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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

AINDA A PROPÓSITO DA FALSIDADE, «ABADE DO GERÊS»!

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 Já sabíamos que em 1875 foi publicada uma Geografia de Portugal, da autoria de Gerardo Pery, na altura capitão do exército e colaborador dos trabalhos geodésicos do reino, inclusivamente a partir de 1854, altura em que estiveram na serra de Soajo. A sua obra teve enorme impacto por ter sido fonte para a elaboração de muitos manuais escolares de Geografia de Portugal, devido a algumas inovações, nomeadamente, em matéria de serras. Tendo passado pela vila de Arcos de Valdevez fora influenciado fundamentalmente por dois fidalgos altamente ligados ao poder autárquico. Vai daí a montanha mais relevante da serra de Soajo, o Outeiro Maior, foi ignorada, e o nome da serra foi mudado no texto e no mapa publicado na sua Geografia. A montanha mais importante de toda a serra foi designada por Peneda, situando-se na área geográfica das freguesias de Cabreiro/ Sistelo, onde foi construída uma torre encimada por um marco geodésico de 1ª ordem. Embora a montanha se chamasse «Pedrinho» foi aldrabado o nome para Peneda, e nela foi considerada no tema das serras como sendo o local da altitude máxima da serra! Duas aldrabices copiadas para vários manuais escolares que até 1907, não ultrapassariam os 25% das edições publicadas, constituindo, portanto uma corrente minoritária. O nome «serra de Soajo» continuava como sendo amplamente divulgado pelos livros de Geografia. Só a partir deste ano de 1907, através da publicação de Paul Choffat começaram duas correntes denominativas relacionadas com os espaços geográficos das clássicas e multisseculares designações das «Serra de Soajo» e «Serra Amarela» que tiveram como principais efeitos o robustecimento do nome «serra da Peneda» e a enfraquecimento dos outros dois nomes! Efectivamente em mais de 80% dos manuais escolares de Geografia dos ensinos primário, secundário e superior, entre 1907 e 1970, foi ensinado que a «serra de Soajo» se situava a sul do rio Lima, como nome alternativo de Serra Amarela! Com este expediente intencional e com a consideração que a serra a norte do Lima se chamava “Peneda” fizeram saltar de uma forma notória a altitude máxima no «Pedrinho», de 1373 m, para os 1415 metros no Outeiro Maior! Corrigiram, portanto, apenas um dos erros de Pery, o relativo à verdadeira altitude máxima da «serra de Soajo», mas o seu nome expulsaram-no para sul do rio Lima! O criador do sistema orográfico «Galaico-Duriense», o suíço Paul Choffat, aldrabou, e assim os professores em geral e seus alunos foram iludidos com uma subtil estratégia! De facto nos livros de Geografia passou a constar predominantemente sobre as serras a explanação: «Peneda, Soajo, Gerês…», e menos, frequentemente, também: «Peneda, Amarela, Gerês»! Foram conspurcados em geral os livros de Geografia, dos então ensinos, liceal, comercial, industrial e superior (universitário ou “politécnico”), com a narração inadmissível: «serra Amarela, também chamada Suajo, entre os rios Lima e Homem»! Que espantosas aberrações! Antes de 1907, as visitas à «Serra de Soajo» dos cientistas H. Link, Leite de Vasconcelos, e de Adolfo Moller [mandado como naturalista pela Universidade de Coimbra em 1990], bem evidenciam que as aldrabices de Pery não haviam ainda desalojado como nome sonante em Portugal porque todos a identificaram por «Serra de Soajo», tendo estado os dois últimos ligados à única Universidade de Portugal! Estes homens de saberes que também estiveram no Santuário de Nossa Senhora da Peneda, onde do seu conjunto sobressai a sua Igreja, situaram-no muito objectiva e claramente na «Serra de Soajo»! Aliás, Leite de Vasconcelos e Adolfo Moller intitularam os seus escritos como expedições à Serra de Soajo, embora com propósitos diferentes! Moller deixou, de facto, exarado para a posteridade, nos Anais de Ciências Naturais e noutra publicação, vários aspectos zoológicos e botânicos da «Serra de Soajo»! Em 1932, foi publicada a primeira Geografia de Portugal, dita «científica» e moderna, trabalho universitário de elevado rigor científico, da autoria do alemão H. Lautensach, para efeitos de doutoramento. Exigiu-lhe a obtenção deste grau académico a pesquisa em inúmeras obras geográficas, o que lhe permitiu apreciar criticamente o que considerou «erros» cometidos por Choffat, de chamar à serra de Soajo, Peneda, e à Serra Amarela também Serra de Soajo! O Professor Doutor Hermann Lautensach através do «Centro de Estudos Geográficos», agregado ao «Instituto para a Alta Cultura», em 1948, viu publicado o notável trabalho intitulado «Bibliografia Geográfica de Portugal», obra onde consta que Choffat «tentou fixar a nomenclatura das principais serras portuguesas, [mas] não isentas de erros.»! De facto na sua notável obra Geografia de Portugal, em alemão, só tardiamente, traduzida para português, colocou a «Serra de Soajo» a norte do rio Lima, a culminar a 1415 m, e a sul deste rio difundiu que a serra tem um só nome, «Serra Amarela»! Deitou, portanto, para o caixote do lixo «Peneda» como nome de serra, e o de «Suajo» a sul do Lima! Mas eu vou mais longe que Lautensach e por isso não deito para o caixote do lixo erros, mas aldrabices, porque só por encomenda puderam ser praticados! Deve ser também dito, a este propósito que o intelectual arcuense Dr. Félix Alves Pereira, também criticou o nome «Peneda» que foi posto em vez de «Pedrinho», atribuindo a culpa do disparate ao guia que acompanhou “os homens dos marcos geodésicos”! Consciente das aldrabices, em 1910, viu consagrado como nome oficial das várias construções dolménicas a designação em coerência «ANTAS DA SERRA DE SOAJO»! E estas distinguidas e dignificadas com a categoria de «Monumento Nacional»! Quem fizer um estudo com o mínimo de seriedade chegará à conclusão que houve várias fraudes com propósitos inconfessáveis.

Este arrazoado serve também para chamar à atenção a um jovem eclesiástico, que não sabe o que diz, porque quem coloca o Santuário de Nossa Senhora da Peneda na «Serra de Soajo» está a afirmar uma genuína verdade! Quem situa a vila e as aldeias de Soajo debaixo de outro deformado nome de serra é que muito disparata!

O respeito pelas raízes e por um caule muito robustecido e enriquecido pelas seivas de muitos séculos, permitem-nos admitir como muito racional e ético que os alicerces alçados, muito profundos e seguros,  sustentam como nome verdadeiro, portanto sem batotas, que os montes agregados a norte do Lima se designam, multissecularmente,por «SERRA DE SOAJO»! Conscienciosamente o que se impõe é remover as aldrabices dos falsários e corrigir os erros praticados pelos enganados!

Talvez não seja necessário recorrer aos tribunais para defender o bom nome da «Serra de Soajo». O Parque Nacional, foi e é uma instituição muito responsável para que se tivessem consolidado as fraudes e os erros! Ora este ocupa apenas uma parte do espaço da «Serra de Soajo». De facto mesmo na freguesia de Soajo há bastante território que não faz parte do Parque Nacional, mas sempre tomam uma parte como se fosse o todo! Quando arderam as árvores, no incêndio de 2016, os meios de comunicação social só diziam que ardeu o P.N.! Mas que rigor é este?!  

Lamentavelmente, continuam a lançar um novo nome - Gerês - para substituir o de Soajo e o de Serra de Soajo! Na verdade, no livro da comemoração dos 500 anos do foral manuelino de Soajo, em 2014, teve a autora o vil atrevimento de escrever, a propósito da caça na época medieval na «serra de Soajo», o contra-senso de a considerar como «caça no Gerês»! E o atrevimento não foi por ignorância… mas por orientada política municipal, com intuitos de prejudicar Soajo e enxovalhar a «Serra de Soajo»!

Mas cometeram-se mais asneiras! No livro «Lugares Santos de Portugal» saído em 2016, o autor seleccionou três locais, no distrito de Viana: Senhora da Agonia, Senhora da Boa Morte e Senhora da Peneda. Na descrição do Santuário da Peneda teve o arrojo de escrever que foi o «Abade do Gerês», Manuel Silvério Cerqueira Lima, quem inaugurou a Igreja do Santuário em 1857! Quem conseguiu consultar os documentos, indevidamente, ainda na Peneda, talvez porque na época não estava à guarda do “sabichão” actual, escreveu algo sobre a Peneda. Na obra do Reverendo Pe. Arieiro declarou-se que em 5/9/ 1834 foram nomeados novos administradores da Real Irmandade de Nossa Senhora da Peneda, a que presidiu o Reverendo Dr. Manuel Silvério Cerqueira Lima, abade de Soajo. Em 10/9/1835 estes eleitos lançaram a ideia de um novo templo mais condigno com o majestoso Santuário. Nos sucessivos anos até 27/7/1852 os administradores do concelho de Soajo analisaram as contas e aprovaram-nas. Mas nesta data o Governador Civil de Viana, Gaspar de Araújo e Gama, arcuense de gema, nomeia uma comissão administrativa, mandando para a rua o dedicado e íntegro abade de Soajo! Sobre este aspecto cito o meu competente professor no Externato Municipal Arcuense: «E o abade de Soajo que tanto trabalhou para a construção do novo templo é posto à margem e não completa a obra que iniciou.» Noutra obra também sustentada em aturada investigação documental, o abalizado Padre Bernardo Pintor em autenticidades sobre o «Santuário da Peneda» dá público conhecimento, em 1976, nestes termos: «O abade de Soajo Dr. Manuel Félix Silvério Cerqueira Lima não pôde completar a obra que projectou, fomentou, acarinhou e cuja realização a ele se deve. Os gigantes também caem. Nada na Peneda recorda a obra deste herói». Mais adiante ajuíza: «Foi um Homem o abade de Soajo. Pelos elementos colhidos nas contas sabe-se que a Igreja estava em vias de conclusão, e passados mais de 100 anos é que se concluiu a segunda torre e algumas dependências ainda esperam que nasçam os pedreiros que lhes hão-de construir as paredes.»!

Este «abade de Soajo» foi apresentado para pároco de Soajo pelo rei D. João VI, em 1824, e até 1866, esteve à frente da jurisdição eclesiástica de Soajo. E não parou o abade de Soajo, quando os fidalgos no poder nos Arcos o expulsaram da administração do «Santuário da Peneda», após o oportunismo da anexação do concelho de Soajo, resultante dos tumultos nas conturbadas eleições municipais de Soajo de 1851. Na concorrida via de acesso à Peneda, lançou a edificação de um outro templo para que os romeiros pudessem receber assistência religiosa e de repouso, sobretudo em dias de inclementes tempestades. A igreja do «Senhor da Paz do Mundo», nas imediações do antigo lugar de Adrão, teve de facto vários propósitos, e foi mais uma iniciativa e realização do grande obreiro em terras de Soajo. Quem não se lembra das muitas vezes que, pelo menos na segunda metade do século XX, ver descer a imagem do «Senhor da Paz do Mundo» até à vila Soajo com clamores para implorar a vinda de chuva nos anos de grandes secas!

Bem mereceria este notável Abade de Soajo que os Soajeiros, em especial os de Adrão, colocassem no templo religioso uma lápide como gratidão pelos nobres gestos do Padre Dr. Cerqueira Lima. Teve este destacado Abade como irmão um juiz de direito. Este magistrado recorreu aos notários (tabeliães) de Soajo para fazer escrituras públicas. Viveram nos edifícios da Prova, ao lado da ponte Barca/Arcos, uma vez que a distinta família Machado Cruz, procede desta nobre estirpe. Mas ter o Dr. Cerqueira Lima como «abade do Gerês» é uma outra enorme atoarda, como a de chamar à «Serra de Soajo», “serra da Peneda”!

Para finalizar convém dizer que os «fidalgos da Casa Real», António Sá Sottomayor, e Gaspar de Azevedo Araújo e Gama, protagonistas da extinção do concelho de Soajo, tiveram também como principal objectivo sentarem-se à «Mesa da Tesouraria» das «Finanças do Santuário da Peneda». E não perderam tempo, pois nos anos seguintes à tomada do concelho de Soajo, lá apareceram para as gerir, porque naquela época, um dos principais “bancos” do norte do país, era o do muito importante Santuário do Alto Minho!

Na actualidade um novo embusteiro apareceu usando o disparate “ABADE DO GERÊS», porque obteve a informação da mesma pessoa que vem dando instruções às TVs e outros meios, para nunca usarem o nome «SERRA DE SOAJO»! Mas, infelizmente, algumas “Juntas” de Soajo ora colaboram activamente, ora deixam escrever e falar como se fossem  puros ingénuos ou “anjinhos”!

                                                     Jorge Lage               

                                                                        Março

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