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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

CONTRIBUIU A CÂMARA MUNICIPAL DE SOAJO E O POVO DE SOAJO, ATRAVÉS DE UM ABAIXO-ASSINADO, PARA QUE NUMA DAS PRIMEIRAS SESSÕES DAS CORTES LIBERAIS FOSSE APROVADA UMA LEI QUE FEZ COM QUE A MONTARIA REAL DE SOAJO ACABASSE!

 

Em 1821, o "PARQUE REAL DE SOAJO" foi extinto porque os ventos dos valores da LIBERDADE e igualdade apareceram para combater as opressões do poder monárquico absolutista com um actividade parlamentar livre nas cortes.

Um documento enviado de Soajo que se encontra arquivado no edifício do Palácio de S. Bento, onde funciona a Assembleia da República, foi mal interpretado por Albert Silbert, na sua publicação de 1985, em 2ª edição, designada por «O problema agrário português ao tempo das primeiras cortes liberais», por não o enquadrar devidamente na singularidade da «Montaria Real de Soajo».

O que consta no abaixo-assinado manifesta, claramente, que em Soajo, ainda vigoravam em 1821, portanto, no SÉCULO XIX, os privilégios específicos concedidos na IDADE MÉDIA aos oficiais monteiros que desempenhavam funções na circunscrição administrativa local do Estado que em terminologia actual se designaria por PARQUE NACIONAL DE SOAJO.

Não foi encontrada, também neste caso, nenhuma referência a uma barreira física para impedir a mobilidade de pessoas e papéis entre Soajo e Lisboa, no vai e vem, como foi suposto, incrivelmente, com a imaginada dificuldade da chegada ao CONCELHO DE SOAJO, da sua CARTA DE FORAL...

Esta «circunscrição administrativa», territorialmente, com um espaço coincidente com o do antigo concelho de SOAJO foi na IDADE MÉDIA categorizada como constituindo uma «comarca». Nela exercia jurisdição o monteiro-mor de Soajo, que gozava de prerrogativas legais sobre os monteiros oficiais, podendo em matérias cíveis mandá-los para a cadeia se não cumprissem as suas tarefas de forma diligente, nomeadamente, nas matérias de vigilância de árvores e animais silvestres.

Albert Silbert interpretou que todos os homens de Soajo estavam isentos da obrigatoriedade do exercício de cargos públicos para servir o concelho de Soajo, e da participação em encargos do concelho, tanto a nível de certos impostos, construção de caminhos, pontes, etc.

Ora destes privilégios, sabe-se, documentalmente, que só gozavam os guardas monteiros e, não os Soajeiros em geral, como objectivamente, se observa no texto da petição enviada ao rei D. João VI para afastar o monteiro-mor José António Barbosa e para repudiar a instituição que já existia, pelo menos, no século de 1200!

Que Albert Silbert cometesse esses ERROS, não é de admirar, mas que o poder valdevezense, em 2014, mandasse ao Dr. Nuno Soares influenciar a autora do livro «Soajo, 500 anos do foral manuelino» para considerar todos os SOAJEIROS dispensados dos «CARGOS E ENCARGOS DO CONCELHO DE SOAJO» é anedótico!

A imagem de miserabilismo que pretenderam evidenciar do concelho de Soajo neste livro mais serviram para REVELAR O GRANDE ÓDIO QUE TÊM PELA HISTÓRIA, PATRIMÓNIOS E IDENTIDADES DE SOAJO!

Quiseram no livro dos «500 ANOS DE FORAL DA TERRA E CONCELHO DE SOALO» fazer uma história orientada, em várias vertentes, para o «NÃO FOI», uma história do «NÃO SER» e do «NÃO TER», isto é, uma «HISTÓRIA DE MISÉRIA», que analisada devidamente não passa de uma «MISÉRIA DE HISTÓRIA», parafraseando um outro uso paralelo de apreciação sobre  conhecimentos em sede da “amiga da sabedoria"…

Os diversos artigos que eu publiquei eram mais que suficientes para não deixarem verter nos assuntos da Montaria Real de Soajo os ATAQUES desdenhosos, infamantes e aviltantes desta instituição plurissecular, reduzindo-a no seu historial  a conteúdos de uma mera «RESERVA DE CAÇA»!  

 Bem sabemos que não querem argumentos, factos e provas que possam equiparar a «MONTARIA REAL DE SOAJO» a um «PARQUE NACIONAL» para que não se AVULTE e, antes se enfraqueça, a contestação ao nome que incorporaram INDEVIDAMENTE na designação deste PARQUE , ao não o erguerem, face ao passado de muitos séculos, como PARQUE NACIONAL SOAJO-GERÊS !

  Se houve evolução no conceito e definição do primeiro, no decorrer dos séculos, não é menos verdade que o mesmo sucede na relativa curta duração do PN, embora nos dois as suas essências não deixam de ser, fundamentalmente, a protecção e conservação da natureza numa área escolhida do país considerada da maior relevância!

Contudo, na MONTARIA REAL DE SOAJO os procedimentos de vigilância para protecção e conservação do ambiente natural silvestre sempre foram feitos por significativas pessoas com fardas adequadas, que viviam no interior ou na proximidade da «comarca» de Soajo, ou seja, nas «circunscrição administrativa local do Estado» com sede na vila de SOAJO para melhor a defenderem.

 Os bens e a paisagem natural e humanizada, observadas nos tempos modernos enquadram-se, é certo, em nomenclaturas e conteúdos inseridos e designados por biodiversidade, geodiversidade, geossítios, etc., mas os propósitos nucleares focam-se no PN, essencialmente, na protecção e salvaguarda da valiosa área da NATUREZA biológica e geológica.