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Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

Soajo em Noticiário

A finalidade deste blog é colocar factos relevantes de Soajo para que os Soajeiros e o público interessado possa dispor dos resultados de persistentes pesquisas que se fizeram em bibliotecas e arquivos. Artigos de Jorge Ferraz Lage

SOBRE A RECENTE FEIRA DE ARTES E OFÍCIOS TRADICIONAIS EM SOAJO

 

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  Concordo com a generalidade do que foi escrito pelo distinto jornalista ao serviço do «Notícias dos Arcos», Dr. Armando F. de Brito, redactor de muitos e bem-feitos artigos, subscritos com a sigla A.F.B., e também precioso colaborador do blogue, soajoemnoticia.blogs.sapo.pt .

Comentando o que foi publicado neste blogue, quero aproveitar para dar os parabéns a todos os que participaram na FAOT, e aos que contribuíram com bens materiais e trabalho para tornar realidade este evento. Todos merecem a nossa gratidão ao concorrerem para ajudar a enaltecer a que foi desde os tempos medievais tida como sede da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», conforme depois também nos narra a sua Carta de Foral de 1514, pese embora haver quem, nas últimas décadas, a queira rebaixar e enterrar por debaixo das suas notáveis e coloridas alfombras!

 Sem dúvida que a explanação de bens e utensílios nos antigos «Paços do Concelho», ainda usados na segunda metade do século XX, enriqueceu o evento, embora a grande maioria deles não fossem exclusividades de Soajo. No entanto as novas gerações não conhecedoras destas vivências, se mais estivessem presentes, sempre admirariam o modus vivendi dos seus pais e avós.

A antecipação da FAOT não permitiu que muitos dos filhos dos ausentes no país e no estrangeiro e, talvez mais turistas, contactassem com os usos e costumes não muito distantes no tempo.

 A reportagem fotográfica também muito enriqueceu a exposição ao permitir que se visualizassem paisagens naturais e actividades agrícolas bastante penosas.

 A falta de legendas impediu a maximização da excelência da exposição, talvez pela sobrecarga de trabalho e falta de tempo dos promotores.

Permitir-me-ei sugerir que seria mais rigoroso intitular a exposição “SOAJO, O TEMPO E MEMÓRIA”, dado que de história apenas se exibiram dois livros, infelizmente, em vários aspectos pouco consonantes com a autêntica e real história e geografia da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», esta observada nas suas, várias e verdadeiras dimensões da realidade nacional!

 Na verdade no livro sobre o «Soajo», com o subtítulo «500 anos do foral manuelino», além de muitas asneiras históricas e geográficas, algumas mal disfarçadas, e outras mais visíveis, pretendeu-se, disparatada e maldosamente, rebaixar e humilhar vários aspectos da «TERRA E CONCELHO DE SOAJO»!

Mas a mesma autora Paula Pinto Costa observou a «TERRA E CONCELHO DE VALDEVEZ» em outro livro sobre o foral dado em 1515, de uma forma não desrespeitosa e depreciativa!

Sucede que, até à década de 1880, Arcos de Valdevez, dispunha também de um modesto edifício dos «Paços do Concelho» numa pequena vila com características rurais por onde carros de bois e cavalos também vagueavam, sendo também terra de rústicos.

 Na altura da emissão do foral de 1515 o concelho de Valdevez nem sequer tinha uma vila!

 No entanto, nos tempos presentes, com muita bazófia inventaram a ficção de que em “Arcos de Valdevez, foi onde Portugal se fez”! E isto sem que tenham um único documento a provar que no «vale do rio vez» houve uma simples batalha!

 Em Soajo, existindo também um modestíssimo edifício dos «Paços do Concelho», não logrou a sua substituição por outro com mais dignidade, pela queda abrupta do concelho em 1852! De facto, através de documento oficial, existente no Arquivo do extinto Governo Civil de Viana do Castelo, por volta de 1846, ordenou a rainha D. Maria II, que em Castro Laboreiro, Arcos de Valdevez, Melgaço, Coura e o Soajo e Valadares, procedessem à construção de novos Paços do Concelho, por os antigos não se ajustarem aos requisitos necessários! Deviam ser feitos para albergarem também a Administração dos respectivos concelhos pois funcionavam em instalações privadas dos administradores, pelo facto de os «Paços do Concelho» serem modestos em termos de espaço!

Ora a professora Paula Pinto influenciada por pessoa responsável afecta à Câmara de Arcos de Valdevez, ridiculamente, procurou também, por manifesta ignorância, humilhar Soajo, alvitrando até que o Foral do concelho de Soajo, não teria chegado a Soajo! Esta presunção é além do mais vergonhosa!

Deixou ainda declarado no livro do foral outras coisas tão malévolas, tão ofensivas a Soajo e aos Soajeiros que bem reflectidas e sentidas deveriam levar o livro ao castigo máximo no Pelourinho de Soajo, em vez de o expormos, publicamente, como sucedeu na FAOT!

Levavam os Soajeiros os gados e outros bens na época medieval às feiras de Ponte do Lima e de Valdevez, regressando carregados de pesados abastecimentos; colocavam as albardas nos seus cavalos; subiam ao Alto da Pedrada; atravessavam a Portela de Tibo carregados com pesados bens os que por lá viviam; levavam pesados farnéis nas idas a Ermelo e Peneda, em dias de festas nos lugares do seu concelho; traziam os defuntos da Várzea pela histórica Portela do Galo, e de Paradela, atravessando pelo menos nos dias de temporais, a presumível “ponte romana ou românica” sobre o «rio Soajo» localizada na «Ladeira», para serem enterrados na Igreja de Soajo; ou ainda atravessavam esta ponte os oficiais monteiros ao venderem, por privilégio medieval, os seus gados no reino da Galiza; calcorreavam muito antes do foral, a SERRA DE SOAJO, para vigiarem o parque natural - Montaria Real de Soajo; construíam as suas habitações através dos levantamentos de pesadíssimos blocos de granito; ganharam batalhas no concelho de Soajo, e junto ao castelo de Lindoso; batiam-se em arriscadas caçadas com javalis, ursos e outros animais, etc.!

Mas, não obstante, desconfortados ou não com estes modos de vida, escreveu esta autora, espantosamente, o desarranjo de que Soajo «viria a ter ligações com os mosteiros de Fiães e de Ermelo»! Ora se Ermelo, fez parte de Soajo, em termos judiciais e municipais, e fundamentalmente, se era por ele, que os Soajeiros passavam, tal afirmação é completamente absurda e descabida! Não PASMEM CAROS LEITORES, pois segunda a autora Paula Costa, que escreveu tantas aberrações, haveria muita dificuldade em transportar uns “gramas” de papéis do Foral de Soajo, quando estes eram muito mais leves do que os papéis dos livros dos tabeliães e dos escrivães da câmara e do tribunal de Soajo! Desconheceu a autora que chegar, desde Ermelo à vila de Soajo, sede do seu concelho e montaria real, situada a uns trezentos metros de altitude e, elevada a cerca de duzentos e sessenta de altura, se percorria uma via relativamente suave, desde a ponte medieval de Ermelo/Soajo até o sítio de Vilarinho das Quartas, depois de percorrida a suavíssima e pitoresca «estrada» medieval que até Ermelo ladeava o rio Lima! Porém, ignorando as vias de acesso a Soajo, preconceituosamente, ou mal informada, tomou o acesso a Soajo como muito difícil, a ponto de imaginar que transportar o foral de Lisboa para a «TERRA E CONCELHO DE SOAJO», seria como que uma empresa arrojada! Que imaginação ridícula! Que extravagância! Quem conduzia os «cinco sabujos» ao porto de Viana com cajados muito mais pesados teria dificuldade em trazer uns gramas de papéis?! Os oficiais monteiros que tomavam posse no Paço Real, sito no Terreiro do Paço, não conseguiriam trazer os documentos de Lisboa por causa do acesso viário ao concelho de Soajo?!

 Na ainda inexistente sede ou vila da Terra e Concelho de Valdevez, é que tiveram de ir ao beija-mão do Visconde donatário de várias Terras e Concelhos, para receberem o foral na vila de Ponte de Lima!

Na Terra de Soajo, onde fidalgos não podiam oprimir, onde havia liberdade de movimentos do Povo, para levar e trazer papeladas de e para Lisboa, é que havia muitas dificuldades de mobilidade, porque os soajeiros estavam habituados aos fofos sofás, e não conseguiam andar nos carreiros das altas montanhas da Serra de Soajo! A Senhora Professora Paula Costa, apesar de ser uma competente mediavalista fartou-se de “meter água” sobre assuntos de Soajo, porque “alguns manhosos” a encaminharam muito mal com preconceitos quixotescos!

Detalhadamente revelar-lhe-ei com argumentos consistentes que foi pouco justa ao fazer considerações sobre Soajo, ao deixar-se influenciar por patetices de preconceituosos “rústicos urbanizados” e de “urbanos ruralizados”! Estes ficcionistas com mentalidades reminiscentes dos antigos fidalgos que os moldaram no seu status de “arraia-miúda” ainda adoptam métodos antigos herdados! Por estas e outras aldrabices é que o cientista Leite de Vasconcelos veio, em 1882, a Soajo à procura de “manhosas raposices” em vez de ser orientado pelo astrolábio para a vila do Vez!

 Recomendaram também à autora uma outra inventada e desajustada designação «Serra da Peneda/Soajo»! Mais uma outra aldrabice! E ainda mais anedótica e arrepiante foi escrever que os monteiros de Soajo caçavam na sua serra do Gerês! Apre! Mil vezes, irra! Foi demais!

Por vezes quem ridiculariza, achincalha-se a si próprio, e aos seus informadores!

Fiquem, no entanto, bem cientes que alguns homens do Vez ou do Bragadela que a «Terra e Concelho» que apoucaram teve a elevada honra de ver constar a sua vila e o nome «Serra de Soajo» no primeiro mapa de Portugal, publicado durante o século de 1500! Mas, a “importante vila de Arcos”, e o rio Vez que a atravessa e lhe compôs o nome, nem com o mais potente microscópio neste mapa quinhentista conseguem detectar os nomes que tanto sobrestimam! Ficamos perplexos com a jactância expressa pelos não vilões que industriaram  a Professora Paula Costa!

 As prosápias não chegam para convencer os outros, pois quanto a factos e documentos para justificar o slogan, nada têm! A Ponte da Barca e o concelho da Nóbrega são visíveis no mesmo primeiro mapa à vista desarmada, apesar do documento específico de vila não ter sido emitido pelo rei D. Manuel I, rei que também a atravessou! Porém, nesta vila e concelho, não havia disputas de definição da sede, como sucedera em Valdevez!

O prospecto, o desdobrável, sobre Soajo, lançado no dia da FAOT, apareceu na mesma linha de orientações com asneiras de palmatória, reduzindo todos os soajeiros à qualidade de oficiais guardas da natureza, sem uma explicitação clara e objectiva de que toda a «TERRA E CONCELHO DE SOAJO» foi área de protecção e conservação da natureza, sob a designação de «REAL MONTARIA DE SOAJO»!  Pretendeu-se esconder esta importantíssima valia histórica, para não beliscarem o disparate do nome actual do Parque Nacional, por não ter compatibilidade com o milenar Soajo e com os multisseculares, Parque Natural de Soajo e Serra de Soajo!

Ainda não é verdade dizer que toda a vila de Soajo se situa dentro do Parque Nacional, porque uma parte dela está, escandalosamente, fora do Parque Nacional, porque em vários aspectos foi organizado sobre os joelhos!

No prospecto diz-se que D. Manuel concedeu o privilégio de Vila a Soajo, em 1514, o que é redondamente falso!

Mas apesar de ser vila pelos anos trinta do século de quinhentos, até à actualidade, procurou-se sonegar esta qualidade usando no prospecto, manhosamente, o termo «povoação» sem a qualificar!

 Também não é verdade escrever que o concelho de Soajo acabou por «consequências das reformas liberais do século XIX»! O responsável pela redacção do prospecto erra, se não, prove que, em 1852, houve uma reforma administrativa dos municípios! Os documentos agregados no Arquivo do Governo Civil de Viana, pelo arcuense Gaspar de Araújo e Gama, na altura também proprietário da actual “Casa das Artes”, provam com total clareza que foram, pontualmente, outras as razões da extinção do «concelho da vila de Soajo» como várias vezes escreveu taxativamente!

Sobre o «JUIZ DE SOAJO» pretenderam no prospecto, habilmente, esconder o tribunal de 1ª instância de Soajo, que quase ainda pela época da célebre sentença teve, como durante os séculos anteriores, a mesma categoria institucional do de Arcos de Valdevez, por nele não haver «juízes de direito», mas apenas «juízes ordinários»! Mas, o mais surpreendente, foi a de que o juiz proferiu a sua célebre sentença no Tribunal da Relação do Porto! Será que também interessa baralhar para desacreditarem um facto histórico, testemunhado por Soajeiros contemporâneos do juiz Manuel Domingues Sarramalho, e pelo Abade Rocha Peixoto? Este juiz de Soajo parece promovido à categoria de desembargador, ao se dizer que «perante o colectivo de juízes» proferiu a sua sentença! Ora a sua sentença foi proferida no Tribunal de Soajo, porém foi a redacção do seu conteúdo que motivou o recurso para a Relação e consequente interpretação explicativa! Uma singela abordagem num livro em banda desenhada é útil para crianças, mas nunca servirá como narrativa histórica, não só pela superficialidade, como também por usar vocabulário fora do contexto formal da linguagem normativa usada nos processos judiciais, conforme se pode constatar noutros processos desencadeados e também redigidos pelos escrivães do Tribunal de Soajo. De facto o tratamento do juiz por “Ti Sarramalho”, e  a sentença lida no pelourinho não eram procedimentos usados no século XIX!

No meu blogue - soajoemnoticiario.blogs.sapo.pt  - estão as minhas apreciações sobre outros aspectos da FAOT e, ainda, especificamente, outros assuntos contidos no desdobrável vindo a público na FAOT.

                                                                         Jorge Lage

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