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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

A «SERRA DE SOAJO», COMO MACIÇO DO LIMA AO MINHO, NUNCA FOI IDENTIFICADA POR "MONTES DE LABOREIRO"! CONTUDO, ENGANARAM-SE MUITAS PESSOAS...

O Pe. Bernardo Pintor é contraditado por importante documento oficial que não abona a favor dos seus imaginados "Montes de Laboreiro" como sendo nome antigo e anterior ao usado em substituição de serra de Soajo!JO

Quem andou a escrever livros recolhendo determinados elementos nos escritos do castrejo Bernardo Pintor foi enganado!

Com efeito, em 28 de Julho de 1284, o rei D. Dinis emitiu um documento para transferir o usufruto, para determinadas pessoas, do «MONTE DE VALDEVEZ», que se chamava TAVARCA!

Ora este «monte TAVARCA» confrontava com outro monte do lugar de Padrão mas que, pelo facto de este último lugar pagar imposto à igreja de Santa Maria de Castro Laboreiro e, de o identificarem por «Leboreiro», fez supor ao Padre Pintor que toda a área montanhosa desta região estava incluída no âmbito geográfico de uns, por si, considerados como “Montes de Laboreiro”!

Seria a designação de "montes de laboreiro" que, mesmo sem provas concludentes, levou Bernardo Pintor, a supor ser nome anterior ao da maior parte das montanhas que GENERICAMENTE se  aglomeraram, ao longo dos séculos, na designação «SERRA DE SOAJO»?!

Também imaginou, Pintor, não ter sido a SERRA DE SOAJO a denominação geral da serra, mas a falsidade "serra da Peneda" que, efectivamente, só entrou no ensino da Geografia de Portugal, fruto de vários erros geográficos, apenas em 1875, na obra de Gerardo Pery.

 Contudo, na verdade, o monte Tavarca foi enquadrado, geograficamente, no diploma régio como sendo um «monte de Valdevez» e,  não como de "monte de Laboreiro", apesar de ficar adjacente ao monte de Padrão, pois que foi tido na carta emitida pelo rei D. Dinis, como confinando ou limitando com Cabreiro, com Vilar, com Sistelo, com Padrão, com Luzio, e com SOAJO!

Apesar de tudo isto, e o que foi afirmado por mim em textos sobre a inapropriada denominação de "montes de laboreiro", os que beberam nos escritos de Pintor, sobre o assunto das  matérias do nome ancestral da serra em causa, ao os tomarem como  alargados desde Castro Laboreiro até à freguesia de Grade e, também, até às profundezas do vale de Sistelo e de Cabreiro, não deixaram de copiar coisas erradas!

Isabel Medeiros, Martinho Baptista, Elza Carvalho, entre outros, que não fizeram investigação sobre o verdadeiro nome da serra, limitaram-se a seguir, copiando em fontes de Bernardo Pintor, mas foram enganados, e, depois, enganaram outros, sucessivamente!

O valor VERDADE, na ciência geográfica, como noutros campos do saber, exige sentido crítico. Portanto, RESPEITAR, ACATAR E PREZAR, ERROS E MENTIRAS, NÃO SÃO ATITUDES ACERTADAS, LOUVÁVEIS OU SENSATAS, pois deformam o conhecimento.

Ainda, Pintor transmitiu, outro erro, ao escrever, citando, que os estatutos do Santuário de Nossa Senhora da Peneda, aprovados pelo rei D. João VI, não foram registados nos notários ou tabeliães de Soajo, porque estes não tinham livros em condições satisfatórias, e por isso, tiveram de ser feitos em tabelião de Valdevez! Constitui isto, mais outro grande DISPARATE.

Quem consultar os livros notariais do Arquivo Distrital de Viana do Castelo, afecto à Torre do Tombo, verificará que a qualidade de escrita do registo dos ESTATUTOS do Santuário da Peneda é de leitura quase "indecifrável", e verificará que a caligrafia usada nos notários de Soajo, dos anos deste registo, permite leitura muito fácil, e o estado de conservação dos livros notariais de Soajo são, rigorosamente, o oposto do que consta no livro «OBRA HISTÓRICA», publicado em 2005, da autoria do Padre Bernardo Pintor!

Outro argumento para contrariar os maldizentes de Soajo e suas gentes, é o de que em plena Idade Média, foi mandado pelo abade que fora do Mosteiro de Ázere, o qual vivendo depois em Ponte da Barca, recorreu ao NOTÁRIO de Soajo, para efectuar serviços de tabelionado!

Mas, também, ao longo do tempo constata-se que pessoas de Lindoso, de S. Jorge, de Cabana Maior, etc., recorreram à feitura de actos notariais na Vila de Soajo, e ainda nos sítios,  de Farrimão ( ao rio Lima, em frente a Cidadelhe, foz do rio Soajo), junto dos marcos da Portela do Mezio, na Laje das Cruzes (à beira do rio Lima, frente a Tamente, na fronteira antiga dos concelhos de Soajo e Valdevez), etc.

Devem as pessoas em geral e os soajeiros em particular, estar atentos, pois muitas falsidades foram ditas por certas pessoas que escreveram sobre assuntos relativos a Soajo e suas gentes.

Sabendo isto não usem a IDENTIDADE FALSA QUE LANÇARAM PARA SUBSTITUIR O NOME DA SERRA DE SOAJO, porque foi essa a estratégia lançada pelo PODER MUNICIPAL VALDEVEZENSE, para MAIS COLONIZAREM SOAJO E OS SOAJEIROS desde os graves tumultos ocorridos «em a noite de 13 para 14 de Janeiro de 1852, na vila de Soajo»!

Sempre tem procurado, o poder valdevezense, denegrir as MEMÓRIAS, IDENTIDADES, HISTÓRIA, GEOGRAFIA E OS ASPECTOS CULTURAIS E PATRIMONIAIS RELEVANTES DO CONCELHO, JULGADO (TRIBUNAL) E MONTARIA REAL DE SOAJO!

Nos nossos dias e, doravante, já não nos conseguem enganar com a mesma facilidade, porque muito do passado de Soajo já foi descoberto, e nós já estamos consciencializados das matreirices do poder valdevezense, sempre desejoso para mais denegrir e difamar, directa ou indirectamente, os VALORES E IDENTIDADES FUNDAMENTAIS DA NOSSA TERRA DE SOAJO!

 

 

O «SOLAR DO CÃO DE SOAJO» FOI PROTEGIDO POR DUAS IMPORTANTES LEIS QUE VIGORARAM MAIS DE QUATROCENTOS ANOS, MAS HOUVE QUEM AS NÃO SOUBESSE INTERPRETAR!

 

Duas pessoas da freguesia de Castro Laboreiro fizeram duas afirmações que por tanto desnorte deveriam ser MONUMENTALIZADAS na sede desta FAMOSA E ANCESTRAL VILA.

Uma das pessoas, muito especializada em TRETAS, escreveu que no solar de Soajo se criaram reles “rafeiros” ao longo dos tempos!

Outro aviltante entendimento foi escrito pelo Padre Bernardo Pintor, em 1953, pessoa considerada como abalizado historiador por um categorizado autor valdevezense, mas que, infelizmente, se arrojou a também escrever que os «CINCO CÃES SABUJOS», mencionados no FORAL DA TERRA E CONCELHO DE SOAJO, não seriam enviados aos REIS de Portugal, mas sim a um «qualquer donatário» [ porventura considerado por imaginação como "senhor" que recebeu doação de um concelho, ou, talvez, mais, disparatadamente, enviados já no inventado século OITO, aos "senhores donatários"] !

Como se nota, não “pintou” o Reverendo Bernardo Pintor, só uns «Montes de Laboreiro» que, depois, por estranha imaginação, não disse que passaram a SERRA DE SOAJO, mas à “serra das Ilusões”!

Os escritos do Padre Pintor têm feito escola, não só no que respeita ao “JOGO OU BAFÚRDIO DE VALDEVEZ”, pois vários outros foram seguidos como que tudo o que escreveu,  fossem coisas de jeito, de entre as quais as matérias dos disparatados “ Montes de Laboreiro” como nome geral da serra do Alto Minho no entre Minho e Lima, e, o nome da “serra ALDRABADA” , bem assim os envios dos «CINCO SABUJOS” de  Soajo não serem para os monarcas de Portugal!

Enfim, as LEIS que vigoraram centenas de anos, foram interpretadas por dois castrejos, quanto aos CÃES SABUJOS DO SOLAR DA SERRA DE SOAJO, como que fossem espécies de “lendas” inventadas sobre Soajo, tão ao gosto de alguns VALDEVEZENSES!

Porém, a raça canina da Serra de Soajo, encontra-se como sendo a mais documentada de Portugal, ao longo dos séculos, ao estar muito bem conservada e afirmada nas chancelarias dos reis de Portugal, depositadas na Torre do Tombo, em Lisboa.

Em várias destas tão bem conservadas documentações arquivadas para memorizar NOTÁVEIS ASPECTOS, se pode verificar que foi mandada proteger a raça do «CÃO SABUJO DE SOAJO» por uma admirável «carta de lei», emitida em 5 de Março de 1401, pelo rei português Dom João I.

 Foi causa da outorga deste diploma de PROTECÇÃO, com força de lei, o facto de alguns nobres terem ido viver para Soajo, após a morte do rei português D. Fernando, infringindo outra lei que impedia que a nobreza vivesse nas comarcas - Montaria Real e Concelho de Soajo -, e também por nestas, além do mais, se apoderarem, sem autorização, dos cães sabujos de Soajo!

 Esta lei foi sucessivamente revalidada por outros reis de Portugal, entre os quais o rei Dom Filipe de Castela. Posteriormente, vários reis da dinastia de Bragança, foram muito pressurosos no cumprimento meticuloso de DUAS FUNDAMENTAIS LEIS relacionadas com a «RAÇA CANINA DE SOAJO»!

 Só quando a «carta de lei» de 1401 foi abolida, em 1832, pelo poder revolucionário liberal, deixou de ser feita a protecção ao cão sabujo de Soajo no seu solar do Concelho e Montaria Real de Soajo, mas mesmo assim durou mais de quatrocentos anos, o que constituiu um facto ímpar não só a nível nacional mas também internacional na preservação e protecção de uma RAÇA CANINA !

Para tão invulgar proteccionismo ao «CÃO DE SOAJO» concorreram, entre outros, os envios, feitos, anualmente, do «SOLAR DE SOAJO», no já tão conhecido e reiterado número de «cinco cães sabujos», cifrados desde a idade média até ao século dezanove!

 A «carta de foral do concelho e terra de Soajo» de 1514, como autêntica lei que tinha de ser acatada, recolheu o que já vinha de ANTIGAMENTE nas matérias do relevante «CÃO DE SOAJO», dando assim total continuidade ao  que já estava estipulado, pelo menos, desde o século de 1300, para privilegiar os SOAJEIROS, com liberdades, honras e isenções de impostos!

 Mas a raça canina gerada no antiquíssimo SOLAR DE SOAJO que merecera tão especial atenção viu  o seu nome multissecular agredido, ao NEGAREM e SUBSTITUIREM, FRAUDULENTAMENTE, em 1935, o verdadeiro nome «CÃO DE SOAJO» conhecido intramuros pelos soajeiros como SABUJO, pelo nome inapropriado " cão de Castro Laboreiro"!

O autor do estalão, em 1935, surpreendentemente, ainda considerou a raça do cão cujo nome aldrabou como vivendo também neste ano, no habitat natural da Serra de Soajo, mas apesar desta inegável verdade documentada, existe quem, na actualidade de 2019, mentirosamente, negue o que foi escrito pelo caracterizador da raça que há muitos séculos foi revelada e avultada como gerada no «SOLAR DE SOAJO»! Incrível, tão ordinária malvadez…

Por muitos documentos, sabe-se que, foi o sabujo, ao longo de séculos, adestrado dentro da «Montaria Real de Soajo» como auxiliar obrigatório dos guardas das matas florestais e animais selvagens, e que também foi usado ao serviço da Coroa de Portugal, desde o século de 1200, noutras Montarias do Reino.

Também serviu, de facto, o cão sabujo, em Soajo, ainda para outras funções, designadamente, para a guarda de gados, pessoas e casas, como se comprova através de vários documentos e testemunhos, até nos séculos XIX e XX, em Soajo!

Como se sabe por meticulosas pesquisas, infelizmente, foi muito indigna a atitude de quem estandardizou a raça com o seu primeiro estalão, em 1935!  Foi muito consequente, pela negativa, porque enganou muitos portugueses, ao atribuir a Castro Laboreiro, DUAS «CARTAS DE LEI», só RELACIONADAS COM O «CÃO DE SOAJO», e que vigoraram, portanto, durante vários séculos, uma das quais, preservando e PROTEGENDO, desde 1401 até 1832, apenas a raça no «Solar de Soajo», que, territorialmente, estava demarcado para fazer fronteira autárquica concelhia com Castro Laboreiro!

As tretas e as fraudes provadas, face a DUAS IMPORTANTES LEIS e a outras provas que não se devem ignorar por serem incontornáveis, merecem ser colocadas no âmbito do lixo…

 Mas as intrujices, falsidades e erros nem sequer podem ser reciclados,…, das lixeiras, por se revelarem de tão inútil aproveitamento…

Centenas de Soajeiros cobriram-se de glória por portentosa vitória sobre os espanhóis, em batalha travada em 1657, junto do castelo de Lindoso!

 

 Documento contemporâneo desta batalha refere que, um ajuntamento de duzentos Soajeiros partiu de PARADELA (Soajo) e, um outro agrupamento saiu de uma outra povoação da «serra de SOAJO! Este último, presumivelmente, de Adrão, com pessoas vindas de Tibo, Rouças e Gavieira!

Os lugares de Vilarinho das Quartas, Peneda, Cunhas e Beleiral, ainda não existiam à data da batalha, 23 de Julho de 1657.

 A designação «SERRA DE SOAJO» foi usada pelo narrador do combate, pessoa que trabalhava em Ponte da Barca para Amaro Pimenta, sobrinho dos poetas barquenses Frei Agostinho da Cruz e Diogo Bernardes!

Como se nota os naturais de Ponte da Barca conheciam as principais serras de Portugal e não confundiam a identidade «SERRA DE SOAJO» com a serra AMARELA, mas o poder municipal valdevezense EMBORA a conheça, não a usa! Em geral, ataca-a directamente, ou encomenda a pessoas outros nomes da serra, pagando-lhe os livros que editam e quase todos aceitam em FALSEAR o nome CORRECTO! Substituem-no, por outros três alternativos nomes: um deles é «Outeiro Maior», que é nome apenas de uma montanha da freguesia de Soajo; um outro, é «Peneda», que em verdade vos digo que é o nome falseado da montanha do Pedrinho, e não, onde se originou o culto, no século XIII, a Nossa Senhora das Neves, num vale tectónico depois mais sulcado pela acção erosiva das águas do ribeiro da Peneda, que durante vários séculos se situou dentro da ampla e antiquíssima freguesia de Soajo e, desde o mesmo século XIII até ao século XIX, também se integrou no território da «Montaria de Soajo» e da autarquia municipal Soajeira; um terceiro nome alternativo, resulta das atitudes aparvalhadas de alguns que opinam abranger o espaço do cenário natural da ribeira do Vez, onde Portugal nunca se fez, além do mais, por não nascer este curso de água nas montanhas da serra do “Gerês”!

No Arquivo Nacional da Torro do Tombo, em Lisboa, em documento relativo a Soajo alude-se às «muitas invasões» feitas à «vila, montaria e concelho de Soajo», durante o longo período da guerra da Restauração da Independência de Portugal, iniciado em 1640, mas que durou até ao Tratado de Paz, em 1668.

 Também as «Crónicas Militares de Espanha» abordam as lutas havidas em Soajo, conforme publicou no jornal «Concórdia», o professor Manuel Gonçalves Lage, em número especial de aniversário deste periódico, que se encontra em óptimo estado de conservação na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.

 Porém, uma descrição feita na obra, «Subsídios para a História da Terra da Nóbrega e do Concelho de Ponte da Barca» pelo seu autor, o catedrático e investigador da Universidade de Coimbra, cónego Avelino de Jesus da Costa, é de capital importância e vem comprovar, RIGOROSAMENTE, também o que o Padre Carvalho da Costa, na «Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica do Reino de Portugal» no início do século XVIII, escreveu sobre a imortal bravura dos Soajeiros, durante as lutas para a consolidação da SEGUNDA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL!

Excerto da obra do ilustre historiador barquense conteúdos que nela vem publicados sobre a batalha, desenvolvida junto do Castelo de Lindoso, a que acorreram duzentos homens idos do soajeiro lugar de Paradela, e que combateram pelo lado norte do Castelo onde «mataram muitos espanhóis» e, fizeram fugir muitos outros. Lutavam  quando chegaram os soajeiros ao Castelo menos de 100 homens entre soldados e pessoas de Lindoso.

 Outro agrupamento de Soajeiros vindos de outro lugar existente na «serra de Soajo» intervieram no combate que se fazia do lado sul do Castelo, e levaram de vencida os contendores espanhóis obrigando-os a debandar. Contudo, mesmo na retirada contribuiram os Soajeiros para matar mais de 200 espanhóis e, se não fosse a rapidez da fuga nenhum deles sobreviveria!

Na obra apresenta-se uma relação dos espanhóis que perderam a vida, e nesta constam, entre outros, o Governador de Celanova, o Visconde de Orense que era Governador das tropas da cidade de Orense e de todo o seu distrito, um sobrinho do Bispo de Orense, o Governador das milícias do Límia [na fundação de Portugal as tropas de Afonso Henriques tantos e tantos desaires sofreram na região do Límia (Lima)!] e, ainda, vários e importantes homens da nobreza espanhola, etc.

Foram feitos prisioneiros quarenta pessoas, soldados, sargentos e oficiais espanhóis, entre os quais Dom João de Aragão.                                                                                                                     

O documento que compulsou o Padre Avelino de Jesus da Costa escrito à época desta guerra de Julho de 1657, narra ainda que as forças de cavalaria utilizaram 120 cavalos, mas destes só regressaram a Espanha 32, dado que os restantes ficaram na posse dos portugueses e morreram no rio Lima.

Os heróicos Soajeiros participantes nesta batalha ajudaram ainda a que fossem recuperadas mais de 800 cabeças de gado roubadas pelos espanhóis, que caminhavam para a Galiza. Apreenderam também a maior parte das armas dos fugitivos.

 Além dos cento e vinte cavalos o poder das forças adversárias foi avaliada em 2400 (dois mil e quatrocentos) homens e mais pessoas que, depois de conquistarem o Castelo de Lindoso, iriam saquear as vilas da Barca e Arcos, segundo confessaram os espanhóis feitos prisioneiros. Regressariam por Castro Laboreiro, através da raia seca, se todo lhes corresse de feição.

 O número de baixas de portugueses foram dois homens, mas haviam prendido três e duas mulheres que deveriam ter saído da zona do Castelo antes de chegarem os Soajeiros. Na consulta que fiz ao registo no livro de óbitos de Soajo, em Viana do Castelo, não encontrei, em 1657, qualquer menção relacionada com mortes por combate.

Uma outra renhida batalha ocorrida em 1662 junto do Castelo do Lindoso não permitiu que os Soajeiros se deslocassem para socorrer os sitiados. Os portugueses no Castelo bateram-se com heroicidade comandados pelo alcaide-mor do Castelo, Manuel de Sousa Meneses, mas os cerca de 5500 espanhóis constituíram uma enorme e desproporcionada força e, porque por estratégia do General Pantoja, foi a vila de Soajo também invadida para obstar a que se repetissem os feitos de 1657. Batendo-se de novo os Soajeiros com enorme valentia desta feita intra-muros, evitaram que a vila de Soajo fosse  incendiada. Os efeitos em Soajo não foram tão desastrosos como na vila da Ponte da Barca que Pantoja mandou queimar para que os barquenses ao nela terem de combater não conseguiram também acorrer a Lindoso para evitar que o castelo fosse conquistado.

Em próximo artigo darei mais pormenores sobre o acontecido em Lindoso em 1662/1663, e referirei algumas consequências da invasão feita à «Vila, Montaria e Concelho de Soajo».