Soajo! Paulo Choffat, Silva Teles, Fortunato de Almeida, Damião Peres, Amorim Girão, António Matoso e outros copiadores de aldrabices é que não respeitaram o ancestral nome da serra dizendo ser sinónimo da serra Amarela! Foram o lugar da Peneda, e a "Peneda da  Castelo do Pedrinho", situados portanto na SERRA DE SOAJO, do nome multissecular, de onde os SABUJOS partiam para os monarcas de Portugal! Várias obras de características histórico-geográficas publicadas, e não meros romances, expõem sobre assuntos de Soajo, e revelam um grande interesse pelos cães sabujos, na segunda metade do século XIX e princípios do XX, com a função de guarda de cachenas!

As cachenas, ovelhas e cabras da serra de Soajo puderam no tempo da Real Montaria passar a fronteira para serem comercializadas na Galiza pelos monteiros-guardas, por privilégio obtido no tempo de D. Afonso V, no ano 1459. As leis de Portugal contidas nas Ordenações proibiam negociações de gados para Espanha e prescreviam gravosas penas e castigos a quem as não cumprisse. Ao que parece, só os oficiais monteiros de Soajo, em Portugal, é que gozavam dessa possibilidade. Também devido a esta benesse eram os oficiais monteiros mais privilegiados do que os restantes moradores de Soajo. Este privilégio e outros subsistiram até à extinção da Real Montaria de Soajo ocorrida em 1821. Os oficiais da Real Montaria de Soajo podiam vender gados na Galiza mas apenas os por eles criados. Este privilégio durou desde o século XV ao século XIX, e desde que não vivessem outras pessoas com os monteiros, a fim de se evitarem oportunismos!

Do nome e características das vacas cachenas logrou conhecimento no país vizinho, o sábio Leite de Vasconcelos que visitou a serra de Soajo em 1882, subindo desde a vila de Soajo até ao Santuário da Peneda, regressando pelo planalto da Seida com o arqueólogo vimaranense Martins Sarmento para observarem as construções dolménicas que, em 1910, viriam a ganhar com outras situadas noutros sítios da serra o estatuto de monumento nacional com a designação de “Antas da Serra de Soajo”! das defesa dos diversos tipos de gado. Anteriormente foram os sabujos mais referidos nos seus usos ao serviço dos oficiais monteiros e no envio obrigatório aos reis! Só, mais tardiamente, uma outra valência do cão sabujo foi bastante realçada, pois quanto mais subiam os gados para as pastagens de maiores altitudes mais necessários se revelavam os velhos sabujos sobretudo para a guarda e defesa do gado caprino, dado ser este sempre mais débil aos ataques dos lobos do que as resistentes vacas cachenas.  Anos mais tarde, Leite de Vasconcelos, ouviu alusões do gado de pequeno porte de “Soaxo” (Soajo) nas conferências realizadas em Orense/Galiza! Na serra de Soajo não havia apenas uma singular raça canina, mas também uma raça autóctone de gado bovino que também desviaram, nominalmente, para uma serra de nome aldrabado, sobretudo pelas asneiras iniciadas por G. Pery e Paulo Choffat, que mais parecem “encomendadas”!

Rodrigues, tenta confundir e obstaculizar para que o cão da Serra de Soajo, recupere toda a sua importantíssima carga histórica, como cão ao serviço dos pastores desta serra, dos oficiais monteiros de Portugal, dos Reis de Portugal, e de ser a causa dos habitantes, de um relativo extenso concelho que compreendia os territórios de Ermelo, Gavieira e Soajo, gozarem de isenções de impostos, de liberdades e privilégios ímpares! Insinua, Rodrigues, que se colocaria o problema de retirar o cão do Grupo 2 , onde a Federação Cinológica Internacional o posicionou, por influência de Manuel Marques que ao adoptar, como atrás dissemos, o mesmo figurino do “serra-da-estrela”, apenas o considerou como cão de guarda e pastorícia, e não como sabujo! Porém, o que está em causa, fundamentalmente, é pôr o nome do cão, e todo o seu solar, de acordo com o seu riquíssimo passado histórico, para que os conhecimentos científicos assentem nos pilares da verdade, em vez de, erros e omissões, lhe servirem de suporte tão frágil! Mas perante tão verdadeiro e interessante historial, não é inteiramente verdade dizer que o sabujo - “Cão da serra de Soajo”- foi o mais preferido “Cão dos Reis de Portugal”?

 Foram muito superficiais e pouco prudentes na Direcção Geral de Agricultura, nas Escolas de Ensino Superior de áreas das Ciências Agrárias e Veterinárias, no Exército, nas matérias do Cão da Serra de Soajo, ao aderirem a um nome e a um solar errados! Na mesma época, gradualmente, estas instituições e outras com grandes responsabilidades nos domínios dos conhecimentos científicos, também aderiram a outros erros, enganos e/ou mentiras de Gerardo Pery e do cientista Paulo Choffat que tiveram como resultado a mudança do nome da serra, sendo que o último teve o descaramento de dizer que a serra Amarela também se chamava Serra de Soajo! A este erro clamoroso aderiram entre outros como atrás se disse, Fortunato de Almeida, António Matoso, Silva Teles, Amorim Gião, Orlando Ribeiro e muitos mais, principalmente seus alunos, também ligados à ciência e ao ensino! Não é isto, uma desonra, para importantes homens da ciência e do ensino?!

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Com o cão passou-se exactamente o mesmo, pois, Manuel Marques, potenciou como nome verdadeiro a fraude “cão de Castro Laboreiro”, embora tivesse considerado nos contactos que teve com a população local como sendo também animal de caça grossa ou «sabujo»! Mas escreveu que o nome “Cão de Suajo” era inapropriado na raça que estalonou, apesar de logo a seguir, espantosamente, atribuir ao do primeiro nome, a história do segundo! Não foi, também, este homem da ciência e do ensino, um batoteiro, um autêntico trapalhão, no assunto do nome, quando até reconheceu a existência, em 1935, de cães da mesma raça em Soajo? Manuel Marques recorreu a informações verdadeiras, autênticas provas, que constam em obras que parcialmente transcreveu, em que se referem os SABUJOS ligados muito objectiva e claramente a Soajo, e passa a admiti-los como se fossem de Castro Laboreiro, retirando Soajo do texto e SUBSTITUINDO-O por Castro Laboreiro, não é isto uma aldrabice? Não é esta mudança do nome da autarquia, da terra, uma indigna batotice?! Recomendamos muito cuidado, nestas matérias de reproduções, pois podem aparecer embusteiros como Manuel Marques! Foram enganadas várias pessoas colocadas em organismos e instituições que não se aperceberam dos erros e mentiras divulgados, que eu só detectei, felizmente, por atentas e minuciosas pesquisas muito recentemente! Portanto, os argumentos de Rodrigues de que deram crédito a assuntos sobre o cão, certos organismos e instituições de prestígio, resultaram de não se terem apercebido das VÁRIAS FALSIDADES sobre o passado notável do famoso «Cão de Soajo»!

  Rodrigues terminou o primeiro artigo no “N.A.” que, depois, publicou na Internet com a ardilosa afirmação para, disfarçadamente, mais tentar lograr a sua disparatada tese de tretas, servindo-se de afirmações como esta: «os cães de caça não tem um solar específico» e a «de que nem um “milagre” genético consegue transformar um cão Sabujo num cão de Castro Laboreiro»! O ilusionista Rodrigues sabe muito bem que também o cão em Soajo sempre serviu para guardar e defender os gados das feras, de assaltantes e intrusos em casas e áreas protegidas, mas também sempre serviu e serve para a caça grossa como o prova a sua inclusão, em 1907, na matilha de caça grossa do rei D. Carlos, conforme mostra fotografia, onde aparece o cão sabujo. Porém, em OUTUBRO DE 2016, continua o «Cão de Soajo» a existir em Soajo e Castro Laboreiro para múltiplas funções! Destas diversas utilidades do histórico cão, natural destas montanhas minhotas da Serra de Soajo, dão-nos testemunho vários documentos e obras históricas, como por exemplo os escritos do Padre Carvalho da Costa, de Frei Agostinho de Santa Maria, de Manuel Marques, do Reverendo Pe. Aníbal Rodrigues, Pinho Leal, Esteves Pereira, etc. De facto o castrejo Padre Aníbal Rodrigues conhecedor do cão, até na primeira década do século XXI, como diversas vezes já dissemos, considerou o cão como Sabujo, o que não deixa terreno livre a Rodrigues para que com as suas aldrabices convença, senão bebés, ingénuos e pessoas completamente desinformadas! Perceber que o cão da raça Sabujo da serra de Soajo (aldrabada para “Peneda”), tem boas condições para caçar javalis, lobos, etc., e até para defender ovelhas, cabras, basta ensiná-los no monte! Transformar em mente sã o intelecto de Rodrigues é que parece ser muito difícil, mas não impossível, mesmo sem recorrer a um “milagre” genético! Protejamos o cão que apesar de não ser o “farejador-mor” como o sabujo espanhol, foi de facto, comprovadamente, por muitos documentos oficiais dos reis de Portugal, utilizado pelos servidores oficiais dos reis nas Montarias Reais de Portugal. Qualquer desses documentos não permite que as tretas de Rodrigues se aceitem senão como chocantes aldrabices! Por entre as penedias dos «montes de Soajo» originaram-se e treinaram-se, durante as quatro dinastias da monarquia de Portugal, grandes e valentes cães Sabujos, e, por serem tão queridos e tão estimados possibilitaram que fosse a única raça canina de Portugal a ter a honra e a graça de constar num Foral Manuelino! Os vários privilégios dos monteiros e dos restantes moradores do concelho de Soajo só foram confirmados, a partir do início da quarta dinastia, debaixo da condição da continuação da entrega dos tão cobiçados Sabujos dos «MONTES DA SERRA DE SOAJO»! Repudiamos, veementemente, as aldrabonas e humilhantes palavras de Rodrigues ao terminar o seu primeiro artigo no “N.A”, com o indigno descaramento, para tentar contrariar verdades sobre o que apresentámos sobre o sabujo, de escrever : «que não passam de conjecturas estéreis e gratuitas, destituídas de qualquer suporte científico ou base documental»! Quem não apresenta provas e diz até que não são necessárias, e que, por isso mesmo congeminou um aldrabado axioma, atreve-se a escrever isto! Leiam ainda bem, pois Rodrigues escreveu também que, «não mudaria de opinião, nem voltaria ao assunto com argumentação coligida em corografias, enciclopédias, cartas de viscondes, ou falácias da internet.» Que lata! Não desejava Rodrigues que este assunto do CÃO estivesse sustentado em factos de natureza histórica, provados com documentos, autenticamente oficiais! Curioso é dizerem que a raça é muita antiga em Castro, sem qualquer documento a prová-lo, a não ser a aberrante informação de que já no século VIII, devido à mentira de alterarem num texto de Soajo sobre o cão, o século XVIII por século VIII, sobre matéria do cão sabujo de Soajo, transcrevendo o século, sem escreverem o X, constante em XVIII, recuaram no tempo 1000 anos! Mas ainda aldrabaram a entrega dos «cinco sabujos» em vez de ser aos reis, escreveram para «senhores» o que demonstra intencionalidade e afasta a possibilidade de mero erro gráfico.

Depois muitos “copiadores” reproduzem esta data tornando-a surpreendentemente antiquíssima, e deste modo a existência do cão sabujo em Soajo, no século XVIII, passou a servir para dar muita antiguidade ao cão em Castro Laboreiro!  

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São por estas e outras que as ALDRABICES não param! Mas pretender que assuntos como estes caiam em matéria de opinião, afastando os factos com suporte documental verdadeiro, como, generalizadamente, o fazem, é tremendo disparate de Rodrigues!

E se as opiniões são emitidas por um árbitro caseiro, apresentador de tretas, tanto pior! Quando se prefere recorrer a textos de contos ou romances de ficção como os de Arnaldo Gama ou de Camilo Castelo Branco, marginalizando liminarmente as obras de carácter histórico, geográfico e cultural, como Corografias e Enciclopédias, que bem podem ser escrutinadas com apreciações em documentos históricos complementares, então, ninguém pode levar a sério o que sai de um espírito muito viciado por tanta treta e grosseiras mentiras!

Rodrigues enganou-se, mais uma vez, pois foi forçado pelo meu artigo a vir à liça novamente, porque julgava que impingia as tretas e as intrujices com facilidade.

 À luz da documentação cartográfica e das referências literárias de natureza geográfica de Portugal que foram surgindo ao longo dos séculos o solar do cão sempre esteve ligado ao território orográfico da serra de Soajo.

A propósito do nome da serra de Soajo consulte-se o «ATLAS DE PORTUGAL”, editado em 2005, por iniciativa do governo do Eng. António Guterres que encarregara o organismo oficial «INSTITUTO GEOGRÁFICO PORTUGUÊS» para a sua elaboração sob a coordenação científica da Professora Catedrática Raquel Soeiro de Brito.

Neste Atlas  pode-se constatar uma nova abordagem do nome da serra por parte desta cientista que, por volta de 1946, elaborara a sua tese académica de formatura sobre o Soajo, mas admitindo que o espaço geográfico serrano se chamava “Serra da Peneda”, em seguimento dos disparates de G. Pery e Paulo Choffat. De facto o seu professor e orientador da tese, Doutor Orlando Ribeiro, havia sido enganado pelas calinadas do suíço, e depois enganou também os seus alunos! Em parte foi corrigido o erro, integrando, o mapa oficial feito na escala de 1:550 000 neste «Atlas de Portugal» de 2005, o multissecular nome SERRA DE SOAJO! Neste Atlas de uma instituição que supervisiona legalmente a cartografia de Portugal pode ver-se que o nome da serra cobre também território das freguesias da Gavieira e de Castro Laboreiro. A serra de Laboreiro denomina território espanhol.Este procedimento permite muito naturalmente associar o nome «Sabujo» usado em Soajo, com o nome «Serra de Soajo», donde partiam para os reis os cães da famosa raça! Deste modo englobando esta serra, desde os primórdios de Portugal, o território montanhoso de Castro Laboreiro, ainda mais justifica que a designação - «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO» - se apropria às autênticas identidades oficiais, documentadas desde um remoto passado até aos tempos actuais de 2016!

 Como nota final deste longo texto devo concluir que ficam destruídas as intrujices sem conta de um castrejo sem escrúpulos que não teve repugnância em apresentar “rafeirices bastardas” para maldizer do cão que, na segunda metade do século dezanove, também passou a ser notado numa terra fragosa que se insere na serra matriz do sabujo português!

Quem desejar aprofundar esta matéria dispomos de outros textos, com explicações mais detalhadas que fundamentam vários dos assuntos abordados nesta polémica dos sabujos .

A raça originada e desenvolvida na ampla serra de Soajo, em que assentou a «Montaria Real de Soajo», foi a preferida, multissecularmente, pelos reis de Portugal!

Vejam bem, todas as restantes Montarias do Reino ficavam muito mais próximas de Lisboa, mas Rodrigues tomou umas vezes o cão destas montanhas do Alto Minho como o sabujo comum, ibérico, a viver em muitas terriolas de Portugal!

Mas se assim fosse, como pode justificar, o Rodrigues das tretas, não terem sido as Montarias de Leiria, Coimbra, Santarém, Aveiro, Óbidos, Évora, Alenquer, Coruche e Sintra, a entregarem os sabujos ao longo dos séculos aos reis de Portugal?

Ainda outras vezes, este genial “sábio” de uma aldeia castreja, incoerentemente, rebaixa os cães de Soajo classificando-os como «rafeiros bastardos», isto é, cães sem raça definida, iguais aos existentes em todo o país!

 Por que é que as outras terriolas, incluindo Castro Laboreiro, não entregavam CÃES aos reis de Portugal?

Deverá explicar o "Lérias" a razão pela qual ao longo de tantos séculos Soajo era a terra detentora dessa exclusividade. 

Irá justificar que era por Soajo ter "RAFEIROS BASTARDOS PARIDOS ENTRE AS PENEDIAS?!

 Convirá observar ao inventor de tretas que os habitantes de Castro Laboreiro frequentavam na autarquia de Soajo, as três grandes feiras anuais da «Vila de Soajo» e as feiras do Santuário da Peneda, pelo menos na primeira metade do século de 1800, conforme atesta documento assinado, em 24 de Julho de 1851, pelo Administrador do concelho de Soajo, António Pereira de Amorim!

Também não é inteiramente verdade que vários castrejos vieram trabalhar para as obras do Santuário da Peneda, e alguns por lá ficaram onde lhes nasceram filhos, embora outros tivessem regressado com o fim das construções mais emblemáticas? Por via disto não poderia ter sucedido que alguns levassem, cães da autarquia nuclear dos cães sabujos, na época das grandes obras, dado que apenas começarem a dar nas vistas em Castro Laboreiro, no século XIX?

O Soajo autárquico de índole municipal situava-se, afinal, ao lado de Castro Laboreiro, não sendo portanto «um país distante» como aldrabadamente argumentou o “Tretas”!

Como confrontavam, territorialmente, as duas autarquias, então, os sabujos e os “rafeiros bastardos” ficavam ao alcance dos habitantes de Castro Laboreiro quando feiravam, na primeira metade do século de 1800, nos dois locais soajeiros das feiras, realizadas no lugar da Peneda e na vila de Soajo! Estes factos, também documentados, atacam sobremaneira as aldrabices inventadas pelo “Tretas”, de que Soajo e Castro Laboreiro, «eram países distantes»!

Pode o “LÁBIAS” tentar persuadir especialmente os desinformados e os ingénuos, pois só com estes  e  com os mal-intencionados alcançará alguns sucessos! 

Vila e Serra de Soajo, Novembro de 2017

                                                                                                     Jorge Ferraz G. Lage

CÃO SABUJO DE SOAJO, NOME CERTO, “CÃO DE CASTRO LABOREIRO”, UMA MENTIRA!

 

 

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Na zona destas diversas montanhas da «Serra de SOAJO» ficam vários fojos para ajudar a capturar os lobos descobertos pelos CÃES SABUJOS desta serra!

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Vista parcial da grande concentração de pedras de granito localizadas no sítio da «Pedrada», na montanha do «Outeiro Maior», a mais elevada da «SERRA DE SOAJO», onde se encontra o marco geodésico de 2ª ordem que, na Carta Geral do Reino, tem a altitude de 1415 metros. Foi esta, depois, corrigida para 1416 m .

À esquerda ( lado poente), ao fundo, pode ainda ver-se  a montanha de «Bragadela» [a segunda] com os seus 1350 m. Ao fundo observa-se parte da montanha do Pedrinho, ficando invísível o "Castelo do Pedrinho" [falsa Peneda] onde se situa o marco geodésico de 1ª ordem com 1373 m, que foi considerado por Gerardo Pery, erradamente, o ponto de altitude máxima da única serra do Lima ao Minho. Ao mudar, em 1875, pela primeira vez, na sua Geografia de Portugal o nome da serra para Peneda, abandonou o nome vindo dos séculos anteriores!  Estes ERROS - nome da serra e sua atitude máxima -  foram depois copiados para obras escolares dos diferentes graus de ensino!

As consequências das trapalhadas sobre o nome da serra ainda se sentem a ponto de nalgumas edições de mapas e livros de ensino aparecerem até no espaço de uma serra, dois nomes de serras!

 

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 Dois nomes num mapa usado no ensino básico existente na escola de Soajo. A serra de Soajo nem sequer aparece com a altitude máxima, e a falsa Peneda como que transparece a altitude máxima de 1373 m!

 

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 O "enxerto" da serra de "SUAJO" acomoda neste gráfico o espaço da serra Amarela, embora neste mapa de parede, apareça exposta  a norte do rio Lima com a grafia «Serra de Soajo».  Repare-se que a Amarela aparece no mapa a sul do Lima, mas não no gráfico de comparação das altitudes máximas das principais serras de Portugal!

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 Noutro mapa do básico (antigo ensino primário) aparecem os efeitos das trapalhadas a ponto de aparecerem no espaço da única serra em termos físicos, a norte do Lima, dois nomes, e a altitude na Pedrada de 1416 m é colocada na falsa Peneda, no Pedrinho. Assim uma mesma altitude da mesma serra, corrigido de 1415 m para 1416 m, é atribuido como que existissem duas supostas SERRAS DISTINTAS! O nome da Amarela, substituido por "SUAJO" com "u", deixa o espaço a sul e é colocado a norte do Lima! No espaço da Amarela ficou apenas o desenho a simbolizar a serra, mas sem nome!

Tanta trapalhada fez com que em 1971 nascesse o nome do Parque Nacional com parte da sua designação errada!

Presentemente os "intelectuais" que decidiram a colocação dos nomes das serras para indicação dos trilhos terrestres, em vez de seguirem a genial descoberta dos últimos anos, para aumentarem ainda MAIS AS CONFUSÕES com disparates, não inscreveram "Serra Peneda/Soajo"!

Optaram pela FORTE ALUCINAÇÃO QUE SENTIRAM, DIZEM QUE, DA VILA DE SOAJO PARA OUTRO SÍTIO NO SUL DA FREGUESIA DE SOAJO, SE ATRAVESSAM AS DUAS SERRAS COM OS NOMES SOBREPOSTOS AO NORTE DO LIMA! De "bons cérebros, cerebelos e bolbos raquidianos" só saem destas coisas geniais! Parabéns!

 

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 Observem-se as altitudes compararadas das serras principais de Portugal neste gráfico onde o espaço, da única serra de Soajo, é  repetido com dois nomes de serras, como se não fossem a mesma serra!

 

 

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O chamado «Coto Velho» que ladeia a Vila de Soajo, do lado norte, visto escassos anos antes do fogo de 2010, estava indumentado a verde com o seu admirável pinhal.

 Bela vista dos «caniços de pedra» (nome usado em Soajo em exclusividade até o aparecimento do novo Parque Nacional) da Eira do Penedo. Imagem 1217.jpg

A escola onde foram vistos os mapas com as asneiras dos nomes, altitudes e posicionamentos das serras!

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 Outra vista do lado sul do edifício "universitário" da vila de Soajo, construido, na década de 1930. só disponível em 1940, para nele se transferirem os alunos, vindos doutros edifícios onde leccionava a Prof. D. Maria Peixoto Ferraz no antigo edifício da Câmara Municipal ou Paços do Concelho, onde o juíz Manuel Sarramalho deu a célebre sentença. Do edifício do Outeiro, onde funcionara antes o tribunal do Julgado de Paz e também o Ministério Público, mas que depois albergou a escola masculina a cargo do soajeiro, Prof . Manuel G. Lage, substituído pelo Prof. Sotomaior, por ter sido compelido pelo PODER MUNICIPAL DE A. DE VALDEVEZ  a abandonar Soajo, por ser acérrimo defensor da satisfação de carências básicas de Soajo como fossem um adequado edifício escolar, ponte sobre o rio Lima, estrada, energia eléctrica, pavimentação do terreiro do Largo do Eiró, etc.

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 A serra de Soajo aparece neste gráfico com a sua verdadeira altitude máxima estando hierarquizada em quarto lugar de entre as principais serras de Portugal. Todavia ocupa o primeiro lugar atendendo ao critério de número de montanhas com altitudes superiores a 1200 metros. Atendendo ao critério da altura das serras acima da base, isto é, das suas elevações, a serra de Soajo disputa com a serra da Estrela o primeiro lugar, definidos que sejam os perímetros da base destas serras. Na verdade uma altitude é uma altura, porém a verdadeira altura ou elevação de uma serra não se mede do nível das águas do mar, mas da cota mínima do sopé ou base da serra! A altitude "enterrada" conta para a altitude máxima, mas não para sentir a verdadeira elevação de uma serra! Nesta última perspectiva a serra do Larouco, por exemplo, é mais baixa, ou seja é de menor elevação, que a serra de Soajo!

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 Panorâmica parcial da vila de Soajo, em que se consegue ver uma pequena parte do lugar de Bairros, cuja altitude monta a cerca de 300 metros.

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Vistas parciais de Bairros e Costa Velha, ambos lugares do lado poente da sede da freguesia de Soajo. A arborização embelezava o panorama, além de outras manifestas vantagens...

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 O lugar de Cunhas é uma das sete aldeias, que com a vila, completam o povoamento de Soajo.

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 Um lindo cenário de uma parte da serra de Soajo. Da montanha mais afastada, onde se instalou o Cruzeiro em honra de dois ilustres irmãos missionários - Pe. Anónio Sousa Rodas e Dom Abílio Rodas -,  derrubado por enorme temporal, vislumbra-se um panorama muito abrangente e belísssimo!

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 A pequenina cachena deixou-se fotografar em 1951, num terreno do lugar da Laranjeira, acompanhada pelos irmãos, Maria Manuela e Manuel António Lage, então professores e naturais da Vila de Soajo.

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 A SEGIUR O TEXTO INTULADO ACIMA:

 

 

1.COMO CÃO DE CAÇA GROSSA FOI CONFIRMADO! – Apesar de ser considerado clara e objectivamente, em 1935, como cão de caça grossa, o falsamente designado “castro laboreiro”, pelo próprio autor da caracterização desta raça canina, atreve-se, Rodrigues, a dizer que é, exclusivamente, cão de guarda! Ao ter contactos com castrejos da época, o Dr. Fernandes Marques assimilou que, também, além do mais, era usado e estimado como cão de caça grossa! Mas, Rodrigues, não quer que sirva como cão de caça grossa e, então, esforça-se para tentar negá-lo, opondo-se até ao professor que bem soube em Castro Laboreiro, seguramente, que também o empregavam para caçar! Se o cão não tivesse este préstimo mais à vontade estaria para, em teoria, o distinguir do sabujo de Soajo, a que por conveniência quereria que fosse o orelhudo sabujo ibérico, considerado por Rodrigues, simplesmente “sabujo medieval”! Incrível, esta oposição de Rodrigues ao Prof. Marques! Este bem o considerou ao oficializar o estalão desta raça, como tendo muito boa aptidão para a caça grossa pelo «seu poderoso domínio»! O autor do estalão tomou conhecimento deste valioso mérito em Castro Laboreiro, e até aqui soube que os melhores exemplares da raça existiam em lugares, fora da povoação Castro Laboreiro, algumas das quais muito próximas de povoações que pertenceram administrativamente à paróquia e concelho de Soajo!

Rodrigues, é mesmo um fenómeno de invencionices, que veio ao mundo, ao que parece, pelos anos de 1970. Nasceu fora da sede que, ao que parece, por se formar a partir e junto de um vetusto castro, deu no Laboreiro, o nome à sede da circunscrição paroquial e autárquica, as quais por sua vez também o adoptaram.

2.PROVAS ANTES DOS ERROS E MENTIRAS EXIGEM-SE! – Os argumentos apresentados pelo castrejo Américo Rodrigues para tentar justificar a tontice de que o nome da raça é o correcto, e que a área geográfica por si forjada para a adaptar ao espaço da sua freguesia, foram um e outro, baseados em lérias, em tretas, em artimanhas!

Devem ser apresentadas provas sérias, autênticas, porque as de uns meros romances de ficção, da segunda metade do século XIX, é muitíssimo pouco. Se não conhece nem uma, reportada aos tempos em que Castro Laboreiro foi concelho (foi-o até 1855), não deve refugiar-se no vazio de que nada tem de provar. Gostaria que fossem verdades por si e em si! Mas não são, pois não passam de arteirices, aldrabices, falsidades, mentiras, intrujices, que não têm cabimento para justificar um forjado e falacioso axioma.

Os factos históricos provam-se com documentos e os que se encontram nas Chancelarias Reais com o selo de armas reais, conferem-lhe uma rigorosa autenticidade, acima de quaisquer dúvidas!

As lábias de Rodrigues de que em Soajo (entenda-se no âmbito de Serra, Concelho e Montaria) só existiram “rafeiros bastardos” são afirmações tão mesquinhas que, só por si, fazem com que os seus escritos, nas matérias da identificação da raça e da sua geografia habitacional, não obtenham a mínima credibilidade.

3. AVIVAR A MEMÓRIA É PRESERVAR A IDENTIDADE - Merecem ser considerados como factos memoráveis na história de Soajo todos os seus patrimónios relevantes, porque ao terem exercido influências muito notórias na vida de muitas gerações de Soajeiros contribuíram para o dignificar e enobrecer durante muitos séculos.

Viver sem memória é andar à deriva. O conhecimento essencial do passado deve consistentemente trazer-se para o presente, de molde a unir as gerações do passado com as do presente e do futuro, e para todo o sempre!

A situação a que chegou Soajo na actualidade, em boa parte deve-se ao desconhecimento da sua história e memória. Os ataques de adversários e inimigos só produziram efeitos tão devastadores porque esteve, no século passado, a memória de Soajo muito diluída nas mentes de muitos Soajeiros, senão a força da ignorância de alguns “sábios” sobre a nossa terra seria menos consequente! Se hoje não se valem de um valioso património que libertou muitas e muitas gerações de Soajeiros do pagamento de impostos directos pelo envio anualmente de «cinco sabujos», isso sucedeu pela gradual perda de memória. A causa de mais recursos não terem sido investidos e consumidos em Soajo, para o desenvolver materialmente, tal deve-se também à falta de saberes históricos!  A perda da memória, a partir sobretudo de 1935,  serviu em muito, Castro Laboreiro.

Avivar a memória da raça «Cão de Soajo» é útil para o futuro de Soajo, como também se revela importante na história florestal, cinegética e pecuária de Portugal. Se o «cão sabujo de Soajo» prestou relevantes serviços aos habitantes da extensa serra de Soajo e de vigilância na protecção das florestas (matas) nacionais, dos animais selvagens e dos gados, a história fica mais enriquecida com as verdades e não com as aldrabices que em cadeia se vão propalando. Por tudo isto não se deve aceitar que haja alguém que queira tentar colocar a preciosa história dos grandes e valentes sabujos de Soajo, fora do conhecimento nacional recorrendo a mesquinhos e indignos argumentos. Que o chamado «Cão de Soajo», o Sabujo de Soajo, ido para os reis de Portugal, tome a sua verdadeira e completa história, e que suba ao pedestal para glorificação e memorial da mais importante raça canina que andou associada umbilicalmente, durante tantos séculos, com os monteiros de Soajo e do restante Portugal, depois de treinada para várias funções, nas montanhas da serra de Soajo!

4.AS DESARMONIAS - Perante certos escritos tão inconsistentes e contraditórios sobre a famosa raça canina usada pelos monteiros e pastores na vasta e alta serra de Soajo, ao longo de muitos séculos, decidi fazer pesquisas mais aprofundadas que me permitissem esclarecer e explicar as razões pelas quais, sobretudo a partir de 2005, apareceram, através de um castrejo, ficções tão em desarmonia em termos da localização geográfica e outros aspectos da ancestral e histórica raça. Para tentar esconder e desvirtuar as funções e a vida histórica da velhíssima raça regional, têm-se servido de expedientes pouco dignificantes. Tornava-se necessário, indagar aspectos da naturalidade da raça para se saber, rigorosa e objectivamente, se o âmbito geográfico se colocava ao nível de uma ampla região serrana ou se se restringia ao espaço territorial de uma mera paróquia, como mentirosamente, pretende Rodrigues. A designação da raça tem muito a ver com a sua geografia de criação, habitação e distribuição pelo resto do país. 

Os resultados das primeiras pesquisas mostraram rapidamente que algo andava muito mal pois a raça canina sempre foi habitante das montanhas que se erguem na direcção Norte/Sul desde o Minho ao Lima, e do rio Vez até à fronteira com Espanha na direcção Nascente/Poente, sendo um erro crasso restringi-la a uma paróquia, porque documentação multissecular disponível não autoriza tamanhas aberrações sobre vernáculo historial do «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO»!

Constatei que a partir sobretudo dos anos de 1935 se iniciara uma desfocagem geográfica que se afastava muito do centro principal dos séculos anteriores, pois passaram a concentrar excessivamente tudo o que dizia respeito à preciosa raça de Soajo, na paróquia de Castro Laboreiro, desligando portanto a raça do seu glorioso passado!

Quanto mais aprofundei as pesquisas, mais me convenci que não tinha qualquer razoabilidade muito do que em termos históricos, geográficos e culturais escrevera o castrejo das “tretas”!

Não tem tido vergonha de ofender a memória e a honra das gentes dos tempos do «Concelho e Montaria de Soajo» que, ao longo de tantos séculos, preservaram uma raça que puseram ao serviço da Coroa de Portugal e que tão prestimosa foi na protecção, conservação e preservação das florestas portuguesas pelas suas extraordinárias aptidões para vigilância de casas, guarda de gados e caça grossa!

  1. CONTACTOS COM UMA PERSONALIDADE VITAL - Numa deslocação a Castro Laboreiro tive ensejo de conversar com o saudoso e venerando Padre Aníbal Rodrigues que teve a cortesia de me receber na sua residência, nos finais da década 1990, junto à qual a comunidade castreja lhe quis reconhecer, apreciar e agradecer todos os desvelos de uma vida muito empenhada ao serviço das suas gentes e da sua grei. No encontro com o grande entusiasta da raça questionei o Reverendo Pe. Aníbal, sobre a naturalidade e a designação de uma raça canina que, sem os seus esforços, num dos últimos redutos geográficos de sobrevivência da raça, talvez não se tivesse salvado da extinção quase certa, devido ao exíguo número de exemplares. Reconheceu que se tratava do cão sabujo que, do concelho de Soajo, vizinho de Castro Laboreiro, partia para os reis de Portugal! Disse-me na altura a propósito da história da raça canina que um padre não mente! Mais tarde verifiquei, já após o seu decesso, que o Reverendo Padre Aníbal já antes do nosso encontro, havia reconhecido em texto escrito, o cão como SABUJO, testemunho que, por sustentado na Verdade, o eternizará, bem como à raça canina que acarinhou, e de que verdadeiramente foi um incansável defensor e protector! É atitude inqualificável e falta de seriedade tentar roubar ao cão sabujo todo o seu rico e antiquíssimo historial como poderoso animal na caça grossa, de guarda de gados, de florestas e de casas apalaçadas ou modestas! O que se passou ao longo de tantos séculos não pode, não deve, ser escamoteado, antes tem de ser perdurável e avivado no tempo. Desassombradamente vimos a terreno para não deixar mentir descaradamente quem, com umas tretas, por não ter documentação, muito menos oficial, antes dos erros, dos disparates e das mentiras, mas que mesmo assim quer usurpar a história da raça e dos monteiros que a utilizaram.

  2. QUEM FEZ A CARACTERIZAÇÃO DO CÃO SABUJO? – Foi o médico veterinário e professor na Universidade Técnica de Lisboa, de medicina veterinária que, em 1935, subiu ao Alto Minho para observar os cães e registar num estudo quais os caracteres físicos, comportamentos e aptidões, o que significa que fez a padronização, standard ou estalão do cão sabujo. Transcrevemos desse trabalho o seguinte:«cão tendendo para o rectilíneo, lupóide (de lobo), tipo amastinado (corpulento e grande). Companheiro leal e dócil, indispensável na protecção dos gados contra o ataque dos lobos. Sentinela ideal para vigilância constante que exerce nos pontos confiados à sua guarda, rondando-os com frequência. Deve ser também como o Serra da Estrela, uma das velhas raças da Península».

  3. Deixou Manuel Marques apenas com superficialidade uma ténue ligação a Soajo, através da sua serra em termos geográficos, se bem que sob o ponto de vista da história do cão deixou notas essenciais de Soajo, embora escondidas como fossem de Castro Laboreiro!

  4. SEMPRE CÃO SABUJO E DOS BONS! – Como testemunho para os vindouros deixou gravado no seu trabalho agregado ao estalão sobre a raça, um reconhecimento que desmente Rodrigues, e que o impede de tentar enganar com a facilidade que gostaria. É que o Prof. Manuel Fernandes Marques foi, no século vinte, pioneiro, ao considerar e afirmar por escrito que, o cão que estudou e caracterizou era sabujo com «poderoso domínio» sobre os animais de caça grossa, e um importante guarda na vigia de gados e demais coisas que lhe confiam.

  5. É de facto necessário, neste contexto, salientar que o Professor, em 1935, reportando-se à raça que reconheceu como sendo constituída por cães sabujos escreveu: «já eram (nos princípios do século dezoito) apreciados e utilizados na caça grossa pelo seu poderoso domínio»! Ao dizer isto, é porque ainda o eram, em 1935, senão tão tem sentido a palavra «já»!

  6. Conclui-se que não só considerou a raça como de cães sabujos, mas também como de possantes cães para a caça grossa!

  7. Rodrigues, com as suas tretas, nega na raça que foi estandardizada, em 1935,  a aptidão para caçar, mas se o professor Fernandes Marques ainda fosse vivo aconselhava-o a não dizer tantos disparates!

  8. Também é conveniente dizer-se que se o seu professor Manuel Marques conhecesse toda a história do cão, poderia dizer que já, já, já,..., em 1258, ou, em 1396, ou, em 1401, ou, em 1483, ou, em 1514, ou, em 1528, ou, em 1588, ou, em 1655, ou já em…, em vez de se limitar apenas a dizer que «já nos princípios do século de 1700»!

  9. O CÃO SABUJO DE SOAJO NA TAPADA DE MAFRA  - Se o rei D. Carlos fosse vivo ao tempo em que o castrejo Rodrigues, das tretas, começou a asnear sobre as funções dos cães sabujos de Soajo, dir-lhe-ia que seus avós da dinastia de Bragança exigiram que lhes fossem entregues nos termos determinados em 1514, pelo foral manuelino de Soajo, talvez lhe mandasse uma foto tirada em 1907, na Tapada de Mafra.  É que já amplamente se mostrou uma imagem que retrata a presença de um cão da raça do sabujo de Soajo, na matilha de caça grossa, junto do rei, com um visual igual ao dos cães que Rodrigues criou na sua aldeia.

  10. Não ficaremos admirados que o "Lábias" venha, agora, dizer que o SABUJO não estava na foto, ou que embora tenha estado não era para utilizar na caça grossa, mas sim para guardar os outros cães da matilha! O "Tretas" é capaz de tudo...

Repare-se nalgumas referências, como a de ser companheiro leal e muito útil contra o ataque dos lobos aos gados. Sabe-se que os castrejos quando o denominado “Grupo Lobo” fez uma palestra por volta de 2005, em Lamas do Mouro, evidenciaram com imagens fotográficas os fojos de Soajo, na Pedrada, e Forcadas, porque era nas suas imediações onde mais lobos se concentravam e atacavam os gados!

Eram portanto as povoações mais centrais da serra de Soajo que mais sofriam com os lobos e como tal mais cães de lobo precisavam para proteger os gados. Não fosse também Soajo sede da “Montaria dos Lobos e mais Bichos”, e através do seu monteiro-mor, o organizador e supervisor, de toda a área em termos das caçadas aos lobos.

Depois veja-se a importante função de servir de sentinela ideal para vigiar como aconteceu nas matas florestais nacionais coutadas e nas rondas (giros) aos Paços dos Reis, acompanhando fielmente os monteiros conforme antigamente se declarou nos estatutos regimentais. Sabe-se que é cão muito antigo, pelo menos desde o tempo de Portugal, na Idade Média, através da documentação oficial, fundamentalmente, ligada a Soajo. Porém, não se comprova com documentos, a antiguidade do cão serra da Estrela.

  1. NOME DO CÃO ACEITE COMO UM DOGMA? – Bem queria Rodrigues com as suas lérias, e não com provas documentais verdadeiras, que se aceitasse o nome errado do cão!

  2. Sabe-se, comprovadamente, que o autor do estalão, Prof. Manuel Fernandes Marques, em texto publicado, em 1935, deixou registado o disparate - «Impropriamente chamado também Cão de Soajo, o cão de Castro Laboreiro» - , não obstante atribuir elementos da história multissecular do «Cão de Soajo» que negara, à mesma raça de cães, para impor o nome errado, indevido e injusto!

  3. Recolocar o nome da raça, de acordo com a documentação oficial, existente antes de serem praticados os erros e as mentiras, exigi-o, o respeito pela Verdade!

  4. Aceitar como «axioma» o nome errado do cão, como que de um dogma se tratasse, é mais uma léria fiada de quem julga não precisar sequer de afirmar o seu próprio nome, sem prova de identidade, quando dúvidas haja!

  5. Usar um dogma, uma crença, um axioma, não tem qualquer cabimento nesta matéria do nome da raça canina!

  6. Dizem os aficionados ao falso nome que a raça é muito antiga, mas como nada conseguem provar adequado ao nome errado, rejeitam a verdadeira documentação oficial histórica da raça, para tentarem salvar o nome deturpado ligado à paróquia de Castro Laboreiro! Enquanto Castro foi concelho as referências da raça não as apresentam!…

  7. SOAJO SEMPRE APRESENTA PROVAS! – No decurso dos muitos séculos de Portugal até século XX, há referências ao cão sabujo da serra de Soajo, o que não é observável em qualquer das outras raças consideradas portuguesas.

  8. Como meros exemplos, refiro em primeiro lugar que, em 1913, ao ser morto o professor de Castro Laboreiro junto do ribeiro da Peneda por um cão esfaimado, grande e valente, nem mesmo apesar do exercício profissional naquela freguesia, o cão não foi conotado como sendo da falseada raça de Castro, antes o referenciaram como das montanhas em que fica o santuário!

  9. Também em 1907, um escritor, natural de Tangil, Monção, visita povoações da Gavieira para recolher dados sobre o “O Namoro no Alto Minho” e, nele fala dos «cães de lobo», mas em nada os relacionam com Castro, apesar de a raça ser a mesma, conforme se pode ler na obra que se encontra, segundo o Dr. José Pinto, na Biblioteca da Universidade de Coimbra. Também na quinta dos Pazinhos, da freguesia do Vale, concelho de Arcos de Valdevez, o seu proprietário, Professor Ramos, na década de sessenta, portanto já depois de feito o estalão, trata os cães da raça em causa, como Sabujos! Ora em escritos sobre Soajo antes e depois da extinção do concelho, mesmo nas primeiras décadas do século XX, se referiram os cães da mesma raça, como cães de Soajo ou sabujos! Desde os primeiros séculos de Portugal, documenta-se, portanto, que já nos tempos medievais, os cães em Soajo - os sabujos – se associam aos monteiros caçadores!

  10. OS CÃES SABUJOS ANTES DO FORAL E NO FORAL – Que terras em Portugal viram consagrados no documento mais significativo de um concelho o nome de uma raça especial de cães? Nenhuma além de Soajo, e acima de tudo para fundamentar a isenção de impostos! Pode-se dizer, então, como o fez o castrejo Rodrigues, perito em lérias, que Soajo só teve cães rafeiros bastardos?! Também não é verdade que constituem, prova oficial irrefutável mais antiga que o foral novo de 1514, os elementos redigidos para a confecção do foral, existentes na Torre do Tombo, e que estão assinados pelo juiz de Soajo, da época, Martins Afonso, pelo vereador Gonçalo Gonçalves, e por outros, onde se constata que já anteriormente, «somente pagavam a el-Rei, em cada ano, por toda a renda, cinco sabujos feitos de monte ao tempo que manda por eles, ou lhos levam» ? Não é verdade que os sabujos existiam em Soajo, antes de 1396, quando o rei reconhece que aos privilegiados monteiros, como guardas das florestas da serra de Soajo, ao serviço da Coroa Portuguesa, não deviam ser compelidos a ter armas para o serviço militar como besteiros do conto, mas a continuarem a ter sabujos? Não é verdade que D. João I em 1401, entre muitos outros bens dos Soajeiros, destaca apenas, os Sabujos, mandando-os defender, especificamente? Seria por serem “rafeiros bastardos” como zurze, desprezivelmente, o Rodrigues das “muitas lérias”? Seria com cães rafeiros que, em 1258, se constata que o rei D. Afonso III podia pedir aos caçadores de caça grossa de Soajo que o acompanhassem desde o rio Douro até ao rio Minho, quando Soajo já era couto do rei protegido?

  11. DOM FILIPE II PRESERVOU OS SABUJOS DE SOAJO! – Este rei assinou, em 1605, o mais detalhado e extenso “Regimento do Monteiro Mor do Reino de Portugal”, no qual os sabujos assumem um papel muito visível e saliente como acompanhantes dos guardas monteiros das matas (florestas) coutadas, e ainda como servidores dos monteiros que estavam ao serviço dos sucessivos reis no Paço Real. Neste, como se deduz do Regimento de 1605 e de outros anteriores, os sabujos participavam nas rondas (giros) por serem, como redigiu o autor do estalão, em 1935, «sentinelas ideais pela vigilância que exercem nos locais confiados à sua guarda, rondando-os com frequência»! Também o mesmo rei «Dom Filipe de Castela» por pedido vindo da «Villa de Soajo» assinou e mandou passar no livro da sua Chancelaria a confirmação de vários privilégios dos monteiros e dos Soajeiros, de entre os quais o que respeitava aos fidalgos e poderosos estarem proibidos de viver e ter bens na «Montaria e Concelho de Soajo» e de lhe tirarem (roubarem) os sabujos.

 O rei D. João V foi mais exigente, em 1716, porque  também mandou ainda declarar no texto do diploma que a confirmação dos privilégios continuava, mas condicionada a que lhe fossem enviados, anualmente, os «cinco sabujos», conforme estava contido na carta foralenga de Soajo de 1514. Perante tudo isto, seriam os Sabujos, cães banais ou “rafeiros bastardos”, como pretende amesquinhar o Rodrigues das “lérias”?

Que razões sensatas, apresentou o “Rodrigues das tretas”, para ter reduzido, recentemente, o habitat geográfico dos cães sabujos, delimitado a uma “nova bouça da raça”, através das bordas das dúcteis águas dos rios Trancoso, Mouro e Laboreiro? Nenhumas! Apenas se limitou a inventar mais aldrabices!

O habitat, isto é, o grande solar considerado pelo autor do estalão, em 1935, que abrangeu a ampla serra  de SOAJO inserida no maciço galaico-duriense foi desprezada pelo "Grande Mentiroso"!

          Vila de Soajo, 2 de Março de 2015

                                                                                                                      Jorge Ferraz Lage

CÃO DE SOAJO, SIM, CASTRO LABOREIRO, NÃO! :: www.apccl/artigos/Artigo N.A.pdf :: Artigos :: Réplica (II)

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 LEGENDAS DAS FOTOS:

Na “Montaria de Soajo” o uso e a protecção dada aos cães sabujos da serra de Soajo foi um facto, e não foi por mero acaso que se realçaram os sabujos em Soajo como algo muito especial perante os roubos e abusos dos fidalgos em 1401! Neste ano os sabujos de Soajo mereceram destaque, porém, já nos séculos anteriores se revelaram como raça de cães com aptidões para servir nas guardas das matas do Botão, Óbidos, etc., pela sua corpulência, valentia e ainda pelo poder de luta contra os lobos e outros animais existentes nas florestas e matagais de Portugal! As suas qualidades foram fundamentalmente sublinhadas nas descrições históricas e geográficas do concelho de Soajo e depois nas das freguesias de Soajo e Gavieira, ainda nos finais do século dezanove e na primeira metade do século XX, muito mais do que na freguesia de Castro Laboreiro! Ao ser verdade tudo isto, porquê que Rodrigues tem o atrevimento e a insensatez de tentar banalizar e atacar a raça de cães sabujos das montanhas da mesma serra que, também, a generalidade dos livros de história, mapas cartográficos, e livros escolares de Geografia até 1875, quase exclusivamente, designaram por Serra de Soajo, até que, por erros grosseiros, a desviaram da sua multissecular designação?! Rodrigues, absurdamente, trata os cães de Soajo por “rafeiros bastardos paridos entre as penedias do Soajo”, e acusa dizendo que considerá-los por sabujos é pura imaginação de quem não o deixa aldrabar como gostaria! Muita clemência é necessária para com este “coitadinho”, porque embora nascendo no seio dos fraguedos da serra de Soajo, perverte a importante riqueza histórica e cultural de Soajo!

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SEGUE A RÉPLICA (II)

  1. Em face de tudo o que foi apresentado nas linhas precedentes, dizer que as terras mencionadas por Rodrigues no seu primeiro artigo do “Notícias dos Arcos”, em 2013, «tem a mesma autoridade histórica e documental ou até superior à de Soajo», é um desnorte, uma tontice, que poderia ser originada por grande paixão que Rodrigues nutre pela sua terra natal, mas mais parece resultante de um ataque acéfalo ao não enxergar que deprecia a única raça canina da mesma serra! Pretender que referências muito pontuais sobre os cães nas localidades que apontou tenham a mesma consistência, rigor e permanência em termos de proveniência, ao longo dos séculos, como a que decorre dos muitos documentos sobre os sabujos de Soajo, só é possível com as fantasias quiméricas de Rodrigues! Repudiar o que se enquadra nas provas documentais, no rigor da lógica, no muito mais crível, só pode advir de uma mente alucinada! Quando começou a atacar os relacionamentos do cão a Soajo com base em elementos constantes no foral de Soajo, que não soube interpretar, dizia que só mandavam esporadicamente os cães, isto é, quando calhasse, e se calhasse, como tudo fosse acidental! Mas depois de corrigido abandonou estes disparates, e evoluiu para outros ataques, para tentar levar acabo a sua tese estrambólica de que só na sua freguesia é que havia o “ouro” canino, talvez por o curral que montou no seu imaginário ser murado a granito e encimado com arame farpado! A treta como arte para aldrabar às vezes resulta, mormente, quando a ela aderem os muitos ingénuos, distraídos e desinformados!

  2. Pergunta o petulante Rodrigues se alguém acredita no que designa a «fábula de que existiu o famoso sabujo de Soajo»? Todavia Rodrigues acredita que houve, pelo menos, desde o século de 700, como escreveu Marques Rocha, em “Melgaço de Ontem e de Hoje” uma especial raça de cães de Castro Laboreiro, que servia para os “asselvajados” entregarem cinco sabujos aos senhores para pagamento de impostos! Este erro, por deturpação do século a que pertence o ano de 1706, nunca foi desmentido com veemência pelo “Lábias”, porque até serve de base para afirmarem que o cão é muitíssimo antigo em Castro! A resposta que o “Tretas” devia dar é a de que a fábula que ele próprio inventou de o cão não ser SABUJO, só tem alicerces na sua imaginação! A documentação oficial e outros escritos feitos por pessoas idóneas e imparciais, do tempo da monarquia, mostra clara e transparentemente que existiu o cão sabujo que ia de Soajo para os reis, mas Rodrigues até isto tentou banalizar e negar como «obrigação do concelho de Soajo»! Quis com os documentos anteriores que citou desvalorizar e negar os Sabujos de Soajo como notáveis cães, apesar de se tratar da raça de cães que cria e vende! Porém as suas intrujices serão fortemente atacadas, até com base no que referem alguns autores de que existiram os cães em causa em aldeias que foram de Soajo, e que se situam nas barbas do território de Castro Laboreiro! Também, como repetidamente temos dito, afirmaram-nos como sabujos, certos protagonistas, no século XX, dos principais estudos e da preservação dos actuais cães! Rodrigues não quer que sejam cães sabujos e pretende que os cães de Soajo não sejam diferentes do sabujo ibérico, que foi e é um tipo de cão mais pequeno e mais orelhudo do que o sabujo de Soajo ( com nome alterado para “castro-laboreiro”)! Mas se os cães sabujos idos de Soajo, fossem os mais comuns e generalizados orelhudos, e não os mesmos que Rodrigues vende, então, a região das montanhas de Castro e Soajo não seria a área geográfica do habitat da raça, ainda no século XX, como a considerou o autor do estalão em 1935, e o primeiro presidente do Clube Português de Canicultura, Dr. António Cabral, décadas depois! Rodrigues é sem dúvida alguma, um refinado inventor de fábulas, de intrujices, de tretas, um mentiroso sem emenda, que tem forjado uma estúpida e farsante “teoria da treta”!

  3. Se os cães dos monteiros servidores nas Reais Montarias do Reino de Portugal recorressem aos sabujos orelhudos que, relativamente, abundavam, por que é que, depois de reformados, eram obrigados a ter uma sabuja para continuarem a usufruir das honras, privilégios e liberdades dadas pelos reis de Portugal? Terem privilégios significava que continuavam isentos de cargos e encargos nos concelhos, de não pagarem impostos ao rei e à Coroa Real, etc. Como rareavam os cães mais poderosos da serra de Soajo, e sendo indispensáveis para apoiar os vigilantes das áreas naturais protegidas, justificavam-se, por parte do poder régio, medidas especiais não só para escolher pessoal idóneo, mas também para ter cães sabujos possantes e de boa guarda, diferentes dos que tinham os monteiros simplesmente caçadores. Os guardas das Reais Montarias vigiando animais e florestas eram de facto serviçais públicos que dispunham de privilégios especiais, fardas uniformizadas que os impunham como autoridades! Mas eram acompanhados sempre por obrigação do ofício de vigorosos cães sabujos, detentores de qualidades especiais que partiam da serra, concelho e montaria de Soajo ou noutras áreas protegidas do reino! Para contentamento de Rodrigues deveriam ter sido enviados de Castro Laboreiro aos reis, e não serem designados por “sabujos” nos diversos documentos oficiais nos séculos anteriores ao do estalão, este feito somente em 1935! Como não o foram, então, Rodrigues, para não ficar triste, paradoxalmente, desanca a raça, trivializando os mesmos cães sabujos que, na segunda metade do século dezanove, começaram a ser referidos nos montanhosos lugares de Castro, ao ponto de passarem a merecer, também alusões, embora pelo que se transparece no «Minho Pitoresco», em 1886, rareassem em terras de Laboreiro. Na verdade narrou José Augusto Vieira ter visto de «longe a longe», «um ou outro», «cão de gado», da «valente raça chamada de Castro», que se «abastarda» e morre de saudades fora das ásperas penedias onde tem o seu habitat. Claro que, em grande parte, estas alusões são influências copiadas da obra de Pinho Leal, publicadas em 1874! Mas como nesta época, em Castro Laboreiro e no resto do país, nos livros do ensino básico de Geografia se designava a serra só, e só, por «serra de Soajo» (as aldrabices ainda não haviam começado), e esta tem penedias ásperas em grande parte da sua extensão, então os sabujos sentiam-se em várias freguesias desta serra no seu solar natural! Viviam felizes os sabujos da «afamada raça de Soajo» como se diz em publicação do ano 2000, editada com patrocínio da Câmara de Terras do Bouro! Portanto, contrariando as imaginadas aldrabices de Rodrigues, não foi só o soajeiro Jorge Lage que considerou os «cães de Soajo», como uma raça, e, ainda mais, destacadamente, como «RAÇA AFAMADA»! Que bom, não ter sido pioneiro de tão "merecidas e imparciais considerações"!...

  4. Sabemos que o rei D. Afonso III contactou com os cães de caça grossa - os sabujos -, em Soajo e fora. Também o rei D. Fernando, em cujo tempo os Soajeiros continuaram a gozar dos privilégios entre os quais o de não serem obrigados a pagar qualquer direito real em termos de foros e tributos, que não fosse a entrega de cinco sabujos por toda a renda gerada no concelho de Soajo, uma vez que «sempre foram isentos e privilegiados» e, ainda por haver sabujos paridos e criados no solar da serra de Soajo para se satisfazerem as obrigações concelhias! Por receber sabujos de Soajo mandou o «rei formoso» colocar bonitos colares bordados em sabujos para os oferecer ao califa de Granada! Teve assim este chefe da mourama o ensejo de também apreciar os sabujos procedentes da grande e mais alta serra de Entre Douro e Minho, e até de Portugal Continental, embora não segundo critério em termos de altitude! Ao ser esta serra no país a que tem o maior número de montanhas com altitudes superiores a 1200 m e, atendendo a um apertado critério do perímetro da base para se medirem as serras em termos de “altitude não enterrada”, isto é, medida da cota mínima da base até ao nível da cota máxima, coloca-se a serra de Soajo numa posição cimeira em altura que não passa pelo critério do dimensionamento em altitude! As serras são elevações a partir dos sopés e, não desde as suas “profundidades” calculadas do nível médio das águas do mar! Critério diferente é, mas permite ver a serra na sua verdadeira altura como serra. A serra do Larouco por este critério tem uma altura de cerca de dois terços da altitude convencional! Talvez “por darem no olho” as montanhas imponentes e abruptas da serra de Soajo é que os primeiros reis de Portugal a escolheram para preservação da sua fauna e flora, instituindo nela uma Montaria Real e, não no Gerês, no Marão ou na Estrela!

  Voltando aos sabujos pretendidos pelos reis de Portugal anteriores a D. Fernando, desde «sempre de antigamente»  os admiraram, e depois, no trânsito dos séculos, foram os cães preferidos no Paço Real e nas Montarias d’el-rei, como se depreende de diversos documentos, de entre os quais os diversos “Regimentos do Monteiro Mor do Reino”! Como não iam de Castro, Rodrigues ataca-os, querendo que não fossem «os grandes, valentes ou poderosos sabujos», mas antes os orelhudos e pequenos sabujos ibéricos! Os da “marca” nacional portuguesa, não foram os oferecidos ao califa, avisa, sentenciosamente, sem suporte documental e sem lógica integradora aceitável, o ambicioso e “exclusivista” castrejo, ridículo apresentador de tretas, erros, mentiras e fantasias!

  1. Rodrigues, pretensiosamente, ao perguntar se todos os milhares de sabujos que na Idade Média existiam nos reinos de Espanha tinham como solar o Soajo, teve como único propósito baralhar! Por falta de documentos que lhe permitam outro tipo de argumentação, recorre a expedientes para tentar impingir a raça que, com o tempo, por estratégia tão redutora, talvez, irá limitar ao caminho vicinal da sua casa na pequena aldeia castreja de Várzea Travessa! Sabe Rodrigues muito bem que, nessa altura, como na actual, os sabujos gerados em Espanha, Suíça, França, Itália, etc., tinham e têm características físicas e comportamentais diferentes, da dos sabujos paridos em Castro Laboreiro, Gavieira, Soajo, Lamas do Mouro, etc. Estes não são, senão, os continuadores dos clássicos “cães de lobo”, conhecidos também, no século passado em Tibo, Rouças, Gavieira, Adrão, Vale, Vila de Soajo, como os declarou a viverem em povoações da ampla área serrana, em 1935, o médico e professor Manuel Fernandes Marques. Mas foi este autor que caracterizou a antiquíssima raça de cães sabujos tão prezada pelos monarcas de Portugal, apesar de escrever um texto, com base em determinadas obras que referiam os sabujos em documentos que os tinham como ligados a Soajo e, os considerasse, inacreditavelmente, como sendo de Castro Laboreiro, para poder falsear e rejeitar o nome «cão de Soajo»!

  2. Rodrigues, para mais tentar persuadir e ironizar, e especialmente confundir, questionou se o rei Filipe II veio ao Soajo abastecer-se de sabujos, por ser um habitual caçador. Mas sobre isto repetimo-nos mais uma vez dizendo que, embora o Paço Real em Madrid fosse a sua residência ordinária, o rei Filipe II assinou e mandou passar diploma que confirmou a protecção dos cães sabujos de Soajo que os funcionários monteiros utilizavam na vigia da que considerou ser «Montaria da Villa e Concelho de Soajo», à semelhança do que sucedera, em termos de confirmações nos séculos anteriores! Sendo também rei no Reino de Portugal, de 1598 até 1621, presumimos que conheceu o mapa mais difundido de Portugal em Castela e na Europa que era o de Fernando Álvares Seco, o qual embora não contendo a serra do Gerês, patenteava, notoriamente, a Serra de Soajo! Nesta tinha assento a protegida «Montaria de Soajo» onde eram tirocinados os SABUJOS que iam para Lisboa e quiçá alguns para Madrid por serem diferentes dos não corpulentos “sabuesos” orelhudos, utilizados noutros reinos da Hispânia. El-Rei Filipe II, em 1605, assinou o «Regimento do Monteiro Mor do Reino de Portugal», onde os SABUJOS DE SOAJO eram os cães exclusivamente referidos no diploma, pois não constam os alãos. Continuaram grupos de «CINCO SABUJOS» a partir, anualmente, de Soajo e, acumulavam-se aos enviados nos anos anteriores até à cifra de trinta e cinco sabujos. Todos eram alimentados conforme o «costumado», à custa do erário régio. Como regra geral ligados à Corte, até para obviar ao esforço orçamental, o número de sabujos não podia, também, em 1605, ser superior a trinta e cinco, como já desde, antigamente, era norma. Esta quantidade de sabujos foi tida como suficiente para se satisfazerem os objectivos consignados neste diploma regimental, os quais ficavam em Lisboa, directamente adstritos ao cuidado do Monteiro Mor do Reino. Declarava-se neste Regimento de 1605, como sucedera com outros Regimentos que o precederam, que a vigilância das áreas coutadas fosse feita de uma forma muito cuidada para que as florestas e a fauna não sofressem malefícios. Se tal acontecesse, os infractores deveriam ser severamente punidos! Para se alcançar a eficácia necessária na vigia das áreas protegidas, os oficiais monteiros tinham de ser inspeccionados duas vezes por ano por um júri constituído pelo Almoxarife, onde o havia, que fazia de juiz de cada Montaria e pelo monteiro-mor da terra (Montaria local). Tinham competência para observarem se os meios - buzinas, sabujos e chuço (vara grossa ferrada) - estavam em boas condições. Caso contrário, os monteiros podiam perder os privilégios concedidos e serem substituídos por pessoas idóneas. Se os serviços não cumprissem podiam os vigilantes ser degradados por dez anos para as embarcações (galés), ou podiam ser desterrados por dois anos para os territórios portugueses de África. No que ao Soajo directamente diz respeito, saliente-se que o rei «Dom Filipe de Castela» (referido assim no documento de Soajo) confirmou vários privilégios anteriores dos monteiros da Real Montaria de Soajo, bem como dos moradores do concelho de Soajo. Mas este rei filipino não confirmou o privilégio que tinha a ver com a venda de gados pertencentes aos oficiais monteiros para a Galiza! Bem se compreende a não confirmação deste auxílio devido à nova situação política comercial decorrente da gradual integração do reino de Portugal em Castela! Mas Rodrigues, com a sua lábia de profundo desconhecedor destes assuntos, mente e erra quando escreveu que as confirmações dos privilégios eram automáticas! Porém este privilégio voltou a ser reposto com a segunda independência de Portugal o que mostra bem que as confirmações não eram irreflectidas, como Rodrigues disparatou ao pretender fazer crer que eram fruto de simples rituais ou automatismos! Não sabe que certas cláusulas insertas nos privilégios de Soajo foram modificadas, quer por acréscimos, ora por supressões! Se Rodrigues tivesse lido, por exemplo, as 16 (dezasseis) páginas tipo A3, com assinaturas de El-Rei D. João V, em que interveio o escrivão das confirmações Dom Miguel Maldonado, em 1716, não diria tantos despropósitos! Se Rodrigues tivesse por exemplo lido a carta de nomeação do Monteiro Mor da Real Montaria de Soajo, de 5 de Maio de 1729, ter-se-ia apercebido que é um grande “Zé das Tretas e Lérias”! Com efeito Ventura de Sousa e Menezes, natural da vila de Soajo, sucedera a seu pai nesta função pública de dirigente máximo dos oficiais monteiros de Soajo, que tinham de lhe obedecer conforme se dispunha no «Regimento e Provisões» da Montaria Real de Soajo, para bem servirem na vigilância das matas florestais da Serra de Soajo. Gozou, igualmente, de todos os privilégios inerentes ao seu cargo, nomeadamente, o de poder andar armado de dia e de noite, e de não ser obrigado a concorrer para a feitura de fontes, pontes e arranjo ou abertura de vias públicas e demais encargos e cargos do concelho de Soajo e do Reino de Portugal!

    Continuaram todos os oficiais monteiros de Soajo a usufruírem das benesses, confirmadas, privilégio a privilégio, ainda em 1752, pelo rei D. José! Nestas constam as confirmações de 1716 e seguintes, onde pode ver-se que a cláusula, «com declaração que todos os anos me darão CINCO SABUJOS e com todos os mais conteúdos no FORAL do dito concelho» continuava como lei! Estas confirmações foram o resultado de pedidos feitos pelos «oficiais da Câmara do Concelho e Montaria de Soajo», e bem atestam adequações circunstanciais! Note-se bem que os pedidos foram feitos por dois tipos de SERVIDORES OFICIAIS: os da Câmara do Concelho de Soajo, e os da Real Montaria de Soajo! Por outro lado a “Real Montaria de Soajo”, que Rodrigues quis banalizar como sendo equivalente à simples “Montaria dos Lobos” de Melgaço, mostra bem que escreve sobre o que não sabe! Mas só por ignorância? Não! Também por perseguição diabólica, injusta, mentirosa e falsa, ao passado histórico do cão, por este nas confirmações só estar relacionado com Soajo, embora, paradoxalmente, goste da raça, e não só por razões comerciais!

28.Muito relevante foi o rei D. Filipe de Castela (Filipe II de Portugal) confirmar em documento com sua assinatura que, “ o clássico e famoso Cão Sabujo de Soajo” - sabujo português - (séculos depois falseado com o nome “cão castro-laboreiro”) continuar protegido das potenciais tomadias dos fidalgos e poderosos, apesar d’el-rei não viver em Lisboa, mas em Madrid! As diferentes qualidades dos dois tipos de Sabujo fizeram com que os reis de Portugal, ao longo dos séculos, manifestassem grande interesse pelo PODEROSO SABUJO DE SOAJO! Certo é que o rei D. Filipe III em Castela nunca emitiu documento algum para proteger, em Portugal e em Castela, o cão orelhudo de busca, tido entre nós por sabujo ibérico, não obstante ter sido também muito útil na caça grossa! Seria por não ser detentor do mesmo «poderoso domínio» do «grande e valente cão sabujo da serra de Soajo»?!

  1. Outro disparate de Rodrigues foi ter escrito, mentirosamente, que «O cão Sabujo e o cão de Castro Laboreiro são duas raças distintas»! Ora o que deveria ter redigido Rodrigues é que, “o vulgar sabujo ibérico” e «o clássico e famoso sabujo de Soajo» são duas raças distintas!

  2. De comum apenas têm ambos o serem cães sabujos! Os disparates do mentiroso Rodrigues são contraditados pelo Prof. Manuel Fernandes Marques e pelo Padre Aníbal Rodrigues que bem o sentiram e comprovaram em pleno território de Castro Laboreiro e o escreveram para memória futura. Nesta freguesia de Castro a rarefacção não atingiu em 1935, os mesmos níveis de outras povoações da serra de Soajo, onde o cão esteve muito mais em risco de desaparecer em parte por razões de florestação e consequente diminuição dos rebanhos dos Soajeiros! Sabe-se que Rodrigues considerou também estas duas personalidades como estultas (estúpidas) por admitirem os cães como sabujos! Mas as suas tretas não passam de uma infeliz, insensata, maldosa e disparatada posição, face aos tantos e tantos documentos, reveladores do passado do cão como SABUJO! Rodrigues anda à bordoada à história do cão e à sua essência como cão SABUJO!

  3. A única raça da mesma serra não lhe merece respeito e consideração, pois ataca-a, recorrendo a deploráveis aldrabices! Rodrigues deve justificar porque mudou o espaço geográfico do habitat do cão, que as diferentes fontes históricas apontam, inclusive a do autor do estalão. Mente descaradamente só para negar que o cão não era o mesmo na Gavieira, Soajo e Castro Laboreiro, apesar de vários testemunhos o terem identificado como espécime único. Ah, grande mentiroso!

  4. Teve Rodrigues a ousadia de alterar a “rede do canil” reduzindo-a mais, e por este andar, talvez com mais uma década, o redil quase se limitará como dissemos à pequenina aldeia de Várzea Travessa! Rodrigues, não se limita a ficcionar, quer ainda ignorar que os Sabujos da serra de Soajo não foram pelos Soajeiros sistematicamente ao longo dos séculos entregues aos reis de Portugal! Os documentos medievais e os posteriores, até ao século XIX, informam-nos, transparentemente, que os reis «em cada ano, mandavam por eles (sabujos) ou lhos levavam (de Soajo)»!

  5. Por quê que Rodrigues só se refere aos “pergaminhos” medievais, e não segue o rasto, isto é, toda a trajectória da raça do sabujo de Soajo ao longo dos séculos? Não lhe convém! Diz também que sou o único que defendo o nome «Cão sabujo de Soajo», mas se tal acontece, só pode resultar de ter sido o único soajeiro a dedicar-se à pesquisa e reflexão dos documentos históricos de Soajo com contínuo voluntarismo e profundidade. Rodrigues gostaria  de apagar a imorredoira expressão «CINCO SABUJOS», que só está relacionada, em Portugal, com Soajo! Se o CÃO da raça que, em 1935 e noutros anos (repito as vezes que forem necessárias, para Rodrigues o meter na sua cabeça) foram considerados por pessoas estranhas a Soajo como SABUJO, e se foi tido como nascido, criado, treinado como sabujo, e enviado, durante tantos séculos, do concelho de SOAJO para os reis, como sabujo, por que fica desgostoso o insensato castrejo com o nome CÃO SABUJO DE SOAJO?! Claro que gostaria que fosse designado com o nome “CÃO SABUJO de Castro Laboreiro”, mas como desta terra nunca os enviavam aos reis de Portugal, nem se notou a sua presença a não ser tardiamente - depois de 1855 -, toda a argumentação de Rodrigues na defesa deste nome raiaria a absurdidade! Há no entanto algo positivo que Rodrigues defende que é o facto de a raça ser uma outra diferente do sabujo espanhol, porque tem efectivamente uma morfologia, carácter, atitudes e comportamentos diferentes deste. De facto o «Cão de Suajo» nada ter a ver com o sabujo do nordeste da península ibérica ao que parece descrito pelo rei castelhano Afonso XI, em obra que, detalhadamente, o descreveu, antes de o rei português D. João I o ter feito. Mas é preciso dizer que o rei português o fez num contexto de ensino aos caçadores de como se devia caçar o porco-bravo, e não com o intuito de ensinar os oficiais monteiros a bem servirem nas áreas de protecção da natureza (Reais Montarias), nas quais se serviam dos cães (sabujos) das maiores montanhas do Alto Minho!

radores do concelho de Soajo somos levados a considerar que a principal benesse declarou-se na continuidade do não pagamento de foros e tributos ao rei ou à coroa de Portugal conforme foi posteriorm

  1. O Cão Sabujo de Soajo - nome compatível com os documentos que vão da Idade Média à Idade Contemporânea - sempre foi um cão versátil, em termos de funcionalidade, pois tanto era destinado a guardar gados, pessoas e bens, como era usado na caça grossa. Todavia entenderam, arbitrariamente, incluí-lo no Grupo 2, determinados homens da canicultura do século XX, pelo facto de Manuel Marques seguir o modelo no estalão do cão pastor da serra da Estrela! Podê-lo-iam arrumar no Grupo 6, pois que, tanto os reis, como os soajeiros, gavieiros, castrejos e outros, usaram-no na caça grossa devido ao seu bom faro e «poderoso domínio» sobre os perigosos animais selvagens! Também os sabujos, em Soajo e na Gavieira foram usados para guardar gados, como nos contam vários textos, até mesmo do século XX! Não queira Rodrigues com as suas tretas admitir uma única funcionalidade no cão, embora isso lhe dê jeito para o tentar diferenciar do clássico CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO que quer que seja o sabujo-ibérico! Nesta classificação, como em outras, o critério da exclusividade não aparece, nem podia aparecer explicitado com objectividade, para se fazer uma opção em termos de absoluta distinção! Ser “cão de caça”, ou “de guarda de gado” para o posicionar num dos grupos, foi uma mera opção do autor do estalão! O que é subjectivo, quereria Rodrigues que fosse total e exclusivamente objectivo, para poder mais facilmente enganar! Se assim fosse, tanto o autor do estalão, como o castrejo Padre Aníbal Rodrigues e outros, não teriam RECONHECIDO por escrito que o cão era muito útil na caça grossa por poderoso domínio e faro! Outro aspecto a salientar é a de que o cão sabujo de toda a ampla e alta serra do Alto Minho não apresentava, em 1935, sequer variedades dentro da raça! Por escrito, o autor do estalão Dr. Fernandes Marques, bem constatou também este aspecto! Mas o castrejo Rodrigues congeminou o disparate de que havia em Soajo o “rafeiro bastardo”, e em Castro uma “raça de cães não sabujos”! Só um (in)génio é capaz de ter um espírito tão surpreendente para gerar tamanhas “fantasias”!

CÃO DE SOAJO, SIM, CASTRO LABOREIRO, NÃO! :: www.apccl.pt/artigos/Artigo N.A.pdf ::Artigos :: Réplica (I)

FOTOS COM LEGENDAS: 

 

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  Na Idade Contemporânea, em 1907, o rei Dom Carlos, afinal, apesar das espingardas terem evoluído, ainda usava os SABUJOS DA SERRA DE SOAJO, OS SABUJOS IBÉRICOS, E, OS ALÃOS, como nas Idades Média e Moderna, o haviam feito os reis portugueses!

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 Pelo menos, ao que parece, um sabujo orelhudo, voltado de costas, tem partes do corpo esbranquiçadas, e talvez um alão com suas pequenas orelhas hirtas.

Ambos caçavam em Portugal, embora a imaginação e as aldrabices do Tretas não se adequem a esta evidência provada pela foto!DSCN6759.JPG

 Ah, pelo menos um cão sabujo de Soajo que é visível de pé, à esquerda, serviu para caça grossa! Talvez por ser, segundo o "Lérias " de C. Laboreiro, «um rafeiro bastardo parido ente as penedias do Soajo»!

Mas o que se nota é que não é "nada, mesmo nada parecido" com os existentes, actualmente, em Castro Laboreiro e em Soajo, segundo os óculos do homem do «AXIOMA» disparatado! Porém, como dizem outros que é mesmo da raça caracterizada, em 1935, e que tinha também como solar o Soajo, então à vista desarmada é identificado como o «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO»!

De facto, enquadra-se o cão da foto no estalão que foi foi feito nesse ano pelo Prof. Manuel Fernandes Marques e que foi historiado, como um «CÃO DE PODEROSO DOMÍNIO» muito apreciado pelos REIS para a caça grossa !

Somente o consideraram como «cão de guarda» na F.C.I. registando-o no grupo 2 ! 

O rei Dom Carlos envidaria esforços, em homenagem aos Reis de Portugal que muito caçaram com ele, para o registarem no grupo 6 por ser também um valente e poderoso «cão de caça grossa»! Critérios, opções classificativas, dirão outros!

 Nos montes da serra de Soajo era «feito», isto é, preparado, para «caça grossa» e para «guarda de gados» porque eram ambas necessidades que se complementavam para que, sobretudo, os lobos não comessem os cordeiros, os cabritos e os os vitelos! Os «moços do monte» ligados ao Paço Real, sob a tutela do monteiro-mor do reino, levavam-nos quer para a caça grossa quando acompanhavam os reis, quer para guardarem os gados dos reis quando os apascentavam, e ainda os guardas monteiros os usavam obrigatoriamente na vigilância das Reais Montarias coutadas!

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 Acusou-me o "Lérias" de Castro Laboreiro" de nunca ter visto os documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, acerca do espólio do Monteiro-mor do Reino, e por isto, quando contrariado, afirmou que eu é que era o " verdadeiro mentiroso"! Isto está exposto no texto das "vinte páginas" que elaborou para defender aldrabadamente que, o cão de Castro não é o sabujo de Soajo, à revelia da documentação sobre o mesmo cão! 

Esta é prova documental que ele é um verdadeiro aldrabão! Desafiado várias vezes, não respondeu, continuando com a mesma afirmação exposta no texto carregado de asneiras. Nem sequer mostra o mínimo respeito pelos leitores pedindo-lhes desculpa. Mas um tal Serra Lopes, residente na vila de Soajo, ainda recomenda as suas trafulhices! 

O cão da serra da Estrela,, o cão rafeiro do Alentejo, o cão de água do Algarve, tem como solar uma só freguesia?! O cão sabujo da serra de Soajo, também não tem, a nãp ser para o singular «Mentiroso» de Castro Laboreiro!

 

 

 

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  SEGUE O TEXTO DO TÍTULO ACIMA REFERIDO:   

Como advertência inicial quero afirmar que o texto que segue pretende dar resposta a vários disparates, tretas e lastimáveis palavras publicados em “Notícias dos Arcos” e na Internet, por um tal Américo Rodrigues, natural de uma aldeia de Castro Laboreiro que, sob aparências de verdades ilude muitos desinformados, numa tentativa de fazer prevalecer o nome de um notável cão português que, durante muitos séculos, foi enviado da serra de Soajo para os reis de Portugal!

Não foi o antigo concelho de Castro Laboreiro, mas sim o confrontante concelho de Soajo que entregou, anualmente, por imposição legal, cinco grandes, óptimos e valentes cães, ditos SABUJOS, pese embora terem beneficiado os seus moradores de admiráveis privilégios de entre os quais a isenção de diversas contribuições régias e do gozo de liberdades, possibilitadas pela proibição de fidalgos residirem no concelho. Os nobres que se instalaram no concelho de Soajo ao queixarem-se os soajeiros ao rei D. João I, mandou que fossem expulsos em 1401, em obediência do que vinha dos reis anteriores. Durante os séculos seguintes até ao XIX, continuaram os reis de Portugal a manter este privilégio.  

Como se notará, o contraditório a tantas asneiras levou-nos a repetir várias vezes argumentos e documentos, a fim de que o leitor não perca de vista o essencial, e possam ser, devidamente, repelidas tantas aldrabices que se acumulam a outras anteriores.

Não teve Rodrigues vergonha de empregar a expressão “rafeiros de Soajo” em substituição de «cão sabujo de Soajo»! Só houve idêntica desconformidade com a que alguém usou, lançando o nome “serra da Peneda”( retirado de um mal referido «marco geodésico», em “PENEDA”, nos limites de Sistelo) sobre o espaço geográfico da «serra de Soajo»! Ou quem ousou colocar o nome «serra de Soajo» sobre o espaço geográfico da «serra Amarela»! Ou quem teve tanto desatino para aldrabar, mudando o nome «cão de Soajo» para “cão de Castro Laboreiro”, apesar de ler textos de obras que claramente ajustavam o nome do cão a Soajo!

Como a polémica suscitada em resposta a artigos meus foi feita de uma forma tão desbragada, indecorosa e descomedida, vejo-me como que impelido a responder “à letra”, contrariamente ao que gostaria, devolvendo-lhe os “simpáticos” vitupérios! Com esta atitude Rodrigues sentirá ou não, se inconsiderações são agradáveis! Desta conduta peço benevolência aos leitores que com certeza não deixarão de compreender que a “generosidade” do castrejo merece ser atendida com a mesma “doçura”!

 

A reposição das verdades históricas consolidadas em DOCUMENTOS OFICIAIS DE OBJECTIVA veracidade, acerca do «cão de Suajo», deve prevalecer sobre subjectivas retóricas sem fundamentos. Passo, então, de seguida a comentar a verborreia enganadora:

1.Dizer que um nome resultante de erros e mentiras tem de ser aceite, com recurso a um axioma, isto é, a algo que não precisa de ser provado, mas que não se coaduna com as diversas provas documentais oficiais e outras, é um grande disparate!

  1. O cão da mesma região do Minho tem como nome certo “Cão de Soajo” ou “Sabujo de Soajo”! Foi enviado de Soajo para os reis de Portugal, ao longo dos séculos, como nenhum outro e, por isso, foi o cão preferido pelos monarcas de Portugal, mas não era enviado para concursos de beleza!

  2. Os documentos oficiais régios e várias obras de natureza histórico-geográfica estão acima de qualquer suspeita quanto à autarquia que enviava os cães, e embora Castro Laboreiro confrontasse com Soajo e nele também pudessem existir, embora não se encontrem quaisquer provas antes do século XIX, não era tido como a autarquia nuclear serrana desta região minhota, quer em termos de caça grossa, quer em cursos de água e florestas. Os romances, da segunda metade do século XIX, de mera ficção, fruto das imaginações de autores portugueses, embora tenham algum interesse, ficam, relativamente secundarizados, quando comparados com o foral do concelho de Soajo e de muitos outros documentos oficiais, certificados pelas assinaturas dos reis com os selos usados por suas majestades, e com as devidas e obrigatórias cópias passadas aos livros das chancelarias reais.

  3. Nunca Rodrigues elogiou o povo de Soajo pela criação e preservação da raça que prestigiou, ao longo dos séculos, a região da ampla serra de Soajo, a qual abrange também as montanhas da autarquia castreja como se constata desde os primeiros mapas cartográficos de Portugal conhecidos e editados a partir da época de quinhentos!

  4. O nome errado deve referir-se, sobretudo, para o corrigir, e colocar o verdadeiro nome do Sabujo de Soajo, de acordo com os documentos e obras que o expuseram, predominantemente, até às primeiras décadas do século XX, por ser cão com qualidades muito especiais que o tornaram merecedor de notórios registos!

  5. Se foi o próprio autor do estalão do cão, Professor Manuel F. Marques, que clara e objectivamente, escreveu e reconheceu, em 1935, que o cão cujo nome viciou era nesta data de 1935, como nos princípios do século iniciado em 1701, «usado e apreciado como cão de caça grossa pelo seu poderoso domínio», como pode o atrevido e mentiroso Rodrigues dizer que é uma estupidez (estultice) considerar o cão como Sabujo?! Ser sabujo, é ser «cão de caça grossa», e tendo estado em Castro Laboreiro, o Prof. Marques, várias décadas antes de Rodrigues vir ao mundo, a observar a raça, nos seus vários aspectos como se exigia para uma devida caracterização, como pode Rodrigues ter o descaramento, a estupidez, de recusar evidências! Falta de vergonha e descaramento é o que mais se nota nele!

  6. Se o Padre Aníbal Rodrigues, pároco em Castro Laboreiro, cerca de cinquenta e sete anos, e natural desta montanhosa e altaneira freguesia a que esteve ligado mais de oitenta anos, deixou como legado escrito, o abalizado reconhecimento que o cão que ajudou a proteger é um «bom sabujo pelas suas excelentes qualidades de faro», então, perante estas palavras, como pode negar, Rodrigues, esta constatação?! O saudoso Padre Aníbal que caçou e viu, ao longo da vida, tantos caçadores acompanhados pelo notável sabujo, pelas diferentes aldeias e montanhas da freguesia de Castro Laboreiro, quando as calcorreou também no exercício paroquial, é contrariado pelas lérias ordinárias de Rodrigues, que até teve o arrojo de o considerar como um dos estúpidos! Quem mente descaradamente é Américo Rodrigues, e não quem foi competente, honesto e grande defensor da freguesia de Castro Laboreiro. Curvamo-nos perante o seu grande exemplo e sentimo-nos gratos pelo muito que fez pela preservação e conservação do cão que foi enviado de Soajo, durante tantos séculos, para os reis de Portugal! Quando conversei com o Reverendo Pe. Aníbal Rodrigues sobre o cão que foi o preferido dos reis, ao longo dos séculos, não esboçou a mínima contrariedade, notando-me até que um padre não mente! Ora quando este distinto Pároco escreveu que o cão era um bom sabujo, ninguém tentou colocar em causa a justeza desta sua função que, desde um passado muito remoto em Soajo já era objecto de muitas menções. Claro que a raça também ganhou grande credibilidade e reconhecimento noutras utilizações, nomeadamente na guarda das casas e na defesa e ataques aos lobos para protecção de gados!

  7. Escreveu Rodrigues que o «cão nunca foi um sabujo», mas estes cães da raça do nome viciado ainda, na década de sessenta, do século XX, na quinta dos Pazinhos, situada na freguesia do Vale (Arcos de Valdevez), eram considerados como sabujos pelo seu proprietário, Professor Manuel Ramos! Aos seus serviçais perguntava, vezes sem conta, se os «SABUJOS» já tinham comido! Mas Rodrigues deu muitas reviravoltas para muito aldrabar nos textos de que é autor, com o fito de tentar impingir uma tese descabida, embora nos seus artigos publicados no “Notícias dos Arcos” acertasse alguma coisa, quando disse que não ia «escrever nada de valedouro sobre o cão»!

  8. Na mesma década de sessenta uma antologia de textos literários publicada pela “Porto Editora” contem imagem desenhada do cão, a qual está legendada por “sabujo”, e facilmente se verifica pelo visual que não é senão o da raça caracterizada pelo autor do estalão Dr. Manuel F. Marques! Não sendo de Soajo o autor do livro publicado pela editora portuense, está fora de causa a sua tendenciosidade. Convirá ainda salientar que apesar da imagem do SABUJO se reportar ao cão que o Prof. Manuel Marques padronizou e que disse existir na SERRA DE SOAJO, ela é apresentada para apoiar um extracto da narrativa lendária «Dama Pé de Cabra», cuja autoria é de Alexandre Herculano. Esta não obstante ser trabalho de conteúdos puramente imaginados, portanto fora dos cânones da ciência histórica, fala de sabujos, e estes foram na explicação do vocabulário, desenhados com o aspecto corporal do sabujo da serra de Soajo! Onde foi arranjar o modelo do cão sabujo para o desenhar ainda não consegui saber! O que é certo é que as orelhas e outros aspectos morfológicos não são as do sabujo espanhol mas sim as do «sabujo da serra de Soajo».

  9. Os lugares, da Gavieira, Rouças e Tibo, do antigo Soajo paroquial e municipal, foram visitados, em 1907, pelo autor da obra “Namoros no Alto Minho”. Era pessoa natural de Tangil, município de Monção, e nestas povoações deixou relatos sobre os cães da raça destas montanhas, todavia não os identificou pelo nome mais tarde mudado pelo Prof. Marques. Tratou-os por “cão de lobo”! A prova de tudo isto pode ver-se neste título disponível na Biblioteca da Universidade de Coimbra ou em trecho do etnógrafo Dr. José Pinto, sobre trabalho literário que se debruça sobre a Gavieira!

  10. Em 1907, segundo se lê numa crónica publicada em «Melgaço, do Monte à Ribeira», o professor de Castro Laboreiro foi morto por esfaimado e corpulento cão, na Peneda, quando ia dessalgar bacalhau no ribeiro que bordeja o Santuário Mariano. Todavia, não obstante se tratar de um professor de Castro Laboreiro, o cão não foi relacionado com Castro! Foi considerado como raça das montanhas onde se situa o santuário, em território que foi do antigo Soajo, porque além do mais, o nome sabujo ainda não tinha sido pelo professor Manuel F. Marques afastado da trajectória nominativa dos muitos séculos anteriores.

  11. Rodrigues diz que me «aferrei» apenas a dois únicos documentos para justificar aquilo que considerou como a «teoria de Jorge Lage», mas isto não passa de uma mentira ordinária! Socorri-me de muitos documentos embora os que citou, só por si e em si, quase seriam suficientes! Dada a validade do foral manuelino de Soajo que, foi fonte de direito e se estendeu por vários séculos, desde 1514 até 13 de Agosto de 1832, quase que chegava este documento oficial para ajuizados entendedores! De facto esta constituição concelhia dá-nos conta que os soajeiros não pagavam impostos sobre a renda gerada em todo um concelho que confrontava com Castro Laboreiro, porque tinham de entregar, todos os anos, «cinco sabujos», treinados para guarda de gados e caça, porventura, também, em território fronteiriço de Castro Laboreiro. De que provas documentais se serve Rodrigues para fundamentar que o cão era exclusivamente natural da sua paróquia, e que não eram os sabujos criados na ampla serra de Soajo? Não se socorreu de um só documento oficial anterior aos erros e mentiras começados na segunda metade do século XIX. Os grandes disparates ganharam forte impulso, sobretudo, a partir da oficialização de um nome exclusivo da raça (da serra de Soajo) com a publicação do estalão, em 1935, desviado do nome oficial usado ao longo de séculos no FORAL DO CONCELHO DE SOAJO e nas CONFIRMAÇÕES RÉGIAS DE PRIVILÉGIOS!

Nem sequer o pequeno historial da raça canina da serra de Soajo da autoria do Prof. Manuel Marques foi vertido no texto do estalão e, ainda, para cúmulo, as suas remotas funções foram encolhidas simplesmente para «cão de guarda»!

Aferrou-se o “Lérias” apenas às suas próprias aldrabices e ainda aumentou as do Prof. M. Marques e as quase que copiadas pelo Dr. António Cabral!

  1. No presente, como no passado, havia cães de uma região que também chegavam a outras terras, pelo que o primeiro exemplo que arranjou, não prova que os cães eram ou que não eram os da raça da serra de Soajo. Quando, em 2011, mandei esculpir o cão em granito, inscreveu-se «cão sabujo português» porque já me tinha apercebido que havia e há o sabujo espanhol, de menor porte. Apenas, em 2013, é que Rodrigues veio tentar persuadir, disparatadamente, que o «grande e valente sabujo da serra de Soajo» era o mesmo cão que o “sabujo ibérico” apesar de este ser mais pequeno e, portanto, não se coadunar com a caracterização feita por alguns autores do século XIX e XX, de ser a espécie criada no Soajo tida por «grande óptima e valente»!

 Na Suíça actual como noutros países existem vários tipos de sabujos. Se fossem todos iguais os sabujos havidos em Portugal, por que só foram, durante séculos, para os reis, os cães das montanhas da serra de Soajo, a qual também englobava as montanhas do concelho de Castro? Pese embora haver algumas montanhas com águas vertentes para cada um dos dois antigos e extintos concelhos, não são senão montanhas de uma mesma serra quando aferidas, no contexto do raiano território português, por consistentes critérios orográficos!

  1. Pretende Rodrigues atacar o cão sabujo criado ao longo dos séculos nos diferentes lugares da paróquia de Soajo que, no século XVI, foi desmembrada em duas, embora continuasse a filial da Gavieira como um curato anexo da paróquia original. Porém, sob um ponto de vista de administração autárquica, tudo era Soajo!

Os sabujos da ampla serra de Soajo ainda estavam significativamente presentes nas décadas da primeira metade do século XX. E eles eram perfeitamente iguais aos SABUJOS da paróquia de Castro, como bem expressou Manuel Marques e outras testemunhas!

Quer Rodrigues banalizar os cães da serra de Soajo, dizendo que em todas as terreolas do país tinham sabujos como os de Soajo! Os de Castro, embora sejam da mesma raça, banalizá-los é que não!

Os cães de Castro - atreveu-se Rodrigues a lançar a atoarda, em 2013 - é que não são sabujos, talvez por nascerem todos no mesmo ano em que ele nasceu!

Seria que os Sabujos de “Castro Laboreiro” só os houve antes e, no ano de 1935, atendendo ao que escreveu o Prof. Manuel Marques?!

Quem tudo sabe sobre os Sabujos é o “Finório” das lérias, mas provar não é com ele! Mas teve muito jeito para fantasiar e para imaginar um AXIOMA!…

  1. Santo André de Gondomar, actualmente, freguesia do concelho de Vila Verde, pertencera à Terra da Nóbrega pelo menos até à segunda metade do século XI. Situa-se, geograficamente, na vertente sul da serra Amarela. Foi mosteiro que criava sabujos, e davam alguns ao primeiro rei de Portugal por lhe ter outorgado carta de couto.

 Mas dizer que a entrega de sabujos como tributo foi consignada «três séculos e meio» antes da entrega de sabujos por Soajo é um grande disparate, é ignorância crassa de Rodrigues, pois, além do mais, antes de 1258, já os monteiros de Soajo tinham a obrigação de acompanhar o rei com ascumas (lanças), cornos e cães sabujos desde o Douro até ao Minho. E digo cães sabujos porque eram usados para a caça grossa. Também, desde tempos muitos anteriores a 1258, já em Soajo, havia um couto de caça grossa onde fidalgos não podiam viver nem caçar!

Neste ano de 1258 constataram-se factos do possível uso dos sabujos de Soajo pelo rei D. Afonso III. Porém, tal não significa que só neste ano se começaram a disponibilizar sabujos ao rei! Em 1288, foi dito, pelos soajeiros que compareceram à inquirição mandada fazer por D. Dinis, que eram monteiros, e que tinham o privilégio de não pagarem foros ao rei! Isto indicia que seria por causa da entrega de sabujos e/ou pelo exercício do ofício de monteiros vigilantes das florestas e da fauna silvestre nas montanhas da serra de Soajo integradas na Montaria, Concelho e Julgado de Soajo. É importante saber-se que os moradores de Soajo, em tempos anteriores a 1514, já entregavam por ano, cinco sabujos, conforme testemunharam, entre outros, os oficiais camaristas de Soajo! Portanto, antes da outorga do foral de 1514, já é completamente seguro que «cinco sabujos» eram mandados aos reis e, ainda que importantes regalias já estavam a vigorar! Portanto, a afirmação de Rodrigues de que os frades do mosteiro de Santo André de Gondomar já enviavam sabujos «três séculos e meio» antes de Soajo, é uma enorme calinada! Também dizer que todos os sabujos de Leão e Castela eram iguais aos de todos os outros reinos ibéricos, seguindo o Padre Domingos Barroso, é um desacerto face à documentação conhecida. Se os perdigueiros - também designados por «podengos de mostra» em tempos antigos - foram muito mais estudados que os sabujos pelo Reverendo Pe. Domingos Barroso, por que passaram a ser designados como «perdigueiros portugueses»? Quando é que os meramente podengos, portanto “não de mostra”, começaram a ser considerados como «podengos portugueses»? Se os sabujos eram homogéneos na península ibérica porquê vir a Soajo, e não ir ao Porto, Leiria, Sintra, Óbidos, Coimbra, Montemor, Guarda, Covilhã, Évora, etc., se nestes havia, segundo Rodrigues, cães sabujos, iguais aos de Soajo?!

Também deve dizer-se que também os frades do mosteiro de Vila Nova de Muia, situado a escassos quilómetros do antigo território de Soajo onde D. Teresa, mãe deste rei, fundara no Soajo o mosteiro de Ermelo, à semelhança dos do mosteiro de S. A. de Gondomar (situado numa vertente sul da mesma serra da Amarela) criavam igualmente sabujos para o rei D. Afonso Henriques! Situando-se V. Nova de Muia, quase em frente ao antigo Soajo, não são mais razões que podem apontar para cães do tipo de sabujo de Soajo  continuarem, nos séculos seguintes, a ser mandados aos reis de Portugal? Neste reinado, com tantas lutas contra os mouros e castelhanos, os frades não teriam condições mais favoráveis que os Soajeiros para se relacionarem com o rei e para lhes prestarem serviços mais proveitosos? Seja como for os cães de Muia e Gondomar, eram da mesma região, porém, se eram sabujos da qualidade dos de Soajo, ou do tipo dos orelhudos ibéricos não sabemos! Mas é uma certeza que os sabujos idos de Soajo já estavam, antes de 1258, à disposição do rei, pelo menos para que com os monteiros de Soajo pudessem com os reis caçar quando ultrapassava o rio Douro, sendo assegurada no mínimo a alimentação aos soajeiros e aos sabujos! Mumadona tinha caçadores de caça grossa, isto é, monteiros, em Soajo antes de Portugal existir.

 Mas assevera Rodrigues que havia terras com «três séculos e meio» antes de Soajo a servir, o primeiro monarca, com sabujos!

Isto, é um grande disparate, pois ANTES DO FORAL de 1514, PROVA-SE, SEGURAMENTE, que eram enviados de Soajo os «CINCO SABUJOS», para serviços dos reis e que «fidalgos desde sempre não podiam viver» e caçar em Soajo! O REI D. JOÃO I, EM 1401, MANDA PROTEGER OS SABUJOS DOS SOAJEIROS!

No couto do mosteiro de Gondomar e em V. N. Muia desconhece-se, por não haver provas, se havia ou não impedimentos para caçar livremente, em tempos posteriores ao reinado do rei fundador de Portugal. Certezas muito convincentes existem nos livros das chancelarias reais, e que dão muito nas vistas a quem os consulta! São superabundantes informações quer relativas aos monteiros de Soajo, quer a referências de Sabujos em Soajo, como directamente observei, e de que também deu NOTÓRIAS notícias o Dr. Félix Alves Pereira, ilustre arcuense e dedicado cultivador de antiguidades históricas!

Mas quem não sabe é que quer informar os PORTUGUESES com aldrabices sem conta!

  1. Quanto ao facto de os moradores de Dornas e Ferreira, terem o privilégio de não serem constrangidos a serem “besteiros do conto”, por serem monteiros do Mestre de Cristo, e por mando dele criarem sabujos e terem ascumas, quero dizer que Rodrigues escreveu mal a data, porque foi em 1411 e não em 1441, portanto, o documento foi emitido trinta anos antes!

Rodrigues por causa de ter sido mal datada uma exposição canina em Lisboa, no século XX, em que participaram sabujos da raça de Soajo, disfarçados de “castros”, embora, individualmente, não tivessem o nome “Castro”, porque lhe fora dado o nome “Suajo”, o castrejo fez um alarido enorme! Será que irá fazer igual alarido enquanto não corrigir o seu erro, relativo à data ERRADA POR ALTERADA em 30 anos?

Deverá dizer-se que além dos privilégios de que gozavam os monteiros de Soajo em 1288, também em Soajo se criavam cães sabujos e eram possuidores de ascumas e buzinas, ao tempo o rei D. Pedro I, em 1359. Se este rei confirmou privilégios aos monteiros de Soajo possuidores de cães sabujos, de buzinas e ascumas, quer isto significar que já haviam sido concedidos por rei anterior e em data anterior! Sabe-se também por documento régio de 1385, que D. João I também confirmou todos os privilégios e liberdades (entre as quais a da não submissão a fidalgos e poderosos) aos moradores do concelho e julgado de Soajo. Igualmente, em 28 de Abril de 1396, privilegiou os monteiros da Montaria de Soajo, seus servidores nesta «comarca», dispensando-os de serem militares besteiros do conto, e de serem obrigados apenas a possuírem SABUJOS e ascumas! Repete-se, em 1401, o rei D. João I foi em defesa dos Sabujos de Soajo para fidalgos ou quaisquer outras pessoas não os tomarem!

 Se em Soajo - terra de MONTARIA coutada (protegida) do rei – existiram estes factos, antes de 1411, como é que em Dornas e Ferreira, que era coutada privada do Mestre de Cristo, há uma autoridade histórica e documental igual ou superior à de Soajo em matéria de sabujos?! Não são em Soajo as referências documentais referidas, todas anteriores, mesmo considerada a data corrigida para 1411?!

 Porém, em Dornas e Ferreira criaram-se sabujos, mas nada se diz se lá nasciam ou não, nem se os enviavam aos reis de Portugal, numa dada quantidade, e com uma determinada periodicidade! Abasteciam-se em Dornas e Ferreira de sabujos de Soajo ou dos ibéricos, ou dos dois? Porém, tendo sido concelhos as terras de Dornas e Ferreira não viram consagrados nos seus forais referências a sabujos, como sucedeu em Soajo!  Por isto se vê que os SABUJOS de Soajo, tidos pelo “Tretas” como rafeiros reles ou ordinários, estiveram, ao longo dos séculos, no pódio pelas suas extraordinárias e talentosas utilidades, e não por ganharem TROFÉUS em concursos caninos de beleza! SÓ PESSOAS RELES SÃO CAPAZES DE TANTO!

MAS HÁ QUEM SIGA E QUEIRA TAMBÉM INTRUJAR OS PORTUGUESES COM AS ESTULTICES DO “LÉRIAS”! 

LAMENTA-SE!

  1. Recorreu Rodrigues a outro documento da aldeia de Fataunços [terra natal do geógrafo Prof. Amorim Girão], com data de 1394, neste tempo pertencente ao julgado de Lafões e, actualmente, integrado no município de Vouzela, à beira do rio Vouga. Fataunços na época era atravessada por «uma grande estrada» pelo que fidalgos e poderosos por lá passavam com frequência e à força lhes tomavam «roupas de camas, pão, cevadas, vinhos e palhas.» Tinham os moradores desta aldeia «desde sempre» por foro, costume e privilégio de que «nenhum fidalgo ou poderoso» pudesse pousar nesta terra nem se servirem de «palha, cevada, ervas, roupas, galinhas, cabritos e outras coisas» contra as suas vontades. Portanto, os fidalgos em Fataunços, não podiam obrigar os moradores a terem de lhes dar aposentadoria! Serviu este diploma para Rodrigues tentar incutir também a ideia de que havia inúmeros sabujos no país! Mas Rodrigues mente quando escreve que os moradores desta aldeia receberam nesta data privilégio por «manter sabujos para acompanhar o rei»! Na verdade na carta de privilégio refere-se que deviam «manter um sabujo» e que «um homem dos da dita aldeia há-de ir com os reis quando aí forem na comarca ao monte por esta guisa levando um pão quente na pá (“nabaa”, sic) como sair do forno e andar na montaria com o sabujo, ascuma e buzina enquanto o dito pão for quente e mais não.»! Esta expressão não passa de uma imagem, de uma metáfora, para significar que, se os reis não podiam quase parar em Fataunços, muito menos os fidalgos ou poderosos o poderiam fazer, inclusive parar, nem tão pouco caçar no monte de Fataunços! A imagem também sugere que a passagem pela estrada em Fataunços dos fidalgos subordinava-se à ideia de “toca a andar”, ou dita desta maneira: «não poder viver nenhum fidalgo nem residir por mais tempo que de passo quando fizer seu caminho», como fora redigido mais tarde, em 1605, para as coutadas do rei de Almeirim, Muge e Salvaterra! Também é importante salientar que em Fataunços não havia monteiros nem se criavam sabujos como se fazia nas montarias do rei que eram defesas, isto é, coutadas. Mas o facto de os seus moradores poderem ser, frequentemente, importunados pelos fidalgos que viajavam pela grande estrada que passava em Fataunços, fez com que o rei D. João I por razões de a manter povoada, lhes passasse carta de privilégio. Mas só depois de constatar que era verdade o que diziam, por leitura de inquirição antiga que mandou tirar, é que lhes confirmou o privilégio para continuarem a ver respeitados os usos e costumes que tinham «desde sempre», ordenando aos corregedores e juízes que cumprissem e fizessem cumprir o exposto na carta de privilégio.

  2. Em todo o concelho, julgado e montaria de Soajo, identicamente, os soajeiros também gozavam do privilégio de fidalgos e poderosos não poderem neles viver e residir. Mas quanto à lista das coisas e bens que lhes podiam abusivamente tomar não salientaram roupas, pão, ervas, cevadas, etc., como em Fataunços, antes se destacou um bem com grande realce por ser muito estimado pelos reis: os sabujos! Isto mostra bem quanto já, em 1401, se apreciava a raça de cães que mereceu cuidados especiais por parte do rei D. João I e dos outros reis que do concelho de Soajo os receberam como se fossem mais do  que um tributo, mas preciosas "JÓIAS DA COROA"! Por tal mandou-os defender, sobremaneira, cominando a quem os tomasse pesadas coimas! Transparece-se no diploma que também os fidalgos muito ambicionaram os cães da serra de Soajo, solar do sabujo português ao longo de vários séculos. O comum sabujo ibérico era um cão detentor de menor porte e era muito orelhudo, e muito menos poderoso que o grande sabujo da serra de Soajo. Convém ainda referir que a simbólica imagem da permissão de fugaz estada na autarquia municipal e montaria de Soajo, foi desta forma referida pelo Padre Carvalho da Costa: «os fidalgos não podiam demorar mais tempo em Soajo que o esfriar de um pão quente posto ao ar na ponta de uma lança»! Portanto, na aldeia de Fataunços e no concelho de Soajo, assemelham-se muito os aspectos metafóricos relativos às relutâncias vivenciais dos fidalgos, porém, diferenciaram-se, significativamente, quanto ao tratamento dos sabujos nas duas privilegiantes cartas régias, emitidas por D. João I. De realçar também que em Soajo este privilégio foi tido como vindo desde «sempre de antigamente», até 1401 e, foi-o, por causa de em Soajo haver uma Real Montaria para proteger as florestas e fauna selvagem em que os monteiros tinham de andar armados com ascumas (lanças) e protegidos por sabujos. De facto em 1258, 1288, 1401, 1514, 1706, 1716, 1752, 1821, entre muitas outras datas se constatou que na «Terra e Concelho de Soajo» com sua específica «REAL MONTARIA» e especiais Sabujos não houve fidalgos a poderem livremente viver e caçar, nomeadamente, o rico-homem, governador no julgado de Valdevez, no século de 1200! Soajo foi durante séculos e séculos uma autêntica «ANDORRA PORTUGUESA»!

  3. Rodrigues apresentou mais outro documento para tentar trivializar os sabujos da serra de Soajo.

  4. Foi o da Montaria da serra de Cabril, instituída a 8 de Novembro 1483 pelo rei D. João II, com o propósito essencial de se protegerem as florestas do concelho do Cabril e para uma boa preservação da cabra montesa. O seu território foi inserido na época liberal no de Castro Daire. É terra de lindos vales e montanhas na serra de Montemuro, voltados para o rio Paiva, cujas águas são conduzidas ao rio Douro. Embora não fossem as suas florestas coutadas e defesas como anteriormente noutras Montarias do Reino, passou a dispor de vinte e cinco monteiros oficiais e um monteiro-mor gozando dos privilégios e liberdades dos outros oficiais das Montarias antigas coutadas e defesas, de entre as quais a Montaria de Soajo. Em 1498, foram extintas várias áreas protegidas, porém as montarias de Cabril, Soajo, Sintra, Évora, Alcácer, Óbidos, Coimbra, Leiria, Aveiro, Santarém, e Montemor continuaram para efeito de nelas se protegerem a fauna de possível exaustão pela caça, e a depauperação das respectivas matas florestais. Rodrigues escreveu que «os monteiros das matas do Cabril tinham de criar sabujos». No documento oficial relativo ao concelho e montaria do Cabril diz-se que os «vinte e cinco monteiros sejam theudos de terem sabujos continuadamente». Ora sabendo-se que os monteiros das Montarias já existentes eram obrigados como oficiais (funcionários) a terem sabujos para cumprirem os serviços públicos de vigilância, para poderem gozar dos diversos privilégios, também os novos empossados pelo Monteiro-Mor do Reino como monteiros da Montaria do Cabril acederam aos mesmos direitos e sujeitaram-se aos mesmos deveres. Também se sabe pelos Regimentos dos sucessivos monteiros-mores do Reino, anteriores e posteriores a 1483, que se os monteiros ao serviço da Coroa Portuguesa, na corte e nas montarias locais, não cumprissem nos seus cargos públicos devidamente, sujeitavam-se a penas e castigos e, ainda, poder-lhes-iam TIRAR os sabujos e entregá-los a outros monteiros. Se isto acontecia é porque os sabujos embora na posse dos guardas monteiros eram propriedade do rei ! E se os sabujos iam de Soajo para os reis, não é difícil perceber que, também, os monteiros do Cabril dispunham dos «grandes e valentes sabujos» da serra de Soajo!

  5. No foral do concelho de Cabril, autarquia que nada tem a ver com a serra do Gerês, não constam os sabujos, e a sua montaria foi muito tardia relativamente à de Soajo; aquando da reforma de 1605 não foi referida, mas documentos oficiais dos anos vizinhos de 1810 ainda se referem à nomeação do monteiro-mor do Cabril, sem que saibamos se nesta época o era apenas para a «montaria dos lobos e mais bichos» à semelhança de muitos outros concelhos de Portugal!

  6. Como Rodrigues recorreu a seguir a documentos que ultrapassaram a Idade Média, bem como o ano de 1500, para se referir às matas reais da Montaria de Óbidos e a de Alcobaça que também tiveram servidores públicos para a protecção e vigilância das mesmas, e como não apresentou documento algum do tempo do rei D. Fernando que respeitasse aos monteiros que guardavam as montarias e as matas reais irei eu fazê-lo. Apontarei um exemplo paradigmático relativo às «matas da Urqueira» geridas também por um oficial monteiro-mor. Em Janeiro de 1377 foi passada carta de nomeação ao monteiro-pequeno Lourenço Domingues, morador no Olival a que Urqueira pertencia, ambas no termo do antigo e actual município de Vila Nova de Ourém, portanto orbitando na Montaria de Leiria. Respigo do documento parte dos privilégios de que veio a usufruir entre eles o de «nenhuns poderosos usarem os seus aposentos de morada, nem lhe tomarem roupas de cama, nem palha, nem lenha, nem galinhas, nem gados, nem pão, nem vinho, nem cevada, nem bestas, nem outras nenhumas coisas contra sua vontade. Nem pague em fintas nem em talhas nem em aduas (?), nem em jugadas, nem em oitavas, nem vá com presos, nem com dinheiros. E que seja dispensado de todos os outros encargos do concelho onde mora, que não vá às chamadas de galés nem em fronteiras». Abordam-se a seguir a proibição de abate de árvores, de porcos-bravos, veados, de fogos, etc., e quem o fizesse sujeitava-se a pagar coimas a estes monteiros e a serem presos para serem julgados pelas justiças, mas não podiam ser soltos sem autorização do rei. Importa dizer que este monteiro nomeado era obrigado a ter um sabujo e uma ascuma (lança) no exercício do seu OFÍCIO público. Outra curiosidade da Urqueira que deve ser apontada, é que havia permissão de só vaguearem soltos nas matas os porcos domésticos dos moradores locais, mas os dos não moradores poderiam ser mortos pelos monteiros vigilantes, e para estas tarefas como para outras, um sabujo e uma lança eram instrumentos indispensáveis no cumprimento deste ofício régio. Aqui se justifica uma das razões porque andavam armados com lanças (ascumas) os guardas monteiros. Tem este documento grande importância para o poder comparar com outro de 1450 que o rei D. Afonso V assinou para que se mantivessem os privilégios que haviam sido concedidos antigamente ao monteiro-mor da Montaria de Soajo e aos restantes monteiros nela colocados. Devemos, portanto estar alertados de que o rei D. Afonso V não os concedeu pela primeira vez, apenas se limitou a confirmá-los para que continuassem em vigor no futuro. De entre os diversos privilégios e liberdades assume neste documento relevância, o de os oficiais monteiros e só eles, estarem também isentos dos encargos perante a Coroa, e ainda dispensados de todos os cargos e encargos do concelho de Soajo! Na verdade, neste documento oficial, o rei disse que a carta de privilégios que passou e assinou foi feita porquanto «fomos certo por Carta e privilégios que tinham dos reis de ante nós que sempre foram privilegiados e escusos dos ditos encargos e gozaram das ditas liberdades.»! Quer isto dizer que no reinado de D. Fernando e nos dos reis anteriores, os monteiros em exercício na Montaria de Soajo já eram também obrigados a terem sabujos e ascumas para exercerem os seus ofícios profissionais como nas demais Montarias do reino. Mas quem não estava dispensado dos cargos e encargos do concelho de Soajo eram os moradores Soajeiros que não fossem profissionais na Montaria! Todavia gozavam também os moradores de outros privilégios que não eram totalmente iguais aos dos funcionários monteiros! De facto, em 1385, o rei D. João I em documento oficial que assinou, deixou testemunho para os vindouros que, neste ano, confirmava aos moradores do concelho de Soajo «todos os seus privilégios e liberdades e todos os seus bons usos e costumes que sempre houveram e de que sempre usaram e costumaram até à morte do rei Dom Fernando.» Ordenou o monarca que o confirmado fosse acatado pelos habitantes do município de Soajo como «sempre usaram e costumaram em tempo dos outros reis que antes de nós foram». No diploma de 1401, emitido pelo mesmo rei como resposta às solicitações dos «VEREADORES, PROCURADOR E CONCELHO E HOMENS BONS DA TERRA E JULGADO DE SOAJO», ficou também claramente declarado que os Soajeiros «SEMPRE FORAM ISENTOS E PRIVILEGIADOS»! Sabemos que os oficiais da Montaria de Soajo foram ainda mais privilegiados e isentos pois tinham alguns privilégios específicos, como vender gados para o país vizinho, não sujeição ao exercício de certos cargos, ao não suporte de vários encargos perante o concelho de Soajo, etc., privilégios que não gozavam os restantes moradores do concelho de Soajo! Convém todavia dizer que as isenções de que «sempre» usufruíram os moradores do concelho de Soajo, também constatadas em 1401, relativas ao não pagamento de tributos e foros sobre as produções geradas no concelho de Soajo, não foram senão resultantes da obrigação da entrega anual de cinco sabujos, ficando aqui compreensível que já vinham, portanto, dos tempos dos reis anteriores a D. João I, como se depreende deste e de outros documentos. Neste documento de 1401 quis o rei português destacar, entre os diversos bens possuídos por todo o povo de Soajo - plebeus privilegiados - um muito especial e apreciado pelos monarcas de Portugal: os SABUJOS! Ordenou às pessoas em geral de «qualquer estado e condição», de entre as quais também os privilegiados fidalgos que queriam residir em Soajo e outros poderosos (que recrutavam por vezes degradados e malfeitores para alcançarem ignóbeis desígnios) que a especial raça canina dos sabujos passou a estar sob protecção régia! Portanto além da ISENÇÃO de tributos e de foros e da LIBERDADE já anteriormente asseguradas aos moradores do concelho de Soajo pelos reis de Portugal, quis D. João I, em 1401, «defender os sabujos» no já, então, remoto SOLAR DA RAÇA CANINA DA SERRA DE SOAJO! Cominou drásticas medidas para resguardar os SABUJOS, lançando a pesada pena de seiscentos reais (seis mil soldos) a quem ousasse roubar os tão preciosos cães SABUJOS de Soajo!

 Articulando os diversos documentos que aludem aos privilégios dos moradores do concelho de Soajo somos levados a considerar que a principal benesse declarou-se na continuidade do não pagamento de foros e tributos ao rei ou à coroa de Portugal conforme foi posteriormente detalhado e aclarado em três documentos: um diz-nos o que se estava a passar na matéria relativa aos sabujos antes da emissão do foral de 1514 o qual refere que «somente pagam ao rei cada ano por toda a renda cinco sabujos feitos de monte aos tempos que manda por eles ou eles lhos levam»! Testemunharam e assinaram o documento sob juramento dois magistrados, o juiz de Soajo e um vereador e, ainda, três homens-bons do concelho de Soajo; o segundo diploma respeita à minuta do foral de 1514 e nele consta sobre este assunto: «não pagam (…) nenhum foro nem tributo real porque são obrigados de nos darem em cada um ano aos tempos que lhes mandam requerer ou eles os quiserem mandar cinco sabujos feitos de monte sem outra nenhuma coisa»; o terceiro respeita ao próprio foral e nos aspectos dos sabujos cães apenas alteraram do que consta na minuta a menção «não pagam» para «não pagarão» pelo facto de os conteúdos do foral se aplicarem para o futuro da data da sua emissão. Como no documento do processo para a feitura do foral de 1514 foi atestado que não havia no concelho de Soajo nenhum foral nem escritura pública que obrigasse os moradores do concelho de Soajo a pagar direito real e que só pagavam os cinco, somos levados a concluir que, mesmo havendo vereadores em Portugal desde o rei D. Afonso IV, a câmara municipal de Soajo e os Soajeiros assumiam muitas das obrigações e exerciam direitos com base nos usos e costumes e também em obediência aos diplomas régios como cartas e confirmações de privilégios! É importantíssimo realçar que as cartas de privilégios e o direito costumeiro se assumiram como normativos estruturantes no concelho de Soajo em matérias de relacionamentos internos e com o poder régio, devido à inexistência da principal carta de privilégios que era a «carta de foros», mais tarde designada no país por foral. Aliás, disto nos dá conta, objectivamente, o documento supramencionado de 1385, em que se confirmam «ao concelho e julgado de Soajo todos os privilégios e liberdades e todos os bons usos e costumes que sempre houveram e de que sempre usaram e costumaram»! Também o diploma oficial régio de 1401 diz «que sempre de antigamente se usou e costumou que nenhum fidalgo nem outro poderoso não morava nem vivia nem comprava nenhum herdamento» no concelho de Soajo. As leis que mais tarde foram compiladas e integradas nas Ordenações Afonsinas coexistiram com o direito consuetudinário e as cartas de privilégios, sendo elevado o peso que nesses tempos ainda tinham os usos e costumes como comandos normativos no concelho de Soajo, de que o envio dos cinco sabujos é um bom exemplo.

                                            (continua)

 

ATACOU O NOME «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO», MAS EXALTOU O FALSO NOME "CÃO CASTRO-LABOREIRO"!

 

DSCN8967.JPG  Um soajeiro "australiano" visitou o «Memorial-Padrão de Factos Históricos»

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 À esquerda, na foto, um sabujo igual a tantos outros que, anualmente, ao longo de séculos, partiram em número de «cinco» para os reis de Portugal.

Em 1907, SUA MAJESTADE, EL-REI DOM CARLOS, ainda usava os pequenos e orelhudos sabujos da Ibéria existentes também na Idade Média.

Mas segundo o "batoteiro do axioma" o sabujo da «Serra de Soajo», existente em 2017, em  Castro Laboreiro e Soajo, como, apenas, sabujo de Soajo, só servia para caça grossa! O de Castro é diferente, disse o "Lérias", pois não serve para caça grossa, mas somente (ou só mente!) para acompanhar os gados e guardar as casas!

COMO SE VÊ NA FOTO O «SABUJO DE SOAJO» USADO PELO REI DOM CARLOS TEM UM ASPECTO E FUNÇÃO COMPLETAMENTE DIFERENTE DOS "RAFEIRITOS DE CASTRO LABOREIRO, DIRÁ O "TRETAS"! TODAVIA, EM 1935, FORAM PADRONIZADOS PELO PROFESSOR MANUEL FERNANDES MARQUES QUE EMBORA NESTE ANO  ESCREVESSE QUE ERAM SABUJOS E QUE EXISTIAM EM SOAJO, NÃO SE DEVIAM CHAMAR POR «CÃO DE SOAJO»!  O NOME, DEVIA SER, SÓ «CÃO CASTRO-LABOREIRO» ESCREVEU ALDRABADAMENTE O PROFESSOR!

SÓ QUE OUSOU O AUTOR DO ESTALÃO, ATRIBUIR, OS DOCUMENTOS DE SOAJO SOBRE O CÃO, A CASTRO LABOREIRO!  

QUE ALDRABICE!

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O SABUJO DA SERRA DE SOAJO AFINAL NÃO SERVE SÓ PARA GUARDAR OS GADOS DOS LOBOS!

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 O PADRE ANÍBAL RODRIGUES, ASSISTE EM CASTRO LABOREIRO, SUA TERRA NATAL, A UM CONCURSO DA RAÇA QUE AJUDOU A CONSERVAR, CONSIDERANDO-OS COMO CÃES SABUJOS!

 

DSCN8971.JPG   Escultura do «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO»

 

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Junto ao Miradoiro do «Largo dos Cruzeiros» encontra-se o mais comprido canastro (espigueiro) da vila de Soajo, onde já se nota o começo da descida abrupta para o vale do «Rio Soajo», onde se encontra, não uma "lagoa" (isto é um disparate), mas sim o encantador «POÇO NEGRO» com a sua maravilhosa cascata! 

 

 

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 O mais pequenino canastro situa-se em frente da antiga eira dos Cruzeiros, bem perto do mais extenso.

 

 

 

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 O "REI", NASCIDO EM SOAJO, É UM BOM EXEMPLAR DO MULTISSECULAR CÃO SABUJO!

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 A prova de que eu, em 6 de Fevereiro de 2003, consultei o Arquivo do Monteiro-Mor do Reino  de Portugal, na Torre do Tombo! Incrivelmente, quem aldrabou, quem mentiu, foi o castrejo Américo Rodrigues que quer defender o nome errado "cão castro-laboreiro" e negar o verdadeiro nome: «CÃO SABUJO DE SOAJO»!

O cão da SERRA DE SOAJO é claramente um «Sabujo» como escreveu o autor do estalão Professor Manuel Fernandes Marques, bem como o saudoso Padre Aníbal Rodrigues!

Quem tem, ao longo dos muitos séculos de Portugal, DOCUMENTOS, sobre o cão Sabujo, é Soajo, até antes do foral manuelino do concelho concedido em 1514, como ainda nos séculos seguintes! Quem aldraba que o livro de Camilo Castelo Branco, "A Brasileira de Prazins" foi publicado em 1845, só para antecipar o conhecimento do cão em Castro, não merece credibilidade! Pois, na verdade, só  foi publicado em 1883! Só depois de Pinho Leal ter publicado algumas fantasias sobre o cão, foi a vez de o sabujo de Soajo, já seguramente a residir em quantidades observáveis na vizinha freguesia de Castro Laboreiro,  ganhar uma muito parca expressão no texto camiliano! Mas há quem goste de mentir...só para justificar uma maior antiguidade numa terra onde não conseguem recuar para antes da extinção do concelho, operada em 1855! Afinal, os tempos REMOTOS do cão sabujo provam-se só com testemunhos ESCRITOS de SOAJO!

O grande aldrabão de Castro Laboreiro, até teve o atrevimento de mentir sobre a visita que eu fiz à Torre do Tombo! Inacreditável...

Mas um residente em Soajo, não natural de Soajo, recomendou as aldrabices de um tal Américo Rodrigues, nascido em Castro Laboreiro, sobre uns artigos deste "Lérias", relativos  ao mesmo cão, pois não deseja que seja um sabujo!

Revelou Serra Lopes, também, muita "lata" e menosprezo por Soajo, embora resida numa moradia situada na vertente sul da «SERRA DE SOAJO» com amplas e magníficas vistas paisagísticas para o vale do rio Lima e SERRA AMARELA !

 

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No monumento à «SERRA DE SOAJO» está esta inscrição, onde figuram, Melgaço e Castro Laboreiro!

 

DSCN8012.JPGDeslumbrante cenário orográfico, moldado em anfiteatro, abraça a histórica «vila de Soajo» com os seus 300 metros de altitude. A serra do lado sul é a AMARELA, a que Paulo Choffat, em 1907, considerou também, por grosseiro disparate, o alternativo nome de «Serra de Suajo»! Esta afirmação levou os professores dos três graus de ensino a reproduzirem em geral este GRAVÍSSIMO ERRO! As povoções de Parada de Lindoso e Cidadelhe, ambas aldeias da freguesia de Lindoso, são banhadas nas suas bases profundas pelo rio Lima, cujo vale separa a serra de Soajo no lado norte,  da serra Amarela, a sul deste rio. Nesta zona o leito do Lima tem cerca de 50 metros de altitude.

 

DSCN7994.JPG No seio da vila de Soajo encontra-se o seu ex-libris, ladeado por um edifício escolar levantado, na década de 1930 e que recebeu os professores e alunos no ano lectivo de 1940/41.  

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  Vista parcial da Serra de Soajo, onde se observa uma das paredes do FOJO da «Fonte das Forcadas». Este muro localiza-se, ainda, na autarquia de Soajo, embora se encontre para além da montanha do Outeiro Maior e do sítio da Pedrada. Portanto, do lado norte da maior montanha da serra de SOAJO situa-se, quase junto das nascentes do Rio Vez, o planalto da Seida, nesta foto invisíveis devido aos arbustos do lado esquerdo.

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 Outra vista parcial da vila de Soajo, situada a 300 m de altitude, com algumas das imponentes montanhas que a cercam do lado norte, mas em que está oculta a maior montanha da «Serra de Soajo».

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 A concentração de casas pode observar-se nesta vista do lado nascente da vila de Soajo, testemunhando um povoamento muito remoto. Começa do lado esquerdo da foto o terreno a inclinar-se para o vale do «Rio Soajo» onde o pitoresco «Poço Negro» se situa. Permite este trecho do rio que nos tempos de canícula os nadadores.se refresquem.

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  A uma via da cidade do Porto, na proximidade da Rua da Constituição, foi atribuída, por volta de 1948, a designação «RUA DE SOAJO», por Soajo ser nome de uma das principais serras de Portugal!

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 ATACOU O NOME «CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO», MAS EXALTOU O FALSO NOME «CÃO CASTRO-LABOREIRO»!

1-A SERRA NUM DICIONÁRIO - Quem vive, actualmente, em Soajo numa casa com belas vistas para a serra Amarela devia saber que ao servir-se do último «DICIONÁRIO PRÁTICO ILUSTRADO» editado pela «LELLO & IRMÃO – EDITORES» está a ver na margem sul do Lima, não a Amarela, mas sim a «Serra de Suajo», expressivamente, apresentada no mapa de Portugal a cores! Porém se consultar as diversas edições até 1972, no mapa de Portugal, nelas contido, não vê como se chama a serra a sul do Lima! Mas, olhando-as, passa a saber que a casa de Serra Lopes fica situada na única serra nelas apontadas, que é a «serra de Suajo»! Como o que vale, segundo Serra Lopes, é o último nome da serra usado, então, este homem com o seu «alter ego» de sabichão, se fosse professor de Geografia na escola militar onde ensinou, enganaria os seus alunos dizendo que a sua casa foi construída na “serra da Peneda”, e que tem umas óptimas vistas para a serra a sul do Lima, isto é, para a «Serra de Suajo»!

 Já que manifesta tanta sensibilidade perante os assuntos da Serra de Soajo, não quererá contactar a editora do actual dicionário Lello, outrora ligada à famosa livraria do Porto, para lhe propor a substituição do nome serra Amarela nele designada, indevidamente, por serra de Suajo, para “serra Lopes”!

2- SABUJO SÓ ANCESTRAL NO COUTO DE SOAJO – As origens ancestrais em Castro Laboreiro provadas com documentos não as conseguiu A. Rodrigues. E com “faro” só Serra Lopes ou outros como ele é que ingenuamente as aceitam. De facto na matéria do «cão sabujo da serra de Soajo» está Serra Lopes também muito iludido, em grande parte pelas intoxicações das tretas do “Lérias” de Castro Laboreiro! Mas deseja ainda que mais pessoas o estejam, ao recomendar as patetices escritas para as aprenderem, lendo-as! É pena que algumas instituições e alguns criadores que comercializam o cão, e outros reprodutores de falsidades, a quem enviei detalhada réplica, não ponham à disposição de Serra Lopes a crítica que reputo arrasante sobre as muitas falsidades que o intoxicam, como sucede com alguns outros leitores das «20 páginas»! É lamentável que o Rodrigues das “rafeirices” não aceite o desafio que lhe fiz para acabar com as injustas, malévolas e absurdas acusações que me fez.

Documento entretanto encontrado, e uma ida à Biblioteca Nacional, plenamente demonstram que quem é o verdadeiro mentiroso é o Rodrigues das tretas!

Convença, Serra Lopes, Rodrigues, para aceitar a minha proposta, que eu dou-lhe metade do prémio que iria receber do mentiroso que ousou lançar mão de baixezas inacreditáveis!

As minhas mais do que duzentas páginas de textos sobre o tema só não convencem pessoas que estão de má-fé contra Soajo!

Serra Lopes, talvez, ingenuamente, pretenda que apenas o cão de Soajo seja o sabujo peninsular ou ibérico, isto é, o sabujo geral dos dois países, e que, o do nome falseado para “Castro Laboreiro” não seja o cão sabujo de Soajo!

Os dados disponíveis contraditam em absoluto esta descabelada versão de não ser cão sabujo, e os escritos, também, do Padre Aníbal Rodrigues e do autor da estandardização deste cão não admitem minimamente que o cão não seja um especial SABUJO! As tretas do Lérias só convencem ingénuos, mal informados ou mal formados!

Saiba, Serra Lopes, que as investigações históricas que fiz, serviram e servem para desenterrar do esquecimento factos muito relevantes e de grande interesse para Soajo e, também para os Soajeiros que prezam este atributo. Estiveram ignoradas mas, felizmente, foram os conteúdos publicados para os colocar no futuro! Deste modo outra fase apareceu para também expurgar as impregnadas falsidades nas narrativas sobre um cão que permaneceu ligado a Soajo ao longo de tantos séculos!

3- A ESTÁTUA DO CÃO SABUJO - Passando a comentar o desbragado “comentário” de Serra Lopes começo por lhe dizer que discordar não é eticamente reprovável, mas mentir é feio! De facto dizer que assistiu no campo da feira da vila de Soajo à «descarga de dois enormes cães de pedra destinados a uma estátua» é mentira, porque só foi descarregado o que incorpora o monumento que glorifica o cão que permitiu alcançar marcantes benesses aos Soajeiros de todo o antigo município e montaria de Soajo! Disse que ficou «chocado», mas devia ter ficado alegrado se gostasse verdadeiramente de Soajo ou se não estivesse nesta matéria com tanta falta de lucidez! Será que a mesma simbólica relíquia histórica que consta no brasão de Soajo, também o incomoda?

Estranhamente argumenta que outras raças portuguesas não tiveram a honra de uma estátua, para tentar persuadir que o «cão da serra de Soajo», nome que nega, talvez por adesão às batotas, às aldrabices do Prof. Manuel Fernandes Marques! Este não negou o nome das outras raças citadas por Serra Lopes e que também foram estandardizadas pelo professor e autor de quatro estalões de raças caninas portuguesas! Segundo o seu critério se outros não tiveram a iniciativa de as honrar, então em Soajo, como que seria também proibido exaltar o cão mais documentado em Portugal no decurso dos séculos. De facto, o «cão da Serra de Soajo» foi o único que mereceu especial protecção, em 1401, pelo rei D. João I, e que sucessivamente foi confirmada pelos reis de Portugal até 1834!

Mas Serra Lopes, erra ou mente porque, pelos menos, na praia da cidade de Albufeira o «cão de água português», mereceu dos autarcas locais a consagração artística junto dos esculpidos pescadores algarvios!

 Talvez que a pequena cachorra sabuja, que viajou com o grande e valente «cão sabujo da serra de Soajo», um dia possa alinhar ao lado de um «Soajeiro», emigrante, monteiro, lavrador e pastor da serra de Soajo! Alguém com os miolos no sítio, consagrou o «Soajeiro» no Museu Etnológico Português, na cidade de Lisboa, localidade que Serra Lopes tão bem conhece!

Afirma Serra Lopes que não existe a raça «cão serra de Soajo», mas está enganado, porque foi enganado, devido à leviandade e batotice do Professor Manuel F. Marques. Talvez o fizesse, julgando que ninguém investigaria as fontes de que se socorreu, e o que delas extraiu, para negar, mentirosamente, o nome consagrado nas obras que consultou, sobretudo as do inicio do século XVIII! Mas o que é inteiramente certo é que foram descobertas as suas inacreditáveis batotas!

De facto, Manuel Marques ao concluir das obras que consultou que este cão sabujo foi nesta época de 1700 muito «apreciado pelo seu poderoso domínio», sobre os animais de caça grossa, bem mostrou, através destas palavras da sua total lavra, que aldrabou porque elas dimanam de textos objectivamente dedicados a Soajo! Mas, mesmo assim, não teve vergonha de negar o nome «cão de Soajo» e atribuir os elementos recolhidos do mesmo cão, mas deturpando e desviando o seu nome para “cão castro-laboreiro”, e como exclusivo nome! QUE BATOTEIRO!

Mas, apesar de tudo, descreveu-o como «cão sabujo» e, mais disse que habitava também na serra de Soajo, embora esta entendida restritivamente devido às consequências das deturpações, também intencionais, de Gerardo Pery e de Paul Choffat!

 O reverendo Padre Aníbal Rodrigues natural e pároco em Castro Laboreiro descreveu-o também como «sabujo» e disse que com ele caçou frequentemente, reputando-lhe qualidades excepcionais na caça!  

Sob o ponto de vista biológico existe a raça «cão sabujo da serra de Soajo», mas o que NÃO EXISTE é o nome, oficialmente, mas devia existir, porque havia existido ao longo de muitos séculos! Não fossem os erros, as aldrabices, as batotices, do Prof. Manuel Fernandes Marques não teria deixado de ser também usado!

Por tudo isso é necessário lutar em defesa da verdade, limpando as mentiras e, os erros dos que copiam! E a estátua ao famoso cão contribuirá, estamos certos, para derrubar as mentiras e exaltar o cão mais pretendido pela Coroa de Portugal e pelos reis para os serviços que entenderam prestar-lhes nos diversos séculos da monarquia!

4 - NO MEMORIAL COM HISTÓRIA - Quanto ao erro existente no monumento “Memorial de Factos Históricos de Soajo», Serra Lopes, não quis distinguir altura de uma serra, da altitude de uma serra. Uma altitude é uma altura, mas uma altura pode não ser uma altitude. Bem sabe Serra Lopes que se a altura máxima da sua casa for por hipótese de vinte metros, se fosse possível deslocá-la para o local de mais baixo nível da base da serra de Soajo, a sua altura continuava a ser a mesma, mas a altitude da sua casa baixaria de uns supostos trezentos e oitenta metros para cerca de cinquenta metros. Mas se fosse mudada para a Pedrada a altitude máxima subiria para cerca de 1436 metros.

 Embora a serra da Estrela que no monumento é referida como sendo a serra de maior altitude de Portugal, aspecto que não referiu S. Lopes, em termos de altura elevada da base da serra, a situação é bem diferente. Os supostos 1,70 m de altura de S. Lopes são os mesmos à beira-mar ou no ponto de máxima altitude da Estrela, mas o alto da sua cabeça está a substanciais diferenças de altitude nestes dos sítios! Bem sei que a consideração da extensão territorial das serras, isto é os seus perímetros, podem gerar controvérsias, e por consequência nas medição das alturas; mas, também custa a aceitar que, por exemplo, a serra do Larouco com os seus 1525 m de altitude, comparados com os 528 m da serra de Sintra, possa trazer à mente das pessoas que a do Larouco tem uma altura de cerca de mais 1000 m, quando na realidade em termos de elevação acima da base tem relativamente pouca mais altura que a de Sintra!

Já escreveu alguma vez, Serra Lopes, sobre as patacoadas gritantes, essas sim chocantes, da troca do nome da serra, feita pelos catedráticos Amorim Girão, Orlando Ribeiro, Raquel Soeiro de Brito, e outros! Esta última senhora até fez citação do livro do grande investigador e professor H. Lautensach, onde constavam as serras de Soajo, Gerês e Marão, e fez como Manuel Marques, agora não trocando o nome do cão dos textos a que recorreu, mas sim o nome da serra! Efectivamente, Raquel de Brito, ao trocar «Soajo» do texto que transcreveu, para «Peneda», cometeu gravíssima desonestidade intelectual! As serras que André de Resende em latim designou por «Soagium, Jurez e Maranus», mudaram para Saxum (Peneda) Jurez e Maranus, segundo a batotice desta ex-reitora da Universidade Nova de Lisboa?!

Susanne Daveau, geógrafa, da Universidade de Lisboa, fez a pesquisa dos nomes que as serras portuguesas tiveram, ao longo dos séculos XVI e XVII, sendo a serra de Soajo a mais citada! Todavia, escreveu que na actualidade se chama, exclusivamente, “serra da Peneda”! Instada por mim, tentou fazer a defesa com base numa referência ao pagamento de tributos aos reis das «pastagens da Peneda», desconhecendo que tal só se devia pelo facto de a Câmara Municipal de Soajo as arrendar! Isto permitiu que os gados de habitantes de outros concelhos as usassem, mas apenas numa pequena parte da serra de Soajo, conforme documento de 1650 nos elucida. Como só os rendimentos gerados pelos Soajeiros estavam isentos de impostos, estes gerados por não soajeiros eram tributados, e por tal mereceram referência especial!

Também a geógrafa Maria Fernanda Alegria, fez batota em «Cartografia Antiga de Portugal Continental» omitido a «Serra de Soajo» apresentada por Adriano Balbi apesar de este a ter considerado como uma serra notável de Portugal! Mas não teve pejo em copiar os duas mentiras de Gerardo Pery, sobre o verdadeiro nome da serra e o da sua máxima altitude!

Temos consciência que o perímetro da base da serra, maior ou menor, e a medida da elevação diferenciada entre a cota máxima e mínima levanta alguns problemas, e por via disto é que se usa o critério da altitude, se bem que este método levante também dificuldades de comparabilidade entre as serras.

 Desconhecerá, Serra Lopes, que cientistas como Link, Leite de Vasconcelos, Martins Sarmento, estiveram no santuário da Peneda no séc. XIX, e localizaram-se só na serra de Soajo? Também, em 1894, o notável naturalista e silvicultor, Adolfo Moller, nascido em Lisboa, veio estudar por incumbência da Universidade de Coimbra, a fauna da «Serra de Suajo», incluindo nestas os montes da Peneda, da Gavieira, muito anos depois de ter exercido o cargo de Administrador Geral das Matas do Reino, ou seja das Florestas Nacionais, o qual veio a suceder ao denominado «Monteiro-mor do Reino, extinto em 1821!

 Bem sei que na esteira do silvicultor Eugénio de Castro Caldas, os Soajeiros não falam o português de Portugal, mas sim o português da Serra da Peneda, pasme o caro leitor! Talvez para imitarem os castrejos que vieram trabalhar para a construção do santuário da Peneda, não em Montalegre, nem em Sistelo, mas no município de Soajo! O Prof. Castro Caldas, foi também responsável pela escolha do nome do Parque Nacional, mas como gostava muito de Soajo e dos Soajeiros, disse que o antigo parque da natureza - Montaria Real de Soajo - adquiriu o nome, não se riam, do nome “serra da Peneda”! Preocupou-se em defender o erro de que a sede de Soajo nunca fora vila, citando Félix Alves Pereira que, de facto o afirmou, mas esqueceu-se de dizer que este só se valeu de documentos anteriores a 1500! Na verdade se continuasse a observar os documentos emitidos pelos reis de Portugal e, por muitos outros, verificaria que a partir da década de 1530, depararia com milhares de referências que no concelho de Soajo passou a existir uma vila!

 Muito curioso, deveras interessante, foi Castro Caldas apresentar quatro versões, sobre o nome da serra de Soajo, em função dos textos das obras que ia reproduzindo. Mas destes quatro nomes alternativos escolheu, no que foi da sua lavra, para atacar Soajo, o nome aldrabado “serra da Peneda”, apesar do Dr. Félix Alves Pereira, ter chamado à atenção para o grave erro, direi eu mentira, resultante da troca da montanha do “Pedrinho” por “Peneda”, aquando da colocação dos marcos geodésicos na segunda metade do século XIX! Quer dizer para menosprezar Soajo, seguiu Alves Pereira, mas para escolher o nome da serra desprezou o que rigorosamente DEFENDEU o relator do texto que fez com que as antas da serra, em 1910, se categorizassem como monumento nacional, com a designação «ANTAS DA SERRA DE SOAJO»!

 Mas esqueceu-se de dizer na mesma linha da sua incoerência, que o nome Terra de Valdevez, resultou do VALE DO RIO MINHO!

 5- O JUIZ DA CÉLEBRE SENTENÇA - O mais célebre dos juízes de Soajo foi, segundo Castro Caldas, o juiz «João Cangosta», nome inventado, ficcionado, por Teixeira de Queirós, que nunca ninguém usou. O do vereador em Soajo, no ano de 1819, e depois juiz de 1ª instância, também com competência em matérias de crime, no Julgado de Soajo, por aprovação de Sua Majestade, em 1822, e que tinha o nome verdadeiro de Manuel Domingues Sarramalho, não se deve usar porque embora seja um facto histórico não se coaduna com a invencionice “de uma Lenda” por quem nada investigou sobre este tema! 

Soubemos, recentemente, por documento pesquisado pelo Dr. José Pinto, autor de obras literárias sobre temas da freguesia da Gavieira que em 1667 era juiz ordinário do «termo da villa e montaria de Soajo»,  Braz Domingues, natural de Tibo! Nesta época de 1667 já com Portugal restaurado e a livrar-se das longas guerras da restauração, o juiz exercia não só em matérias judiciais, mas também nas de administração pública. O juiz Sarramalho era de Tibo, João Manuel Domingues assassinado pelo criminoso Tomás Condesso (do lugar de Quingostas) era, em 1838, presidente da Câmara Municipal de Soajo e natural de Tibo, e como o juiz Braz Domingues também era tibeiro, então ao que parece Tibo, através de Domingues fez figura em Soajo. Aliás, presentemente, um «Domingues», hexaneto de João Manuel Domingues, é um activo dinamizador de um dos Ranchos Folclóricos de Soajo!  Enfim, tibeiros de genes talentosos!

6- A MORTE DE UM AUTARCA - O presidente da Câmara Municipal de Soajo, João Manuel Domingues, assassinado  como antes dissemos, em 1838, no terreiro do santuário da Peneda pelo melgacense Tomás Condesso, usava como "nome oficial", o de “Marado”, e assim passará para a história local, por outra invencionice do rebaptismo de Castro Caldas, plasmada na «monumental obra» (sic) com muitas ficções históricas, cujo título é “Terra de Valdevez e Montaria de Soajo”! Todos os documentos oficiais de instituições governamentais, judiciais e militares envolvidas na trama do assassinato e prisão do quadrilheiro Tomás, pelos vistos não merecem ser respeitados!

 Mas quem quer que, correctas identidades de Soajo e os bons nomes de destacados Soajeiros, continuem conspurcados é Jorge Lage, porque quem bem os defende e nada engana, é o sabichão Serra Lopes, e sem “alter ego”! Mas recomenda a outros, tóxicos, sem novos “chiqueiros”, nada nojentos!

Não fiquem deslumbrados com tanta eloquência e sigam pois as sugestões do “capitão-mor” Serra Lopes, porque com ele não são enganados, pois quem engana é um simples “sargento-menor” carregado de «alter ego»!

7 - O QUE ENTENDEU POR SABUJO! - Mesmo assim, continuemos a apreciar mais interessantes argumentos apresentados pelo dotado Serra Lopes! Elucida os seus leitores com uma novidade notável retirada de um dicionário em que se refere que, «um sabujo é um cão de caça»! Como Serra Lopes ainda anda a gatinhar nestes domínios devia saber que o sabujo não era na Idade Média um mero cão de caça, porque o então chamado «podengo de mostra», por exemplo, também o era, mas não de CAÇA GROSSA! Não quis Serra entrar com o meu contraditório no Notícias dos Arcos, e saber que o sabujo de Soajo não era o Espanhol e, por isso mesmo é que, em 2011, o considerei como cão sabujo de Soajo ou cão sabujo português, antes do Lérias de Castro vir contestar disparatadamente os meus artigos. Mas que culpa tem Portugal das batotas do doutor Manuel Marques, apesar de considerar o cão da «Serra de Soajo, existente também em Castro Laboreiro, como um cão sabujo! Serra Lopes que diga se era o sabujo peninsular ou se era um sabujo diferente! Se há e houve outros sabujos noutros países diferentes do Espanhol, e sabendo que havendo um sabujo nas montanhas do Alto Minho, segundo os entendimentos e considerações dos Soajeiros, desde a Idade Média, passando pela Moderna até à chamada Idade Contemporânea, e ainda pelos escritos de Manuel Marques e do Padre Aníbal Rodrigues, então não houve e há um sabujo português em Castro Laboreiro, Gavieira e Soajo?! Meu Deus porquê tanta miopia!

Em Gondomar, na vertente sul da serra Amarela, e em Vila Nova de Muia, do lado norte desta serra, tinham nos conventos sabujos, mas seriam do tipo espanhol, ou seriam da raça da serra de Soajo? Como ambas estas localidades ficam nas vizinhanças das montanhas de Soajo e do concelho de Soajo, alguém pode garantir, objectivamente, que os sabujos neles criados não eram os de Soajo? Como estes são cães de caça grossa e de guarda de gados e de casas, e muito mais possantes, para agarrar os javalis e outros animais, do que os do tipo de sabujo espanhol, pois são muito mais pequenos e orelhudos, não seriam os sabujos do Soajo os preferidos, ou seriam os dos dois tipos?

O Soajo já antes da fundação de Portugal era uma terra de monteiros e de criação de gados, pelo que a criação de sabujos de «poderoso domínio» sobre as feras da serra de Soajo era uma exigência, porque imponentes montanhas de grandes inclinações facilitavam a vida aos lobos.

 8 – A REMESSA DOS «CINCO SABUJOS» - Ainda para não me alongar mais quero também apontar outro grande disparate, copiado por Serra Lopes do “Lérias de Castro Laboreiro”, o qual diz respeito ao facto de afirmar que só a partir do foral manuelino do município de Soajo, emitido em 1514, é que se enviavam «os cinco sabujos» aos reis! Apesar de estar seguramente documentado que antes deste foral, anualmente, já entregavam os preciosos «cinco sabujos» aos monarcas de Portugal, permitem-se falar do que não sabem!

Mas recomenda, Serra Lopes, mais asneiras e MENTIRAS do homem que diz que não precisa de provar NADA sobre o cão que diz ser só natural da Coutada Real ou Montaria Real: “Parque Zoológico de Castro Laboreiro”!

Pelo axioma afirmado na introdução das 20 páginas escritas por A. Rodrigues e recomendadas por S. Lopes, não merecerão os dois, o cognome de “O AXIOMÁTICO”? Fazer a história do SABUJO tão dogmaticamente é só possível com estes dois fantasistas... 

                                                            Jorge Lage

                                     

«CÃO SABUJO DA SERRA DE SOAJO» E A ALDRABICE DO NOME “CÃO CASTRO-LABOREIRO”

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 DOM CARLOS, CERCA DE 40 DIAS ANTES DE SER ASSASSINADO, ESTEVE ACOMPANHADO PELA SUA MATILHA DE CAÇA GROSSA EM QUE SE INTEGRAVA O PEQUENO SABUJO ESPANHOL QUE SE VÊ DE COSTAS COM UMA MANCHA BRANCA DO PESCOÇO PARA A CABEÇA E ORELHAS PENDENTES GRANDES. PODE VER-SE O SABUJO IBÉRICO NA FOTO, ENTRE O REI E SEU COLABORADOR SITUADO DO LADO DIREITO, ESTANDO-SE VOLTADO PARA O CAVALO.

COMPLETAMENTE À DIREITA ESTÁ UM CÃO TALVEZ ALÃO, COM SUAS ORELHAS CORTADAS, CURTAS E ERGUIDAS.

DO LADO ESQUERDO DA FOTO VÊ-SE O CÃO SABUJO DE SOAJO, QUE AO LONGO DOS SÉCULOS FOI ENVIADO, CONFORME SE ORDENOU ANTES E DEPOIS DO FORAL DE SOAJO, DE 1514.

 USADO PELO REI, EM 1907, COMO CÃO DE CAÇA GROSSA E NÃO, NESTA CIRCUNSTÂNCIA, PARA GUARDA DE CASAS E GADOS! 

MAS DIZ O BATOTEIRO DE CASTRO LABOREIRO QUE SÓ NA IDADE MÉDIA ERA USADO O CÃO DE SOAJO PARA  A CAÇA GROSSA E, QUE ERA DIFERENTE DO QUE CONTINUA A EXISTIR EM 2017 EM SOAJO E CASTRO LABOREIRO!

LÁ DIZ O POVO: «APANHA-SE MAIS DEPRESSA UM MENTIROSO DO QUE UM COCHO.»

REIS AVÓS DE DOM CARLOS AMEAÇARAM OS PRIVILÉGIOS DOS SOAJEIROS SE NÃO ENVIASSEM OS «CINCO SABUJOS, ANUALMENTE» MESMO ANTES DA TAPADA DE MAFRA SER CONSTRUIDA.

NO PALÁCIO DE VILA VIÇOSA D.JOÃO IV  TAMBÉM USOU OS SABUJOS IDOS DE SOAJO!

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 O «CÃO SABUJO DA SERRA DE  SOAJO», FALSAMENTE, DESIGNADO POR "CÃO CASTRO-LABOREIRO" FOI TAMBÉM USADO PELO REI DOM CARLOS, EM 1907, POR MOTIVO DO «SEU PODEROSO DOMÍNIO» SOBRE A CAÇA GROSSA! MAS O GRANDE MENTIROSO DE CASTRO LABOREIRO - "O LÉRIAS" - DISSE QUE SÓ SERVIA E SERVE PARA GUARDAR GADO E CASAS!

OBVIAMENTE QUE IRÁ DIZER QUE NÃO É  O REI DOM CARLOS NA TAPADA DE MAFRA, NEM QUE NÃO HÁ NA FOTOGRAFIA SEQUER UM SÓ CÃO SABUJO  DOS GRANDES E VALENTES DA SERRA DE SOAJO!

DOS DOIS SABUJOS, UM DEITADO E OUTRO DE PÉ, FORAM USADOS APENAS PARA EMBELEZAREM A MATILHA OU PARA PROTEGEREM OS GADOS DOS TIROS, INVENTARÁ O LÉRIAS «AXIOMÁTICO»!

NO SÉCULO DE 1300 NO TRATADO DO MESTRE GIRALDO, SEGUNDO O LÉRIAS, SÓ SE CAÇAVAM AS FERAS NAS MONTARIAS DA IBÉRIA COM OS PEQUENINHOS SABUJOS, MUITO ORELHUDOS! OS GRANDES SABUJOS DA SERRA DE SOAJO QUE ABRANGIA O ESPAÇO MONTANHOSO DE C. LABOREIRO NÃO PRESTAVAM PARA CAÇA GROSSA!

SÓ SERVIAM OS GRANDES SABUJOS PARA GUARDAR AS VACAS DOS CASTREJOS, PORQUE, SEGUNDO O "ILUMINADO DE CASTRO" PARA GUARDAR AS VACAS DOS REIS, DE MUMADONA DIAS, E DOS SOAJEIROS, COMBATIAM-SE OS LOBOS E FAZIAM-SE AS MONTARIAS AOS LOBOS COM OS SABUJOS MUITO "PEQUENININHOS"  DA IBÉRIA, DOS TAIS JÁ CONTEMPLADOS PELO MESTRE GIRALDO QUE CITOU NAS TRETAS DO ARTIGO DAS «20 PÁGINAS»!

 

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 Este é o documento servindo de prova que, em 2003, estive a consultar o ARQUIVO DO MONTEIRO-MOR do reino, em Lisboa, mas o castrejo mentiu  DESCARADAMENTE quando escreveu no seu artigo de "20 páginas" escarrapachado na INTERNET que eu nunca o vi!  Ah, que grande mentiroso! Porém, o "Lopes da Serra" recomenda a  leitores todas as suas ALDRABICES sobre o cão!

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 Quase ao lado da primeira escultura em granito do «CÃO SABUJO DE SOAJO«, posam dois belos exemplares no HISTÓRICO SOLAR DA RAÇA QUE ABASTECIA OS REIS DE PORTUGAL!

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 Vista parcial da vila de Soajo tirada antes dos tremendos fogos da década de 2011.

 

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 Mais um sabujinho nascido em Soajo, com dois meses e meio, irá ficar na sua terra com a boa vontade do José António, conhecido por "Stress" por gostar de trabalhar a cem à hora, morador junto da Eira do Penedo! Os turistas que fotografarem o monumento à raça SABUJO, irão ver facilmente o vizinho «reizinho» pulando de alegria por não ter sido desterrado! Mais três irmãos ficaram também na vila de Soajo! Todavia, outro seu irmão, com o nome «Soajo»,  está radiante por ter viajado para as imediações de Vila Viçosa, onde os seus ancestrais levados pelo rei Dom João IV viveram agregados ao palácio dos «Braganças». E eram tão desejados por lá que. até este rei, ameaçõu os Soajeiros com a extinção dos privilégios se os «cinco» não chegassem, anualmente, a Lisboa, para ficarem.à sua disposição! 

QUANTOS IAM DE CASTRO LABOREIRO?

ZERO, vírgula, ZERO! Ou AINDA menos?

 

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Segue o texto que motivou este  título:

 Sou acusado, desde 2013, pelo castrejo Américo Rodrigues de nunca ter consultado o Arquivo do Monteiro-mor do Reino, na Torre do Tombo, em Lisboa!

Desafiado, desde 2015, para aceitar uma aposta pelo valor que quisesse, o mentiroso não só se quedou mudo, como continua a afirmar, através de artigo publicado na Internet, a mesma aldrabice! Corajoso...

 Acumula esta, a outras aldrabices, usando “retórica de tretas” para iludir os leitores, pois documentos para fundamentar a autenticidade e antiguidade muito remota do nome do cão que diz ser apenas da freguesia de Castro Laboreiro, não arranja, bem como outras referências na profundidade dos séculos, para poder historiá-lo com rigor e segurança. O tempo mais antigo a que chega reporta-se aos tempos posteriores à extinção do concelho de Castro Laboreiro, na segunda metade do século XIX! Porém, Soajo, tem-nos ao longo dos séculos em que foi montaria, concelho e julgado judicial, respectivamente, extintos, em 1821, 1852 e, 31 de Dezembro de 1853.

Em 1935, é pela primeira vez, negado o nome «cão de Soajo», pelo autor da caracterização do cão, ou seja do estalão, escrevendo no entanto que o cão também habitava no Soajo! E, ainda, mentirosamente, documentos, exclusivamente, reportados ao «cão de Soajo», foram tidos como sendo de Castro Laboreiro! Com estas aldrabices e batotas generalizou-se um outro exclusivo nome de uma raça de cão que havia, durante os séculos anteriores, originado a emissão de documentos régios abordando o cão sabujo de Soajo!

Tenho a requisição da consulta feita na Torre do Tombo, em Lisboa, como prova de que acedi ao sobredito Arquivo do Monteiro-mor do Reino, às 11 horas e trinta minutos do dia seis de Fevereiro de 2003! Se alguém estiver interessado mostrar-lhe-ei o original. Aliás já enviei fotocópia a várias pessoas e instituições.

 Se Rodrigues fosse pessoa honesta e idónea o mínimo que devia ter feito era um pedido de desculpa, a mim e aos leitores. Mas, intencionalmente, continua a mentir, porque atrevimento não lhe falta...

                 Serra de Soajo, Junho de 2017

                                              Jorge Lage

PARA SER VIGILANTE É PRECISO O 12º ANO, PARA SER PRESIDENTE DE JUNTA BASTA O 4º ANO OU MENOS DE ESCOLARIDADE!

 

 

Bem sabemos que a administração local do Estado se rege por normas diferentes da administração local autárquica! Também sabemos que cada vez mais se pretende entregar às autarquias locais poderes de decisão que sempre exigirão um maior nível de formação ESCOLAR para tratar devidamente as «coisas públicas». Ainda sabemos que há decisões de natureza política e de ordem técnica, mas quaisquer que sejam os problemas a resolver, na escolha dos meios a adoptar e, dos fins a atingir, sempre haverá todo o interesse em considerar as formações escolares dos que nelas se envolvem.

Tendo isto na devida conta, não se entende muito bem que, para concorrer a vigilante da natureza se exige o 12º ano de escolaridade e, para se ser presidente de junta, que é função em princípio de bastante  preocupação e responsabilidade, não se exige uma preparação escolar mínima! Por lei, nem sequer a «quarta classe» antiga, ou seja uns escassos quatro aninhos de escolaridade se exigem, quando até se sabe que actualmente até esta é muitissimo insuficiente.

Se para recrutar vigilantes para o Parque Nacional se impede que possam concorrer pessoas com o nono de escolaridade, como é que permitem que se possam candidatar a cargos de presidentes de Junta pessoas em quase relativo “analfabetismo”! Destes, ainda há pouco mais de oito anos, existiu um caso numa freguesia do município de Arcos de Valdevez, em que a pessoa nem sabia ler nem escrever!

Talvez se parta do princípio que os eleitores, maioritariamente, sabem distinguir o trigo do joio. Para eleger é preciso saber! E saberão?

 O POVO DE SOAJO, soube, pois não deu  a MAIORIA ABSOLUTA à FORÇA POLÍTICA que encabeçou a sua lista com uma pessoa que tinha a menor preparação escolar relativamente às das duas outras!

O que esteve e está errado é a LEI, ao não PERMITIR que a VONTADE da MAIORIA ABSOLUTA do Povo de Soajo fosse SOBERANA! De facto não se respeitou completamente o que nas urnas foi expresso, e por causa desta anomalia é  QUE SE SUSCITARAM ALGUNS PROBLEMAS E DESARRANJOS NA FORMAÇÃO DA JUNTA!

 DE FACTO, AO NÃO DEIXAR QUE FOSSE FEITA, EM SEDE DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA, A ESCOLHA DO PRESIDENTE DE JUNTA, MAS APENAS A DE DOIS VOGAIS (COM A AGRAVANTE DE SER ESTE O ÚNICO A PROPOR OS SEUS NOMES), RESULTARAM DESALINHOS DE PODERMOS ASSISTIR A QUE UMA SÓ PESSOA, E NO CASO, UM SIMPLES  "QUARTA CLASSE PREPOTENTE”, INFLUENCIASSE EM MUITO, A RESTANTE ESCOLHA DO EXECUTIVO!

Se existissem, por mera hipótese, cinco listas a concorrer poderia acontecer que, num universo de 500 votos, uma lista que obtivesse 135 votos poderia eleger o presidente de junta, quando os representantes de 365 votos poderiam não o desejar! Ora isto assim não está nada bem!…

 AINDA, AO NÃO SE ESTABELECER UM CERTO NÍVEL DE ESCOLARIDADE MÍNIMA, PODERÁ HAVER UMA “ABERRANTE JUNTA” COM UM “ANALFABETO” A COMANDAR OS QUE POSSUEM MUITO MAIS PREPARAÇÃO ESCOLAR!

 Vivemos num nível civilizacional muito diferente do existente, antes do «25 de Abril de 1974», sendo que o alargamento da escolaridade muito tem concorrido para este sucesso!

Há perfeita consciência que houve, há, e haverá quem discorde destes pontos de vista! É da natureza humana defender as posições em que as pessoas se encontram. Porém, há muitas pessoas que sentem e reconhecem qual a escolha preferível.

 Claro que há excepções, mas estas não fazem a regra. Se  para recrutar vigilantes do Parque Nacional se escolhem os preparados com ferramentas a um nível de escolaridade do 12º ano, por habilitarem, em princípio, mais eficientemente, para o desempenho do  exercício profissional, por que não se exigem habilitações mínimas adequadas para o exercício de certos cargos autárquicos?

Para a junta de freguesia muitas pessoas reconhecem a necessidade de certa preparação e, de facto a 1 de Outubro de 2017, o Povo de Soajo não deu, além do mais, a maioria absoluta dos votos a quem tinha só a quarta classe, não obstante se candidatar pelo partido da preferência da grande maioria dos que votaram!

Ninguém ignora que em Soajo houve oportunidades para se alcançarem maiores níveis de escolaridade, e pessoas com mais de sessenta anos aproveitaram-nas!

Mas frequentar escolas exige trabalho e o renunciar a outras alternativas, de entre as quais, a preguiça!

Alguns não o fizeram, porque sabem que para desempenhar certos cargos é mais fácil pedir e enganar os menos prevenidos e esclarecidos. Depois, paga-se-lhes com um «favorzinho» ou com um emprego os votos exemplares conseguidos … A democracia, dizem, não é perfeita e permite que «chicos-espertos» recorram a tantos e tantos expedientes…

Para estes, quatro aninhos de escola, chegaram e chegarão, e até sobraram…

Para vigilante, a «quarta classe» está muito longe de chegar, mas chega para presidir a uma junta de freguesia!… Interessante, não é?

Vá lá o “Pedrinho” entender isto!

Mas qualquer dia, dizem certas pessoas, irão pedir o 12º ano para abrir covas e covinhas, e não só para replantar as árvores no Coto Velho…

Com tantas habilitações, se vierem a ser exigidas, só muito, dificilmente, no futuro, poderão ser satisfeitos “os favorzinhos” como recompensa pela angariação de votos…

Uma coisa é certa, na Junta de Freguesia de Soajo quem comanda é quem tem pouca preparação escolar, e nem todas as pessoas têm paciência para suportar o que não tem “pés nem cabeça”… Porém, a culpa não é da maioria dos SOAJEIROS/AS, pois souberam distinguir o trigo do joio.

NA VILA DE SOAJO, QUANDO SE COMEMORAREM MIL ANOS DO FORAL, HAVERÁ UMA ESCULTURA ALUSIVA?!

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 As «ANTAS DA SERRA DE SOAJO", nome legal proposto e fundamentado pelo Dr. Félix Alves Pereira, que o levou à consagração de MONUMENTO NACONAL, em 1910, abrangem tanto as  antas situadas na Portela do Mezio, como as do planalto da Seida, ao lado do PEDRINHO, nome falsamente mudado para Peneda! 

Apesar disto "meninos" com migalhas de poder em Portugal não só, não usam, o que a lei consagou com o nome  «ANTAS DA SERRA DE SOAJO», como não usam com clareza o  nome  legal «SERRA DE SOAJO» que compreende também o espaço  planáltico da PORTELA DO MEZIO!

Mas não colocam nesta Portela suportes informativos onde conste, devidamente, o nome da serra e o nome oficial das antas, porque aderiram à ideia que no "Mezio se deve fazer um Portugal histórico vazio»! Querem "macacadas" de nomes de serras em indicações disparatadas!

Todavia no penedo existente próximo da anta mais visível, esteve bem declarado a amarelo, em território autárquico de Soajo, a inscrição «ANTAS DA SERRA DE SOAJO»! Mas tal deveu-se a um numeroso grupo de Soajeiros que quiseram ver respeitados nomes oficiais da sua Terra-Mãe, para os "colonizadores" tomarem o devido conhecimento e tratarem os nomes oficiais com seriedade e respeito! É necessário avivar no penedo  das «ANTAS DA SERRA DE SOAJO» o que nele constou, e respeitá-lo, porque segundo a lei, o penedo está em Soajo!

 

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 Em frente das instalações do Parque Nacional, em pleno território da autarquia de Soajo, segundo a Carta Administrativa de Portugal que tem força de lei, encontra-se esta sinalização "muito falseada", que demonstra, cabalmente, que no municipio de Arcos de Valdevez, e na autarquia de Soajo, existem iluminados que acertam bem nos DISPARATES! Uns, para ordenarem aberrações, e outros para as aceitarem! Aprenda-as, pois são homens da geografia com conhecimentos bem aferidos em exames nacionais por júris com professores muito competentes!

 

 

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 No campo da feira, da Vila de Soajo, que só foi feito depois de muitas lutas, de que a mais eficaz foi a do estacionamento de muitas viaturas, num dia de feira, na chamada «Avenida 25 de Abril», também implantaram uma sinalização, saída, ao que parece, de uma "mente analfabeta", em matérias de serras de Portugal. Talvez, pelo seu estudo se ter limitado apenas às serras do Canadá!

Mas por reacções de Soajeiros desapareceu a aberração de que deste recinto para a Portela do Mezio se atravessam duas serras! Porém, ainda lá permanece a indicação de que para o Santuário da Peneda se atravesam duas serras! Faltando a informação que são separadas pelo rio Tejo! 

 Talvez que o famoso juiz de Soajo, Manuel Sarramalho, natural de Tibo, transportasse O RIO TEJO  para o seu concelho de Soajo, a fim de justificar dois nomes de serras, pelo recurso à estratégica sentença que demonstra que a conclusão a que chegou é um absurdo!DSCN9286.JPG

Ao longo dos séculos a «SERRA DE SOAJO» foi exibida nos mapas geográficos de Portugal! Os primeiros elaboradores da cartografia de Portugal, desde o século de mil e quinhentos, a uma única serra, atribuiram um único nome, SERRA DE SOAJO! 

 Em 1875 numa única Geografia de Portugal, de Gerard Pery, foi substituido o nome clássico SERRA DE SOAJO por um outro também nome único, embora considerando, erradamente, como a montanha mais elevada de toda a serra  - O PEDRINHO - , onde instalaram uma torre encimada por um marco geodésico, e denominaram, mentirosamente, o sitio da torre, não por «Pedrinho», mas por PENEDA, a que atribuiram uma altitude de 1446 m depois corrigida para a altitude de 1373 m! Esta Peneda substituiu Soajo por aldrabice para dar nome à única serra!

Por via disto, APENAS, em alguns compêndios, sucessivamente, passaram a chamar a serra por Peneda. A maior parte dos autores de livros de Geografia continuaram a usar o nome certo, SERRA DE SOAJO, e a considerarem a verdadeira montanha do Outeiro Maior como a maior de toda a serra, no seu sitio da Pedrada, e com a máxima altitude de 1416 m!

Como não conseguiram desalojar o nome antiquissimo SERRA DE SOAJO socorreram-se de um outro expediente que consistiu em "exportarem" este nome para sul do rio Lima, isto é, para o espaço da SERRA AMARELA, e como seu nome alternativo! Esta falsa alucinação, este desatino, este desacerto, esta abominável proeza deve-se ao cientista suíço Paul Choffat!

As consequências destes DESCONCERTOS levaram a tremendas confusões, umas por desconhecimento, outras intencionalmente, e nesta sinalização dos trilhos continua o poder autárquico a agredir  Soajo, à semelhança do que fizeram outros manhosos sem escrúpulos instalados no poder camarário de Arcos de Valdevez em 1875 e em 1907!

Vejam então como as falsidades continuam a ser expostas pelos "simpaticos" arcuenses que "gramam às toneladas"  Soajo e os Soajeiros! Mas apesar disto continuam inocentes e traidores a lhes entregarem os votos para "codilharem" o património imaterial de Soajo!

Para estes "PERITOS EM ALDRABICES" na indicação de um dos trilhos, de uma falsa "serra da Penedinha", na Portela do Mezio, também se pode partir para Sistelo, sendo talvez os dois primeiros quilómetros da travessia proposta feita na "SERRA dos DISPARATES", e só depois é que se atravessa a "SERRA dos ILUMINADOS!

Destas "sumidades" que gostam de MENTIR, é que o concelho precisa!

 

1 - RÁPIDOS A HUMILHAR E PACATOS A HONRAR

Decorreram três anos e a evocação escultórica do foral manuelino, que deu continuidade à existência do já, em 1514, multissecular município de Soajo, continua à espera que um Soajeiro influente se instale nos Paços do Concelho construídos fora do «Largo do Eiró»! Como isso, por previsões do visionário “Montinho”, só acontecerá, no início de 2514, ainda haverá muito tempo para financiar a moldura em ouro que relembrará o tão "desejado" equipamento! O município devia circunscrever-se só à Vila que recebe as águas que se vão avolumando desde o planalto da Seida, para nela apenas se instalarem equipamentos emblemáticos!

Para Soajo chegam os que fazem alusão que, da Portela do Mezio, em Soajo, se percorrem 6,8 Km, para a Vila de Soajo,  em duas serras notáveis, a serra da “Penedinha” [de Sistelo] com a altitude máxima de 1373 m, e a Serra de Soajo, que os “más-línguas” dizem atingir 1416 m. E o rio Tejo separa-as, nitidamente, em dois cenários orográficos bem diferentes em termos geológicos e morfológicos, em que só “tapados” não as conseguem diferenciar! As “sumidades” em conhecimentos geográficos para justificarem as duas serras dizem que, a estrada que vai para o Santuário da Peneda, da Gavieira, a 2 Km do Mezio, é que ilude, pois dizem que é tal e qual o Tejo!

 

 

2 – A VILA DE SOAJO HUMILHADA!

A Câmara Municipal de Arcos de Valdevez não respeitou a vila de Soajo, nem cumpriu a lei que consagrou de forma inequívoca o seu estatuto hierárquico na graduação das povoações portuguesas! A sede da freguesia de Soajo é uma vila de Portugal desde o século de quinhentos, mas sobretudo a partir dos anos trinta do século XX o poder arcuense sempre menosprezou, salvo honrosas excepções, a condição de Soajo ser vila.

Submeteram a humilhação, a desfeita, a vexame público a nossa vila de Soajo mais uma vez! A vila que já o era antes de 12 de Junho de 2009, mas que foi tantas e tantas vezes escarnecida e objecto de troça considerando-a como “uma vila faz de conta” continua a ser desconsiderada! A vila que não conta numa óptica de equidade e proporcionalidade com os apoios materiais compatíveis com o seu estatuto hierárquico, até no plano imaterial é atacada na sua dignidade! Para o poder executivo municipal de Arcos de Valdevez, que não só da vila de Arcos de Valdevez, em exercício, SOAJO, não é uma das VILAS DE PORTUGAL, antes a inseriram no grupo das «Aldeias de Portugal» ao a candidatarem a um concurso de aldeias maravilhosas! Tinha de ficar desclassificada por não apresentar uma fisionomia em termos de edificado e de estruturas urbanísticas, que estejam em suficiente coerência com o conceito de aldeias com tipicidades predominantemente arcaicas!

A modernidade da vila de Soajo em múltiplos aspectos foi, essencialmente, consequência da fortíssima emigração dos Soajeiros nos últimos cinquenta anos ao assimilarem outras culturas e participarem das vantagens educacionais, económicas e financeiras de países mais evoluídos que Portugal.

 Alguns autarcas em exercício em 2009, no município de Arcos de Valdevez e na freguesia de Soajo, não conseguiram impedir que a vila de Soajo ficasse conformada com o estatuto de vila adquirido e usado durante quase cinco séculos! Foi reconhecida pelo facto de a maioria na Assembleia da República não ser em 2009 do PSD, mas sim do PS!

  Embora o mérito da apresentação e desenvolvimento do processo de reafirmação da Vila de Soajo fosse do Partido Socialista, a votação recolheu unanimidade na Assembleia da República de todas as forças políticas! Mas como nessa altura o alfacinha Rodrigues de Araújo que presidia neste município foi derrotado, ainda não desistiu de influenciar os seus companheiros do PSD, e como tal a vila legalmente reconhecida continua a ser achincalhada ao ter sido submetida a um concurso a que legalmente não podia aceder!

Se, de facto, por lei em vigor, Soajo é vila, e se no seu longo passado histórico já era vila, por que foi concorrente a um concurso de aldeias?

Ao terem outras povoações características como verdadeiras aldeias, e sendo muitas delas detentoras de  bens e equipamentos mais consentâneos com o seu estatudo de aldeias e sendo desprovidas de uma carga histórica e cultural diferentes das de uma vila, tinham à partida condições para um melhor sucesso.  Em face disto, foi uma atitude sensata expor a vila de Soajo a uma eliminação que teria de suceder não só por incumprimento da lei que a continuou a consagrar como vila, mas também por transparecer um cariz de apreciável modernidade nalgumas das suas facetas físicas e humanas?! Sabemos que os mapas geográficos disponíveis no século de 1500 contem a vila de Soajo e a «Serra de Soajo»!

 Porém, o rio Vez e a vila de Arcos de Valdevez nessas cartas geográficas não aparecem! Será por a sede do concelho de Valdevez ainda não ter assento na povoação de «Arcos» quando recolheram os dados para a feitura do primeiro mapa conhecido de Portugal?

Mas a velhinha vila de Soajo é que tinha de ser desconsiderada e desfeiteada ao concorrer a uma das «7 maravilhas de Aldeias» de Portugal”!

Colocar a vila de Soajo a concorrer a algo que não é, foi mais uma iniquidade, uma malvadez, do poder do município com sede na vila do Vez, que muito arbitrariamente descrimina as  suas povoações e população!

Respeitar a lei, a ética, a moral, perante uma vila mais modesta, mais “pobrinha” é algo que não ficava mal a quem teve a responsabilidade e a insensatez de tão polémico acto!

Os que detêm sadios sentimentos pela sua terra de nascimento, e que muito se orgulham de serem Soajeiros, amam-na, da mesma forma que os arcuenses da vila que é marginada pelo encantador rio Vez gostam da sua terra-berço!

Afinal o slogan, «Arcos de Vale de Vez onde Portugal se fez», recentemente lançado na comunicação social e noutros meios, carregado de tão imaginada carga histórica, não se coaduna com provas de um passado que dizem ter, pois nem sequer se vê revelado no primeiro mapa de Portugal conhecido! De facto decompondo o topónimo em causa, vemos que em pleno século XVI, nem como concelho, nem como vila, nem como rio, nem como vale, suscitou interesse algum aos colectores do primeiro Mapa Geográfico de Portugal editado em 1561! As vilas de Ponte da Barca e Soajo, apesar de não se conhecerem as emissões régias dos respectivos diplomas de ascensão a sedes de concelho, tiveram a honra de se verem consagradas em 1561!

A «Serra de Soajo» e o «Rio Limia» também foram EXPOSTOS em 1561!

Mas a uma desfeita feita à vila de Soajo, seguiu-se outra da mesma essência, mas ainda mais descabelada, numa atitude reactiva inacreditável!

Não tendo nos termos da lei capacidade para requalificarem a sede de Soajo na hierarquia das povoações de Portugal, atreveram-se, publicamente, a “despromovê-la” para o grupo de «Aldeias de Portugal»! Porém, desta vez, foi fora de um concurso nacional! Para lograrem o objectivo pretendido, ousaram colocar duas placas sinaléticas, nas margens de duas vias de acesso à vila serrana, com o intuito de não a identificarem com a categoria de vila, mas para afirmarem que Soajo é também uma das «aldeias de Portugal»!

 “Muito simpáticos, instruídos, respeitadores da lei que reafirmou e consagrou, em 2009, uma vila que, em vários séculos, já havia sido legitimada pela monarquia portuguesa! Óptimos defensores de uma verdadeira coesão municipal num concelho onde os indicadores de desenvolvimento atestam haver várias famosas "cidades" e várias outras belas "vilas"!  GOSTAM MUITO DE PREZAR OS ADEPTOS DA FARTURA NO MUNICÍPIO, EM QUE ALGUNS VILÕES SE EMPREGARAM EM CARGOS DO PODER LOCAL! MAS CONTAM COM UMA FARTURA DE VOTOS DE SOAJEIROS MUITO ESCLARECIDOS! POR ISSO LHES ESTÃO MUITO GRATOS APOIANDO COM ESTAS MEDIDAS HONROSAS E SUBLIMES TANTAS DEDICAÇÕES A SOAJO! Parabéns a quem tanto oferece por extremosa solidariedade e coesão municipal!” Não digam que não merecem!

Mudando de agulhas, prossigamos.

A classificação ou desclassificação de qualquer povoação é da exclusiva competência e responsabilidade da Assembleia da República! O poder camarário devia acatar a lei e prezar as dignidades das diversas povoações… Mas o que se verificou foi, pela segunda vez, cometerem outra ilegalidade para continuarem a humilhar a vila de Soajo!

Pedimos ao Sr. Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Dr. João Manuel Esteves, mais atenções para fazer com que alguns dos Senhores Vereadores e/ou alguns dos funcionários ao serviço do município tenham procedimentos que se acomodem ao bem servir em toda a área geográfica e administrativa concelhia.

Parte da vila de Soajo está no Parque Nacional mas uma parte dela, juntamente com dois aglomerados urbanos de Soajo, Vilar de Suente e Vilarinho das Quartas, e alguns territórios não são sítios do Parque Nacional, mas deviam igualmente merecer amparos como se fizessem parte do Parque Nacional, porque também os seus moradores se sujeitam nas suas propriedades rurais e noutras a constrangimentos, por causa do Parque Nacional.

 

 Vila de Soajo, no município de Arcos de Valdevez e na serra de Soajo, em Maio de 2017

EMBORA “ACORRENTADO”, SOAJO IRÁ CONTINUAR A PERDER... (versão ampliada)

 

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Na «Praça do Pelourinho», por volta de 1942, um grupo de Soajeiros que incluI clérigos naturais de Soajo, os professores Lage e Enes, Francisco da "Benta" o canteiro escultor do cruzeiro dos «Cruzeiros» feito por volta de 1960, e vários outros elementos da chamada «Guarda Fiscal» nessa época existente em Paradela , Várzea e na vila de Soajo. Dois deles, o guarda Simões e o guarda Fernando Branco Miguel, deixaram descendentes e vários imóveis rústicos e urbanos na vila de Soajo.

 

 

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 Os elementos da Junta de Freguesia, acompanhados pelos professores Enes e Lage, aguardam na Ponte de Soajo/Britelo o Ministro das Obras Públicas, Fernando Ulrich, em 13  de Abril de 1951, para a inauguração. Foi dia festivo em Soajo acorrendo muito povo para ver a obra que concorreria para deixar de se utilizar a temerosa ponte pênsil, construida na década de 1920, aquando da construção da Empresa Hidroeléctrica. Doravante, Ermelo e a ponte de Soajo/Ermelo deixaram de fazer parte do percurso habitual usado desde os tempos da Idade Média!

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 Na foto apresenta-se a data da inauguração da ponte sobre o rio Lima que permitiu que os veículos motorizados chegassem à Vila de Soajo, embora tardiamente. Se os conquistadores  arcuenses no poder em Arcos de Valdevez e no Governo Civil em Viana do Castelo, em 1851, não concorressem para a extinção do multissecular município de Soajo a ponte e a estrada teriam chegado provavelmente a Soajo no final do século XIX. Assim, por colonização, só 100 anos depois, é que o povo de Soajo beneficiou dos novos equipamentos rodoviários! E quando um professor de Soajo, se bateu insistentemente, na década de 1930, pela ligação à estrada disponível a cerca de três quilómetros e meio que chegava à Central Hidroeléctrica, os déspotas salazaristas no poder camarário em Arcos de Valdevez reagiram dizendo que nunca mandariam abrir uma estrada para o concelho vizinho de Ponte da Barca, obviamente, para não perder o comércio arcuense clientela! Assim, o professor Lage foi desterrado, em 1937, para o concelho de Arganil, distrito de Coimbra! Mas os fascistas dos Arcos acabaram derrotados, e a modernidade rodoviária chegou, treze anos depois, para que pessoas e bens abandonassem as viagens a pé e as cavalgaduras! E para Arcos passavam por Ponte da Barca, obrigatoriamente nessa época!

 

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   A medieval ponte para possibilitar o trânsito em cavalgaduras entre  a paróquia de Soajo e a de Ermelo, ambas do município de Soajo.

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 Manuel Silva, depois de mais de 30 anos de residência nos U.S.A., vive há alguns anos na sua terra natal - a vila de Soajo - onde se extasia com passeios por antiquíssimas vias de acesso ao que foi um notável Parque Natural de Portugal desde os primórdios da nacionalidade.

 

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A medieval ponte de Ermelo/Soajo, dentro do Julgado de Soajo, muito usada até à altura da construção da Central Hidroeléctrica. Após a inauguração da ponte sobre o Lima foi relegada como passagem para Soajo, mas continua com enorme interesse histórico, e ao serviço dos ermelenses com propriedades do lado da freguesia de Soajo!

Ermelo sempre esteve muito ligado a Soajo, mas um Araújo, alfacinha, sempre ignorante e/ou inocentemente muito votado por Soajeiros em cargos autárquicos municipais, irá continuar a desviar uma população e um território que AO LONGO DOS SÉCULOS esteve administrativamente em Soajo, com a passividade, com apatia do povo de Soajo e, ainda, com a cumplicidade de um "especial autarca" de Soajo!

 

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 Arco da ponte com construção similar à das arcadas do antigo convento de Ermelo, mandado  construir em território de Soajo, antes da existência de Portugal, pela mãe do primeiro rei de Portugal!

 

 

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 A ponte de Ermelo/Soajo permite atravessar o ribeiro de Corbação quase à beira da sua foz no Rio Lima. Nasce um pequeno curso de água deste regato em Mosqueiros, na freguesia de Soajo, muito perto da  "Fonte da Sete Bicas" e correndo para sul vai passar à beira da Branda de Mosqueiros, pois junto desta não nasce ribeiro algum. Outro regato que ajuda a formar o ribeiro de Corbação nasce no sítio chamado «Rio da Lapa», e mistura as suas águas com as do pequeno regato vindo de Mosqueiros  a montante do "Triângulo", ou seja, antes do entroncamento, da estrada que passando por Adrão, entra na do Mezio/ Vila de Soajo. Depois de passar ao lado de Vilar de Suente  correm as suas águas no sentido do rio Lima. O ribeiro de Corbação serve, na zona final do seu percurso, de fronteira de Soajo com Ermelo.Em 1758 esta ponte de Ermelo/Soajo é tida como «ponte de pedraria», isto é, de cantaria, e é referida como servindo o concelho de Soajo.  

 

 

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Alguns vestígios do primitivo Mosteiro são ainda visíveis, na grande parede exterior sem continuidade, ao fundo do templo actual. Quem trabalha a cultura no município, apesar de não ignorar a ligação deste monumento nacional ao antigo Soajo, ainda  o localiza, por patetice, em duas serras, uma na falsa Peneda [de sistelo] e na serra de Soajo!  Se existe apenas uma serra na região nordeste, do Minho ao Lima, que culmina a 1416m  como podem dizer que há duas serras, junto ao MOSTEIRO DE ERMELO, a bordejar o mesmo rio Lima, na parte mais meridional da mesma única serra?!...  Que coisa tão estúpida foi publicada em duas edições patrocinadas pela Câmara de Todo o Municipio de que Ermelo, actualmente, faz parte! Se dissessem "tontinhos" que estava situado o Mosteiro de Ermelo na serra do Marão  não diriam pior disparate! Como o situam em «ARCOS DE VALDEVEZ ONDE ERMELO NÃO SE FEZ», ainda diriam qualquer coisa de jeito, em termos geográficos e históricos!

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 Interessantes reminiscências da edificação primitiva da época medieval em que "Zés das Tretas" já a localizavam na SERRA DA "PENEDINHA" [de sistelo], ao lado do caminho por onde,antigamente, as vacas «CACHENINHAS» dos Soajeiros, já teriam os bifinhos protegidos pelos iluminados criadores de uma «DOP», dopada! Por estes treteiros a sigla «DOP» é interpretada como significando «Denominação Ordinária de Patifes»!

 

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 Entre o Mosteiro de Emelo e a sua vizinha ponte medieval, que ladeia  o caminho também medieval, pode observar-se um cenário natural e paisagístico que deslumbra os que por ele passam! Por ele transitaram: os Soajeiros; as cachenas alimentadas na serra de Soajo que vinham banhar-se nas águas "milagrosas" do Lima que curavam "maleitas" e acareciavam o desaparecido areal "aurífero" que rendeu "milhões" mas não a Ermelo; os cinco sabujos por ano para el-rei; o "pesadissimo" foral de Soajo de 1514 que facilmente chegou ao «arquivo da Terra de  Soajo» e que, passados quase TREZENTOS ANOS depois, serviu para elaborar o importantíssimo tombo feito em 1795, donde se transcreveram os dados das FRONTEIRAS EXTERIORES DO CONCELHO E DA FREGUESIA DE SOAJO. 

Apesar de passarem por esta via limiana, que, em vários quilómetros atinge apenas cerca de 40 metros de altitude, consideram-no nas Casas dos Poderes Municipais como se fosse o CAMINHO DAS DIFICULDADES! Porém, Martins Sarmento, Leite de Vasconcelos e outros, percorreram-no em cavalgaduras, na década de 1880, e não esboçaram o mínimo desagrado!.

Mas para certos "iluminados" os esforços despendidos a pé ou a cavalo, eram tão, tão difíceis, como escalar os Himalaias! Algumas "sumidades" do século XXI sentem fortes vertigens quando nele passam, e por isso informam alguns dos actuais prosadores de ficções sobre Soajo, que é problemática e arrojada aventura transitar nesta via, a ponto de, espantosamente,  colocarem em dúvida a possibilidade de ter CHEGADO A SOAJO O SEU FORAL! Parabéns pelas deleitosas alucinações que sentiram!

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 No Vale do Lima, e não no do Vez, em território que foi do município multissecular da «Terra de Soajo» deparamos com este monumento nacional onde restam vestígios das construções da iniciativa de D.Teresa. Também teve a iniciativa da fundação do  majestoso e grande Convento de Usseira, na Galiza. Ambos são manifestações do culto a S.Bento.

Das construções mais ou menos remotas temos no Soajo antigo, o monumento nacional, desde 1910, que são as «ANTAS DA SERRA DE SOAJO» ( e não da "serra da Penedinha" [de Sistelo ]) e, também o monumento nacional  «PELOURINHO DO CONCELHO DE SOAJO»! 

Iremos  gritar, gritar, gritar muito alto, junto deste templo de Ermelo, frente às câmaras da Tv, dizendo «VIVA O BELO E SOBERBO RIO LIMA QUE POETAS LIMIANOS TANTO EXALTARAM!!! 

É que no municipio também existe o RIO LIMA e freguesias LIMIANAS! E nelas há muitíssimas pessoas que não  são anjinhas ou tontinhas...

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Arcadas em ruínas do primitivo Convento e Mosteiro de Ermelo que a "rainha" D. Teresa, filha do rei de Leão e Castela, D.Afonso VI, mandou edificar no município de Soajo.

Mas o plebeu Francisco, de Lisboa, a residir no município do Vez e Lima, por "en(comenda)" desviou-o para ser governado pelos da freguesia de S. Jorge.  É um dos maiores inimigos de Soajo, de todos os tempos, mas é apoiado por muitos dos que traiem os interesses de Soajo... Lamenta-se! 

Quanto mais prejudica Soajo, mais votam nele...muitos, porque gostam de ser enganados e que prejudiquem a terra-natal!. 

 

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 A Profª Maria Manuela Ferraz Lage e João  Lage da Silva, técnico Verificador da Alfândega do Porto, indumentados com antigos trajes de noivos, posam para uma foto no dia da inauguração da bela ponte, antes de entregar ao Engº Ulrich, Ministro das Obras Públicas, uma simbólica miniatura do Soajo municipal.

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 Segue o tema em epígrafe, «EMBORA "ACORRENTADO" SOAJO IRÁ CONTINUAR A PERDER»

 

Começarei por dizer que estando na Junta pessoas das outras duas forças políticas, presumivelmente, não deixarão que o presidente de Junta use e abuse de poderes arrogantes, de prerrogativas que não tem, e tente novamente “fazer das dele”!

A corajosa Cristina Martinho, com a sua garra insubmissa continuaria a incomodar e a vigiar activamente no executivo, quem lesou, gravemente, Soajo, em mandatos anteriores e, por isso, não viu o seu nome proposto para vogal da Junta!

Se o fosse é que seria surpreendente!

MELHOR ATESTADO DE HONRA NÃO SERIA PASSADO A CRISTINA MARTINHO, PELO SEU COMPORTAMENTO EXEMPLAR!

 SÓ NÃO FOI BEM SUCEDIDA A ACÇÃO QUE EMPREENDEU, POR ALGUÉM  TER-SE POSTO DEPOIS “A JEITO”, COM MEDO DE TAMBÉM “ENTRAR”! PORÉM, MUITA GENTE SENTIU QUE CRISTINA MARTINHO, NESTE ASSUNTO, FOI DIGNA, HONESTA E DESTEMIDA!

Quem estava também “trilhado”, mas que falara de comportamentos, atitudes e “serviços facturados”, é que mudou o seu cérebro, e saiu da Junta, ainda muito mais desmascarado!

Nas declarações feitas no fim da sessão, o presidente de Junta começou com A ENORME MENTIRA DE DIZER QUE   SÓ ACEITOU O CARGO, PORQUE NINGUÉM O QUIS, DO LADO DO PSD!

Não referiu que muito se esforçou para o conseguir, não para querer o “osso” porque já o tinha, antes de ser autarca presidente pela primeira vez, mas agora bateu-se, sobretudo, para conseguir a boa “CARNE FINANCEIRA”!

A verdade, verdade, é a de terem sido contactados apenas alguns jovens, bem apetrechados culturalmente, mas não aceitaram!

NÃO FOI POR FICAR, ANTERIORMENTE, MUITO “AMIGUINHO” DO PSD, QUE MUDOU JÁ EM IDADE AVANÇADA!

QUANDO NESSA ALTURA RASGOU AS CORES DOS OUTROS PARTIDOS QUE SERVIU E QUE MAIS SE HARMONIZAVAM COM SUA CONDIÇÃO SOCIAL E FINANCEIRA FOI PARA SE SERVIR, E NÃO PARA SERVIR SOAJO!

Nem mesmo, AGORA, O FAZ PARA SERVIR SOAJO, apesar dos seus 75 anos de idade, e em circunstâncias de se ver e sentir vigiado!

Do seu nível cultural e capacidade, sabe muito bem que, até o seu “amiguinho” António Cerqueira abraçaria a "cabeça" da lista do PSD, na presença de uma banda de música se lhe entregasse "a carne", e ficasse apenas com o "osso"!

 O presidente que cessou se tivesse feito “bluf” dizendo que também concorria através de um outro grupo independente, talvez que conseguisse a mesma aceitação do PSD concelhio!

Só ingénuos é que poderão acreditar nos fingimentos matreiros e enganadores de DIZER QUE NÃO HAVIA QUEM CONCORRESSE a presidente de junta pelo PSD! Enfim, "matreiramente", sente-se um CONVICTO SALVADOR DO PSD!

Depois de ter feito as miseráveis proezas que são conhecidas por muitos, ainda quis MENTIR para disfarçar debilidades, e “limpar a cara”!

 PRETENDERIA QUE AINDA mais Soajeiros caíssem na esparrela, VOTANDO NO PSD, para mais LHE PERMITIREM “governanços”, SEM ADEQUADOS VIGILANTES NA JUNTA...

                                                                                                        (ver a seguir mais fotos)

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 No regresso de uma tentativa fracassada de emigração clandesina para França, vindos das instalações da PIDE, do Porto, os Soajeiros, Manuel Enes (o Ricardo), Manuel Pires Gomes ( o Capela), Joaquim Couto (o Coutinho ou Quim da "Dura"), e Joaquim Araújo ( o Quim Barqueiro) posam em Ponte da Barca, por volta de 1960, numa altura em que eu vivia nesta vila para frequentar nos Arcos o então curso geral do ensino liceal. A travessia pela «Ponte de Soajo», era o percurso mais frequente para Soajo, por haver mais transportes públicos, do que pelo lado da Portela do Mezio.

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 São visíveis, quer a nova ponte sobre o Rio Lima, quer a nova estrada para a vila de Soajo, construídas na década de 1951!